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Resultado do Ideb 2025: o que os dados revelam sobre a evolução da educação básica?

17 de setembro de 2026,
E-docente
Resultado do Ideb 2025

O que nos incomoda quando olhamos ao nosso redor? E o que fazemos para mudar essa realidade? Nossa rotina, muitas vezes, acaba adormecendo ideais que carregamos conosco desde que éramos crianças. A energia, a imaginação e a vontade de mudar o mundo parecem esvair-se com o passar dos anos e o “amadurecimento” que a idade adulta nos traz. Porém, leitor, você verá que este texto tenta trazer um alento, um caminho para que, apesar de todas as dificuldades pelas quais passamos como trabalhadores da educação, tenhamos a certeza de que nossas ações podem, sim, mudar o mundo.

Dentro dessa ideia, não poderíamos deixar de trazer Paulo Freire, que, em toda a sua sabedoria, ultrapassou barreiras e palavras para criar o conceito de “esperançar”. Mais do que a esperança que gera espera, esperançar é ir atrás, fazer algo para alcançar um objetivo, tornar possível aquilo em que se acredita. Na educação, sonhos que parecem utópicos são o principal combustível para esse conceito. Porém, não estamos falando aqui dos sonhos individuais que cada um tem quando adormece, mas daqueles sonhos coletivos, que nos fazem levantar da cama, buscar nossos pares e planejar ações efetivas, que transformam o abstrato em concreto.

Quando lidamos em sala de aula com jovens de diferentes idades, culturas, interesses, condições sociais, precisamos estar atentos ao desenvolvimento de materiais que considerem essa realidade diversa e plural e que permitam aos estudantes partir de diferentes pontos para alcançar objetivos de aprendizagem comuns, como aqueles estabelecidos em documentos normativos, como a BNCC, e avaliações externas que aferem as aprendizagens nas áreas do conhecimento, como o Saeb.

Pensando nessa contextualização de conteúdos, nas considerações finais de seu artigo, Santos e Silva (2018) destacam que:

Ao fim e ao cabo, podemos destacar que las formas de adaptação para os diferentes tipos de estudantes, mais do que uma tendência, parecem ser uma necessidade, e não por acaso vêm sendo estudadas desde 1960 […] (p. 189)

Essa personalização do ensino é uma das propostas da iniciativa Acerta Brasil,, do Prepara e da solução Futuro Proficiente (que combina o sistema Maxi de ensino com o Acerta Brasil), desenvolvidas pela Saber, com o objetivo de potencializar o desenvolvimento de habilidades dos estudantes em cada uma das áreas, preparando-os para as diversas situações de vida, em vez de apenas treiná-los para exames pontuais.

Veremos, neste artigo, como alguns estados e municípios que adotaram a solução apresentaram melhoras significativas ao analisar o Resultado do Ideb 2025, que é o principal indicador educacional do Brasil. Trata-se daquela busca mencionada no início deste texto: a transformação da vida dos estudantes por meio de estratégias que nos permitam esperançar.

Ações práticas em números: a utopia que vira realidade

É muito comum que nós, professores, projetemos em nosso trabalho sonhos utópicos, em que esperamos que nossos planejamentos, tão elaborados, sejam implementados com sucesso em nossas turmas. Vemos, ainda, que grande parte da sociedade deposita sobre nós expectativas que aumentam a pressão que, por vezes, nos adoece, já que diversos fatores impedem que alcancemos aquela meta traçada. Vale ressaltar que não podemos assumir a ideia quase sagrada de “professor é dom, é entrega”, que nos leva a fazer muito além do que nossa profissão (e nossa saúde) permite. É justamente por isso que, em nossa prática do esperançar, não podemos atuar isoladamente, mas precisamos do apoio de diversos atores no processo educacional, inclusive com materiais de qualidade que embasem nosso trabalho. Ou seja, o investimento efetivo em pessoal e infraestrutura educacional precisa ser assegurado.

Leia mais: “A culpa é do professor!”: a necessária atenção a todos os atores do processo educacional 

Mais do que experiências, as soluções apresentadas aqui mostram resultados robustos, com avanços significativos no Ideb em diversos estados e municípios que as adotaram. Vamos, então, aos números:

Impactos e avanços do Acerta Brasil

Seguindo uma estrutura gamificada e alinhada às propostas pedagógicas mais recentes, aos descritores do Saeb e às diretrizes da BNCC, o Acerta Brasil  vem mudando a realidade de diversos estudantes no nosso país. A tabela a seguir mostra avanços significativos nos resultados do Ideb após a implementação da solução:

LocalidadeEtapa de EnsinoIdeb 2023Ideb 2025Evolução
Paraná (Estado)Anos Finais5,45,80,4
Ensino Médio4,75,10,4
Sobral – CEAnos Iniciais9,69,6Mantido
Anos Finais7,98,00,1
Cardoso – SPAnos Iniciais7,37,60,3
Anos Finais6,26,70,5
Xinguara – PAAnos Iniciais4,96,31,4
Anos Finais4,25,51,3
Águas Claras – MSAnos Iniciais6,77,20,5
Abaré – BAAnos Iniciais6,26,50,3

Ao analisarmos esses dados, precisamos estar atentos a detalhes que tornam os avanços conquistados muito relevantes. Temos tanto a manutenção do excelente índice de Sobral (CE), que já parte de 9,6, quanto um salto de 1,4 em Xinguara (PA). Esse é um detalhe que comprova como nossos materiais fogem de modelos padronizados, que ignoram a realidade de cada contexto, já que percebemos que cada localidade avançou a partir de onde estava.

O resultado de Sobral merece um parágrafo à parte. Nós, que trabalhamos com educação, sabemos que sustentar um índice elevado, como 9,6, representa um desafio diferente daquele envolvido na passagem de 4,9 para 6,3 – é a diferença entre esperançar e manter o sonho vivo.

Xinguara, município que apresentava um Ideb inicial mais baixo e que teve o maior salto, é o contraponto: onde a distância entre o real e o desejado era maior, o efeito da personalização aparece com mais força, pois o atendimento foi feito de onde o estudante estava, não de onde o currículo pressupunha que ele deveria estar.

Já em Cardoso, o que chama a atenção não é apenas a dimensão do avanço, mas sua distribuição entre os segmentos: os Anos Finais cresceram mais (+0,5) do que os Anos Iniciais (+0,3). Esse resultado contrasta com uma tendência frequentemente observada, já que os Anos Finais costumam ser a etapa mais difícil de avançar, pois o estudante passa a ter vários professores por disciplina, o vínculo pedagógico se fragmenta e é a etapa em que a evasão escolar tende a se tornar mais expressiva. Municípios costumam avançar mais nos Anos Iniciais e sentir dificuldade em sustentar isso quando o estudante chega aos Anos Finais. Cardoso inverte essa lógica. Ou seja, se o ganho é maior justamente na etapa em que a experiência escolar costuma se fragmentar, é sinal de que a solução não está só reforçando conteúdo pontual, mas sustentando a continuidade da aprendizagem exatamente onde ela costuma se perder.

O avanço do estado do Paraná ressalta que o trabalho feito com o Acerta Brasil não tem foco apenas no conteúdo da ementa, mas na formação como um todo, já que há uma consistência simétrica entre os resultados nos Anos Finais e no Ensino Médio (+0,4). Podemos, ainda, lembrar que o Ensino Médio é justamente a etapa em que o engajamento costuma cair e a evasão aparecer, então, manter o ritmo de avanço da etapa anterior, num estado com a dimensão e a diversidade do Paraná, sugere continuidade pedagógica ao longo da trajetória do estudante, não um reforço pontual que funciona numa fase e se perde na seguinte.

Ao analisarmos os resultados de Águas Claras e Abaré, vemos saltos mais modestos, mas também muito importantes, já que nem todo avanço precisa ser espetacular para comprovar que a personalização funciona. O desafio de esperançar também é sustentar o gesto constante, não só o feito extraordinário, e encontrar um caminho com efeitos positivos é o primeiro passo para que cheguemos mais longe e possamos corrigir possíveis falhas anteriores.

Leia mais: A Gamificação da educação é possível? e Gamificação na educação: engajamento e motivação para o aprendizado

Acerta Brasil integrado ao sistema de ensino Maxi

O Acerta Brasil, quando integrado a um sistema de ensino que também prioriza as relações humanas em sua essência, tratando de todos os componentes curriculares aplicados a situações reais em sociedade, pensando na formação integral do cidadão, não apenas treinando-o para responder questões, pode ser ainda mais eficaz, potencializando assim, as diversas aprendizagens e suas aplicações para além de sala de aula.

O avanço de cidades que utilizam essa solução integrada também fica claro quando analisamos os dados a seguir:

LocalidadeEtapa de EnsinoIdeb 2023Ideb 2025Evolução
Boa Vista – RRAnos Iniciais6,77,20,5
Ibiporã – PRAnos Iniciais5,76,71
Araguainha – MTAnos Iniciais4,48,03,6

Ao olharmos esses avanços, não resta dúvida de que, quando associamos o Acerta Brasil a um sistema de ensino robusto, orientado por uma formação mais ampla, os resultados podem ser potencializados. O avanço de Araguainha é expressivo: o índice passa de 4,4 para 8,0, partindo de uma nota abaixo da média para uma bem alta; assim como o de Ibiporã, que cresce um ponto quando comparamos ao resultado de apenas dois anos antes, alcançando, em 2025, o mesmo índice que Boa Vista, uma capital estadual, obteve em 2023.

Por falar em Boa Vista, seu resultado também é bastante animador e mostra que, mesmo em uma cidade em que a avaliação já estava acima da média nacional, ainda há espaço para avanços. Ou seja, a implementação de soluções integradas, como o Futuro Proficiente, tem potencial de alavancar pedagogicamente tanto localidades com Ideb mais baixo quanto aquelas que já apresentam índices elevados, bem como capitais e municípios do interior. Isso porque, conforme temos enfatizado, existe um foco no contexto em que é aplicado, sem generalizações que se tornam frias quando em contato com a realidade dos estudantes.

Leia mais: O futuro da avaliação educacional: o Ideb ainda é o melhor indicador?

A solução Prepara e a recomposição de aprendizagens

Com a mesma sensibilidade pedagógica do Acerta Brasil e alinhamento com descritores e diretrizes oficiais, o Prepara foi desenvolvido com foco na recomposição de aprendizagens de anos anteriores e no desenvolvimento de competências específicas exigidas nas avaliações oficiais, integrando as diretrizes da BNCC aos descritores do Saeb. Ou seja, não se trata apenas de conteúdos distantes do contexto em que são aplicados, mas de avaliar os estudantes em suas necessidades e atendê-las de modo a desenvolvê-las da melhor forma possível, praticando-as em seu cotidiano. Não é à toa que tal abordagem está associada aos avanços no Ideb que vemos a seguir no Pará, um estado tão grande e com características tão próprias:

LocalidadeEtapa de EnsinoIdeb 2023Ideb 2025Evolução
Pará (Estado)Anos Finais4,85,00,2
Ensino Médio4,34,40,1

À primeira vista, os resultados do Pará podem parecer modestos, principalmente se comparados aos demais vistos até aqui com outras soluções. Porém, quando fazemos uma análise como pesquisadores da educação e apontamos nosso olhar para o contexto do estado, percebemos como é difícil mover positivamente a média de um estado com a extensão territorial e a pluralidade que o Pará apresenta.

Apesar de tantas peculiaridades, vimos, ainda assim, um avanço tanto nos Anos Finais como no Ensino Médio, um indicador do sucesso do Prepara, que, como dissemos, tem como um dos focos trabalhar a recomposição de aprendizagens de anos anteriores. Quando a média de todo o estado sobe, mesmo que modestamente, o resultado constitui um indício positivo sobre o trabalho realizado.

Leia mais: Recomposição de aprendizagem: estratégias de reforço escolar 

Soluções diversas, avanços consistentes e o Resultado do Ideb 2025

Ao analisarmos em conjunto todas as tabelas e soluções apresentadas, vemos que o avanço foi maior onde a solução pôde se ajustar mais profundamente ao contexto (Xinguara, Araguainha) e discreto onde a escala ou o ponto de partida já eram elevados (Sobral, Águas Claras). De qualquer forma, nenhuma das médias apresentadas recuou; ao contrário, todas se mantiveram ou avançaram, o que fornece indícios favoráveis sobre a contribuição das soluções implementadas nessas localidades.

Assim, reforçamos a ideia da importância de um trabalho conjunto entre os diversos atores do processo educacional articulado a investimentos em plataformas e materiais que estejam em consonância com as políticas educacionais desenvolvidas pela comunidade escolar.

Leia mais: Ideb nos Anos Iniciais: estratégias de alfabetização e letramento

E o mais importante: a análise geral e o Resultado do Ideb 2025 apontam que trabalhar com respeito à contextualização do ensino potencializa o que os estudantes têm de melhor. Conectamo-nos às ideias de Fiorot Junior e Rondini (2025), quando destacam que:

A personalização não deve ser confundida com a flexibilização sem critérios, que pode gerar desigualdades ou desorganização no processo pedagógico. Ademais, não se limita a uma adaptação superficial dos métodos de ensino sem mudanças estruturais na organização escolar. Para ser eficaz, a personalização precisa estar embasada em estratégias que garantam equidade, promovam o desenvolvimento de competências socioemocionais e favoreçam a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento. Assim, a construção de um ensino inovador depende da valorização da autonomia estudantil, do compromisso dos educadores e da criação de políticas públicas que favoreçam ambientes de aprendizagem dinâmicos, estimulantes e inclusivos. (p. 74)

Considerações finais

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo; os homens e mulheres se educam mutuamente, mediatizados pelo mundo” (Freire, 2005)

A educação verdadeira não ocorre de forma isolada, pois o conhecimento e a transformação educativa só se concretizam na interação social e na cooperação, e isso só pode acontecer se tivermos a consciência de que qualquer ação nossa impacta diretamente na vida do outro. Então, ao utilizar tecnologias para expandir e compartilhar novas realidades em vez de isolá-las, estamos criando novas conexões que tratam de seres únicos, cada um com suas necessidades, singularidades e potencialidades.

Somos professores e, embora, em alguns momentos, possa parecer o contrário, não somos onipresentes nem temos superpoderes. Pensando nisso, trago uma citação de Conceição Evaristo, proferida em entrevista ao programa Roda Viva, em 2021, quando comentou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras: “O importante não é ser o primeiro ou a primeira, o importante é abrir caminhos.”

Assim, abrindo caminhos, precisamos estar atentos a soluções capazes de potencializar nossas habilidades; estas, somadas a outras experiências, podem contribuir para transforma realidades e nos permitir, mesmo sem superpoderes, voar mais alto, alcançando conquistas que pareciam impossíveis e nos dando aquele incentivo que falta na busca de uma educação de mais qualidade em um país tão rico, tão plural, mas ao mesmo tempo ainda tão carente de avanços.

E é assim, esperançando, valorizando a parte humana de estudantes e professores, que mantemos vivo o sonho de tantos Freires, Evaristos e Silvas Brasis afora.

Minibio do autor

Tiago da Silva Ribeiro é professor do curso de Pedagogia do Instituto Nacional de Educação de Surdos nas disciplinas de Língua Portuguesa e Tecnologias da Informação e Comunicação. Tem experiência em turmas do Ensino Fundamental e Médio, além de já ter atuado na modalidade on-line como mediador, orientador de trabalhos finais de curso, desenhista educacional, professor-autor e coordenador de curso. Sua tese de doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) teve como tema de trabalho o Internetês. Esperançoso por natureza, conquistou tudo que tem por meio da educação e da persistência, sempre respeitando cada um de seus estudantes e buscando o que eles têm de melhor.

Referências bibliográficas e sugestões de leitura 

EVARISTO, Conceição. Entrevista concedida ao programa Roda Viva. TV Cultura, São Paulo, set. 2021. 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 1. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.  

FIOROT JUNIOR, José Angelo; RONDINI, Carina Alexandra. Flexibilização curricular e criatividade: o papel da personalização do ensino na educação contemporânea, Talincrea, Universidad de Guadalajara, México. v. 11, n. 2, abr. 2025. Disponível em: https://talincrea.cucs.udg.mx/index.php/talincrea/article/view/199/146. Acesso em: 11 set. 2026. 

LIRA, Jorge. Recomposição das aprendizagens em Língua Portuguesa, Blog E-docente, 8 abr. 2026. Disponível em: https://www.edocente.com.br/blog/recomposicao-aprendizagens-lingua-portuguesa/. Acesso em: 26 ago. 2026. 

RECOMPOSIÇÃO de aprendizagem: estratégias eficazes para programas de reforço escolar. Blog E-docente, 18 dez. 2025. Disponível em: https://www.edocente.com.br/blog/recomposicao-de-aprendizagem-estrategias-eficazes-para-programas-de-reforco-escolar/. Acesso em: 11 set. 2026. 

RIBEIRO, Tiago da Silva. “A culpa é do professor!”: a necessária atenção a todos os atores do processo educacional. Blog E-docente, 5 out. 2023. Disponível em: https://www.edocente.com.br/blog/feliz-dia-do-professor/. Acesso em: 11 set. 2026. 

RIBEIRO, Tiago da Silva. A gamificação da educação é possível? Blog E-docente, 16 set. 2025. Disponível em: https://www.edocente.com.br/blog/gamificacao-da-educacao/. Acesso em: 11 set. 2026. 

SANTOS, Rodrigo Otávio dos; SILVA, Roberta Galon. O ensino personalizado: algumas investigações. Educação: teoria e prática, v. 28, n. 57, 2018, p. 170-191. Disponível em: https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/educacao/article/view/11654. Acesso em: 11 set. 2026.

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