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Ápis Mais Arte no PNLD 2027: a abordagem triangular, o antirracismo e a formação autoral na infância

24 de julho de 2026,
E-docente
Apis Mais arte - entrevistas com autoras

O ensino de Arte nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental desempenha um papel central no desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e do pensamento crítico das crianças. Aprovada no PNLD 2027 para a Categoria 1 (1º e 2º ano) e Categoria 2 (3º ao 5º ano), a coleção Ápis Mais Arte propõe uma experiência pedagógica estruturada que conecta a prática artística às demandas culturais e sociais do nosso tempo.

Escrita pelas especialistas Eliana Pougy — Doutora em Ciências Sociais (Educação) pela PUC-SP e especialista em Linguagens das Artes — e Mariana Pougy — Mestra em Arte-educação pela UNESP e especialista em transposição didática —, a obra apresenta caminhos práticos para transformar a sala de aula em um espaço de reflexão e criação.

1. Olhar Sensível e Crítico: Como a Abordagem Triangular Transforma o Aluno de Consumidor em Produtor Autoral de Cultura?

Em uma sociedade marcada pela superexposição a telas e estímulos visuais, o ensino de Arte precisa ir além da simples observação. A coleção articula a Abordagem Triangular (fazer, fruir e contextualizar) aos estudos da cultura visual para desenvolver um olhar analítico e consciente nas crianças.

Como explicam as autoras Eliana e Mariana Pougy:

“Na coleção Ápis Mais Arte, entendemos que a criança vive imersa na cultura e cercada por imagens, sons, vídeos e diferentes formas de visualidades. Por isso, não basta ensinar a apreciar obras de arte; é preciso desenvolver um olhar crítico para compreender como essas imagens são produzidas, quais valores carregam e quais narrativas constroem.”

O equilíbrio entre a reflexão e a experimentação prática é o motor que impulsiona o protagonismo infantil:

  • Leitura e Fruição: Decodificação de sentidos, formas e intenções nas imagens.
  • Contextualização: Conexão da obra com sua época, território e contexto social.
  • Produção Autoral: Expressão pessoal por meio de experimentações plásticas e visuais.

“Ao experimentar materiais, criar soluções próprias e compartilhar suas produções, ela deixa de ocupar apenas o lugar de consumidora para assumir o papel de autora/artista, percebendo que também pode comunicar ideias, sentimentos e pensamentos por meio da Arte.”

2. Currículo Decolonial: Como Promover o Antirracismo e Ampliar o Repertório Estético no Ensino Fundamental?

A curadoria artística de uma obra didática reflete escolhas éticas e pedagógicas. A coleção Ápis Mais Arte adota uma perspectiva decolonial, valorizando a diversidade cultural brasileira e rompendo com a hegemonia dos cânones eurocêntricos.

O acervo de imagens e referências da obra destaca:

  • Produções de povos originários e artistas afro-brasileiros.
  • Obras criadas por mulheres artistas e pessoas com deficiência.
  • Manifestações culturais representativas de todas as regiões do país.

Essa diversidade repertorial é fundamental para a construção de uma prática pedagógica antirracista e inclusiva:

“Quando o professor apresenta obras de artistas indígenas, afro-brasileiros, mulheres, artistas com deficiência e representantes de diferentes regiões do país, ele contribui para romper estereótipos e ampliar as referências culturais das crianças. Mais do que cumprir as legislações que orientam o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena, essa escolha favorece práticas antirracistas ao reconhecer diferentes modos de criar, viver e produzir conhecimento artístico e estético.”

3. Projetos de Trabalho: Qual o Ganho Pedagógico do “Momento de Produzir” Conectado a Perguntas Disparadoras?

A aprendizagem torna-se mais significativa quando surge de uma inquietação real. Cada unidade da coleção organiza-se como um projeto de trabalho que parte de uma questão problematizadora e culmina na seção Momento de produzir.

A estrutura investigativa dos projetos desdobra-se nas seguintes etapas:

  1. Problematização: Uma pergunta disparadora motiva a pesquisa e a curiosidade.
  2. Investigação Prática: Pesquisa de referências, testes de materiais e exploração de linguagens.
  3. Compartilhamento: Exposição e diálogo sobre as criações com a comunidade escolar.

“Cada unidade da coleção parte de uma pergunta que desperta a curiosidade dos estudantes e orienta suas investigações, uma questão problematizadora. Ao chegar ao Momento de produzir, eles são convidados a responder a essa questão por meio de uma produção artística construída ao longo do percurso e dos estudos das linguagens artísticas.”

As autoras enfatizam que o envolvimento dos familiares e da comunidade escolar ao final do processo valida o esforço criativo das crianças e fortalece o papel social da escola.

Leia mais: O desenvolvimento da escrita nos anos iniciais: desafios e práticas

4. Abordagem em Espiral: Como Planejar a Progressão Conceitual da Teoria Artística para o Dia a Dia do Aluno?

Trabalhar conceitos visuais complexos — como o círculo cromático, relações de contraste ou composições de azulejaria — exige uma organização curricular contínua e sem saltos bruscos do 2º ao 5º ano.

A coleção utiliza o princípio da aprendizagem em espiral, retomando conceitos centrais em níveis progressivos de profundidade:

[Experimentação e mistura de cores] ➔ [Análise de harmonias e contrastes] ➔ [Aplicações complexas (ex: azulejaria)]

“A aprendizagem em espiral foi um princípio importante na organização da coleção. Os conceitos retornam ao longo dos anos, sempre com novos desafios e maior complexidade. Dessa forma, a teoria nasce da experimentação, da observação e da produção artística, permitindo que cada novo conceito seja compreendido a partir das experiências já vividas pelos estudantes.”

5. Arte e Interdisciplinaridade: De que Maneira a Arte Apoia a Alfabetização e o Letramento?

A Arte é uma linguagem fundamental para a leitura do mundo e dialoga diretamente com os processos de alfabetização e letramento nos Anos Iniciais. O boxe Assim também aprendo explicita essas conexões pedagógicas.

A integração entre Arte e Língua Portuguesa ocorre de forma orgânica:

  • Expressão Oral: Estímulo à argumentação e descrição de percepções visuais.
  • Vocabulário: Ampliação do repertório verbal por meio de termos do universo artístico.
  • Leitura Multimodal: Interpretação integrada de textos, imagens e símbolos.

“A Arte amplia as possibilidades de leitura do mundo. Ao observar imagens, interpretar produções artísticas, conversar sobre suas percepções e registrar descobertas, a criança desenvolve competências importantes para a alfabetização e o letramento. O boxe Assim também aprendo foi pensado justamente para tornar explícitas essas conexões.”

6. Arte para Todos: Como o Boxe “De Outras Formas” Concretiza a Educação Inclusiva na Prática Pedagógica?

Garantir o direito à educação estética significa reconhecer que cada criança possui tempos, estilos e modos de expressão singulares. O boxe De outras formas traz propostas adaptativas para acolher essa diversidade em sala de aula.

As estratégias de acessibilidade da obra preveem:

  • Caminhos alternativos para a manipulação de materiais e suportes.
  • Diversificação dos canais de expressão (gestual, sonoro, visual, tátil).
  • Respeito às ritmos e necessidades individuais de cada estudante.

“Acreditamos que não existe uma única forma de aprender nem de produzir Arte. O boxe De outras formas apresenta possibilidades de adaptação que respeitam diferentes ritmos, interesses, repertórios e necessidades dos estudantes. Assim, valorizamos processos criativos diversos, permitindo que cada criança encontre diferentes formas de expressão.”

Leia mais: Trilhas formativas para professores dos Anos Iniciais

7. Mapas Mentais e Metacognição: Como a Organização Visual Auxilia na Autonomia do Aprendiz?

Nos anos finais do ciclo (4º e 5º anos), o desenvolvimento da metacognição — a capacidade de refletir sobre o próprio aprendizado — torna-se essencial para a consolidação da autonomia dos alunos.

Leia mais: Participação política nos Anos Iniciais: a construção de pequenos cidadãos

A construção de mapas mentais ao término das unidades orienta a criança a sintetizar sua trajetória:

  • Mapeamento de relações entre artistas, técnicas e linguagens exploradas.
  • Reconhecimento das etapas do próprio processo criativo.
  • Identificação de conquistas, dúvidas e caminhos para novas criações.

“Os mapas mentais favorecem a organização das aprendizagens e ajudam a criança a perceber as relações entre conceitos, artistas, técnicas, materiais e processos criativos estudados ao longo da unidade. Mais do que revisar conteúdos, essa estratégia desenvolve metacognição, permitindo que o estudante reconheça o que aprendeu, identifique dúvidas e acompanhe sua própria evolução.”

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