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O Agente Secreto: imagens de um passado ainda presente

19 de fevereiro de 2026,
E-docente
O agente Secreto

Mesmo quem não acompanha de perto as novidades do cinema nacional ou não está muito familiarizado com a temporada de premiações internacionais para produções audiovisuais, com certeza já deve ter sido impactado pelo filme O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura. A produção tem rendido muita atenção e torcida do público brasileiro nas redes sociais devido ao grande desempenho da obra mundo afora.

Até o momento, o filme já ganhou 56 troféus em 36 premiações1, um feito notável que tem gerado muito orgulho para nosso país. Mas, afinal de contas, quais temas abordados por O Agente Secreto têm mobilizado tanto a atenção das pessoas? E como esses mesmos temas podem ser um ponto de partida para práticas pedagógicas verdadeiramente significativas em sala de aula? É o que veremos neste texto.

Quem é Kléber Mendonça Filho? A trajetória do diretor de O Agente Secreto

O primeiro movimento que precisamos fazer, antes de nos aprofundarmos nos temas de O Agente Secreto, é entender um pouco melhor quem é Kléber Mendonça Filho, cineasta pernambucano que há muitos anos vem apresentando obras provocadoras que nos levam a olhar a realidade brasileira a partir de ângulos pouco confortáveis, mas sempre bem instigantes. Nascido em 1968, em Recife, Mendonça Filho se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e, antes de dirigir filmes, atuou como crítico de cinema e programador.

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Seu nome começa a chamar a atenção a partir da produção de curtas-metragens em meados dos anos 2000, sendo algumas de suas primeiras obras os curtas Vinil verde (2004), Eletrodoméstica (2005) e Recife frio (2009). Partindo de seu primeiro curta, Vinil Verde, podemos já notar uma tendência ao fora do usual, a partir de uma narrativa cotidiana com um desenrolar cada vez mais absurdo.

Nessa trama de terror psicológico, temos uma mãe que presenteia uma filha com uma caixa de discos de vinil, permitindo que a menina os ouça com a condição de apenas não ouvir o disco verde. A menina desobedece e por causa disso sua mãe perde um braço.

A partir daí, a cada nova audição não autorizada novas situações surreais vão acontecendo.

Só essa breve descrição de seu primeiro curta-metragem já nos permite observar que estamos diante de um diretor pouco interessado em narrativas óbvias ou explicações fáceis, algo que notaremos muitas outras vezes em sua filmografia.

De O Som ao Redor a Bacurau: as tensões sociais no cinema de Pernambuco

Seguindo para os longas-metragens, podemos destacar O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016), Bacurau (2019) e, o mais recente, O Agente Secreto (2025). Em todos esses filmes percebemos, novamente, a presença de conflitos latentes que atravessam o cotidiano dos personagens e revelam tensões sociais mais amplas. A localidade em que essas histórias se desenvolvem também é algo difícil de ignorar, praticamente todas se passam em Pernambuco. No caso de Bacurau, temos povoado fictício, mas situado no sertão nordestino, o que mantém a coesão de produções ambientadas na região Nordeste do país.

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Aliás, para explorar, em sala de aula, a riqueza cultural pernambucana e de outros estados nordestinos, recomendamos que o docente consulte a publicação Meus Brasis – Região Nordeste: sequência didática para o Ensino Médio. O material apresenta uma abordagem interdisciplinar que valoriza a diversidade cultural, social e geográfica da região Nordeste, propondo atividades que articulam diferentes componentes curriculares e estimulam a reflexão crítica dos estudantes. Assim como notamos na obra de Kléber Mendonça Filho, as propostas pedagógicas de Meus Brasis nos convidam a olhar para o territorio nordestino não apenas como cenário, mas como elemento ativo na construção das relações sociais, políticas e culturais do nosso país.

É curioso notar, nas obras de Mendonça Filho, que mesmo com temas tão distintos, há um mesmo fio costurando suas produções, o que traz autenticidade para as obras desse autor. Seja no bairro de classe média de O Som ao Redor, em um edifício à beira-mar do Recife em Aquarius ou no sertão hostil de Bacurau, o que está em jogo são sempre disputas de poder, relações de dominação e formas de resistência. Algo que não seria diferente com o premiado O Agente Secreto.

Sinopse e análise: O Agente Secreto e o suspense na Ditadura Militar

Fonte: Divulgação

Apresentar a sinopse de O Agente Secreto é tarefa arriscada, pois esse é um filme que entrega bem aos poucos os elementos necessários para compreender sua narrativa. A trama é apresentada de maneira gradual, o que convida o espectador a observar atentamente gestos, silêncios e situações aparentemente banais de um momento histórico distante do nosso, mas, ao mesmo tempo, tão próximo em discursos e ações contemporâneas.

Embora muitas sinopses acabem antecipando informações sobre o protagonista que o filme revela apenas mais adiante, é possível afirmar, evitando spoilers, que a narrativa se passa no Recife de 1977 e acompanha Marcelo, um homem que parece fugir de uma situação indefinida e encontra refúgio em um conjunto habitacional.

Nesse espaço, ele passa a conviver com outras pessoas que, assim como ele, também aparentam carregar segredos, o que traz para o filme uma sensação de desconfiança e tensão constante. Por se situar, historicamente, no auge da ditadura militar, podemos antecipar que esse contexto não funciona apenas como pano de fundo da narrativa, mas como elemento central para a construção dos conflitos e das relações entre os personagens.

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A primeira cena de O Agente Secreto já sintetiza o suspense, a estranheza, a denúncia e, por que não, o humor involuntário que permearão as 2h40 dessa história. Nessa cena, o protagonista chega a um posto de gasolina de beira de estrada; enquanto enche o tanque do carro, observa o que parece ser um cadáver coberto com um pedaço de papelão.

O fato causa estranhamento imediato, mas é tratado com certa naturalidade pelo frentista, que diz já ter comunicado à polícia sobre o corpo, mas nada ainda ter sido feito, pois é época de carnaval. Em seguida, uma viatura policial chega e parece querer saber mais sobre o protagonista, enquanto o corpo continua ignorado. O diálogo entre Marcelo e os policiais é cercado de ambiguidades e respostas incompletas, intensificando a sensação de vigilância e ameaça.

Temos já, nesses poucos minutos de filme, uma síntese poderosa das principais questões que atravessarão toda a narrativa. A indiferença diante da morte, a inversão de prioridades das autoridades e o foco excessivo no controle do indivíduo revelam a lógica de um Estado que observa e intimida, mas falha em proteger. Situações, infelizmente, ainda bem presentes em muitos lugares de nosso país, em pleno século XXI.

Por que o cinema brasileiro ainda revisita o período da Ditadura?

Para além da consagração que O Agente Secreto vem alcançando, há um aspecto que merece atenção na reação de parte do público: as críticas à escolha de ambientar a narrativa durante a ditadura militar. Essa reação não é novidade; sempre que um filme é situado nesse período traumático da história do país, surge um grupo pequeno, porém ruidoso, que questiona a recorrência do tema no cinema brasileiro. No ano passado, o mesmo movimento foi observado em relação ao premiado Ainda estou aqui, de Walter Salles, protagonizado por Fernanda Torres, assim como já havia ocorrido anteriormente com Marighella, dirigido por Wagner Moura e estrelado por Seu Jorge.

A contradição desse tipo de crítica é rapidamente exposta e sua legitimidade logo é desmontada quando se observa que o mesmo rigor raramente é aplicado a produções estrangeiras que revisitam, reiteradas vezes, determinados momentos históricos, seja pela exaltação ou pela denúncia. Quantas vezes o cinema americano já não falou sobre a 2ª Guerra Mundial? E quantos filmes, seja direta ou indiretamente, já não abordaram, nas últimas décadas, o nazismo, o fascismo ou outras formas de autoritarismo na Europa?

Outra justificativa que desmonta a falácia da repetição temática sobre a ditadura militar no cinema brasileiro é que justamente os que mais criticam compõem um grupo ideológico que não quer esquecer daquele período, enaltecendo figuras associadas àquele regime, relativizando suas violências e minimizando seus impactos sociais2. Infelizmente, não é difícil encontrar, por mais incrível que pareça, cidadãos exigindo a volta da ditadura ou atestando que aquele momento nem foi tão grave assim.

Vale sempre lembrar que o cinema, assim como outras manifestações artísticas, não tem a função de só oferecer conforto, mas também de provocar reflexões e manter viva a memória coletiva. A recorrência da ditadura militar como tema, portanto, não indica esgotamento criativo, ao contrário, revela a necessidade de revisitarmos um passado cujas marcas ainda se fazem sentir no presente. Tudo isso dito, obras como O Agente Secreto são mais do que bem-vindas, são necessárias em um país que nem sempre sabe elaborar criticamente o seu passado recente.

Esse tema, aliás, atravessa o próprio filme, ao evidenciar nossa facilidade em esquecer, seja um parente, seja um fato histórico, conforme observamos nas imprevisíveis cenas finais do filme. O desafio de preservar a memória, tanto individual quanto coletiva, revela-se, assim, como um gesto fundamental de resistência, o que pode impedir que o silêncio e a distorção se imponham como versões legítimas do passado.

Guia Pedagógico: Projeto Interdisciplinar sobre o Brasil de 1977

Por ter sido lançado no final do ano passado, e devido ao sucesso nas premiações, até a expectativa de ganhar o Oscar, O Agente Secreto ainda está no circuito exibidor de cinemas pelo país, logo ainda não é possível assisti-lo em versão digital pelos streamings. Por esse motivo, a proposta de aula que iremos apresentar não exige a exibição do filme em sala, mas busca passear por temas que ele elabora.

Nossa sugestão é a realização de um projeto que passe pela pesquisa do contexto histórico do filme a partir de materiais e documentos daquele período. O que exatamente ocorria no Brasil no ano de 1977, quais eram as músicas de sucesso, o que era exibido na televisão, quais artistas eram destaque, qual era o contexto político, quais livros eram famosos, como era a moda, quais os costumes…Enfim, essa investigação inicial permite aos alunos estabelecer relações entre o passado e le presente, identificando permanências e rupturas nas dinâmicas políticas, sociais e culturais do país.

Entre as diversas fontes que podem ser consultadas, destacamos o uso da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, plataforma na qual o estudante pode consultar periódicos de diversos períodos e regiões do Brasil. A pesquisa nesse tipo de acervo possibilita que compreendam como os acontecimentos eram noticiados naquela época, quais discursos circulavam nos meios de comunicação e de que maneira a censura interferia na circulação de informações.

Cronologia e Contexto de 1977: Política, Cultura e Sociedade

Devido às diversas possibilidades de temas e recortes, indicamos alguns eventos que podem nortear as pesquisas, seja no campo da política, do comportamento ou da cultura brasileira do período. Em 1977:

  • Foi decretado pelo general Geisel o Pacote de Abril, conjunto de medidas autoritárias com o objetivo de conter o avanço da oposição. Entre as principais medidas, destaca-se o fechamento temporário do Congresso Nacional.
  • O divórcio passa a ser permitido no Brasil, com a promulgação da Lei nº 6.515, conhecida como a Lei do Divórcio.
  • Grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) lançam discos que até hoje são lembrados, como: Caetano Veloso (Bicho), Gilberto Gil (Refavela), Raul Seixas (O Dia em que a Terra Parou), Cartola (Verde que te Quero Rosa), Maria Bethânia (Pássaro da Manhã), além de Roberto Carlos, Tim Maia, Elis Regina, dentre outros.
  • Clarice Lispector falece em dezembro daquele ano e, meses antes, publica A hora da estrela.

Pode-se sugerir, também, que os alunos entrevistem familiares mais velhos, como os próprios avós, buscando informações de quem realmente viveu naquela época. Algumas perguntas que podem encaminhar essas entrevistas são: Como era a rotina na escola? Quais eram os meios de comunicação populares? Quais os principais interesses dos jovens? Como as pessoas se informavam sobre o que acontecia no país? Quais programas de televisão, músicas ou artistas eram mais famosos?

Essa ampla pesquisa pode ser organizada, em sala de aula, por grupos, de modo que cada grupo fique responsável por um aspecto daquele ano. Ao final, as pesquisas podem compor um mural a ser exposto em algum ponto estratégico da escola para que os estudantes observem como o Brasil de quase cinquenta anos atrás era, em alguns aspectos, tão distante, e, em outros, parece tão próximo.

Essa atividade, inclusive, pode ser realizada de modo interdisciplinar com a participação dos docentes de História, Língua Portuguesa, Artes e Sociologia, ampliando as possibilidades de análise e interpretação do período.

Como trabalhar roteiro de cinema e linguagem dramática em sala de aula

Saindo da contextualização histórica e indo para um diálogo mais direto com a produção cinematográfica, pode-se sugerir um estudo sobre o gênero roteiro de cinema. Tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio, é comum o trabalho com textos dramáticos, ou seja, textos voltados à encenação, como peças teatrais. O roteiro cinematográfico, embora compartilhe algumas características com o texto dramático, apresenta especificidades próprias. Nesse sentido, o estudo do roteiro permite aos alunos compreenderem melhor os processos de criação de um filme e as escolhas narrativas que antecedem a realização audiovisual.

Assim como fez com seus filmes anteriores, Kléber Mendonça Filho também publicou o roteiro de O Agente Secreto, material que pode ser de grande importância no trabalho em sala de aula. A leitura desse documento possibilita aos estudantes analisar a construção dos personagens, a organização das cenas, os diálogos e as indicações técnicas. Pode-se selecionar uma cena, como, por exemplo, a já mencionada cena inicial do filme, e fazer uma análise dos elementos presentes no roteiro, observando como o ambiente é descrito, quais informações são fornecidas ao leitor e de que maneira o clima narrativo é construído por meio da linguagem escrita.

Caso o docente julgue pertinente, pode-se sugerir que os estudantes, em grupo, elaborem uma pequena cena a ser encenada para o restante da turma. O tema pode ser livre, a única exigência é que a cena seja ambientada no ano de 1977. Essa atividade pode mobilizar toda a diversidade de conhecimentos que foram construídos ao longo do projeto, desde a pesquisa histórica até a compreensão da linguagem dramática.

Ao escrever e encenar uma cena ambientada em 1977, os alunos são convidados a articular informações sobre costumes, linguagem, relações sociais, contexto político e manifestações culturais do período, transformando dados históricos em narrativa.

Como pudemos ver ao longo de todo o texto, o cinema brasileiro, mesmo com todos os desafios, ainda nos surpreende pela sua capacidade de dialogar com questões centrais e urgentes da nossa história. Além do mais, quando dialogamos com tais produções em nossas práticas escolares, ampliamos as possibilidades de nossos alunos lerem e interpretarem seu contexto sócio-histórico, o que, sem dúvida, contribui diretamente para a formação de cidadãos e cidadãs com melhor consciência histórica sobre seu país.

Minibio do autor

Diego Domingues detém uma trajetória acadêmica de excelência, com doutorado em Linguística Aplicada e graduação em Letras, ambos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de mestrado em Educação pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro/Faculdade de Formação de Professores (UERJ/FFP). No presente, exerce a docência no Departamento de Português e Literaturas de Língua Portuguesa do Colégio Pedro II.

  1. Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/01/12/o-agente-secreto-acumula-56-trofeus-em-36-premiacoes-veja-a-lista-completa.ghtml Acesso em 17.01.2026 ↩︎
  2. Fonte: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2025/09/09/vereadora-de-sorocaba-e-denunciada-por-apologia-a-tortura.ghtml Acesso em 17.01.2026 ↩︎

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