1ª pauta formativa para reunião de professores

26 de janeiro, 2021 - Por e-docente

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Elaborar uma boa pauta de formação é uma das tarefas mais difíceis para todo coordenador pedagógico comprometido com a aprendizagem dos profissionais de seu grupo.

Breves considerações sobre pautas formativas para as reuniões de professores

Sabemos da importância do momento de planejamento para o processo pedagógico e, em especial, este ano, no qual ainda estamos em um contexto de pandemia, o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso e detalhado, para garantirmos a aprendizagem dos nossos alunos e um ano letivo tranquilo.

Por isso, publicaremos algumas sugestões de pautas de reuniões para que o planejamento de 2021 seja produtivo e, de fato, contribua com estudos essenciais para este ano tão atípico nas rotinas da escola, dos professores e dos estudantes.

Elaborar uma boa pauta de formação é uma das tarefas mais difíceis para todo coordenador pedagógico comprometido com a aprendizagem dos profissionais de seu grupo.

O que é pauta formativa?

Uma pauta de formação não é um roteiro convencional de reunião para tratar de um assunto x ou y, como ocorre quando o objetivo é somente comunicar algo a um grupo de pessoas. Uma pauta de formação é resultado de uma experiência refletida de planejamento para organizar uma sequência de propostas que seja potente para provocar uma experiência de aprendizagem no outro, em muitos outros. É um plano, fruto de um processo de planejamento.

Em uma pauta realmente formativa, a seleção e a sequência adequadas das propostas são essenciais. Planejá-la, nesse caso, implica refletir sobre o que ainda não aconteceu. Se Donald Schön – que organizou boa parte das ideias que hoje predominam sobre o profissional reflexivo – afirma que há a reflexão no momento da ação, a reflexão sobre a ação (já acontecida) e a reflexão sobre a própria reflexão, organizar uma pauta exige um exercício de imaginação, uma reflexão refinada sobre ações ainda por acontecer. Essa aparente impossibilidade torna-se, no entanto, possível porque, ao planejar o que está por vir, ativamos necessariamente o nosso repertório de experiências já vividas em situações similares – ainda mais se o planejamento for feito em parceria com outros profissionais.

A seguir, traremos a nossa primeira sugestão de pauta formativa. Bons estudos! Bom momento formativo! Bom encontro para todas e todos!

Proposta de pauta para a primeira reunião de planejamento com os professores

Tema: 

Ajustes Curriculares

Objetivo:

Ampliar a compreensão da natureza do currículo escolar, da importância de adequá-lo à realidade concreta vivida na escola e das aprendizagens prioritárias para o momento.

Encaminhamentos sugeridos:

1. Apresentar a proposta de pauta do dia e também os temas dos próximos encontros.

2. Ler, em voz alta, um texto literário para os professores, criando uma atmosfera leve, pertinente para começar o trabalho.

A sugestão é o texto “O incêndio de cada um”, de Affonso Romano de Sant’Anna.

→ Todo texto, quando a proposta é ler em voz alta, requer um preparo da leitura com antecedência, para que fique atraente e chame a atenção dos ouvintes. Nesse caso, em que o autor escreve o texto inteiro em um único parágrafo, esse cuidado é ainda mais importante, para não se perder na leitura.

3. Propor a leitura e discussão de dois textos sobre planejamento: “Planejar para quê?” e  “Como se planejar para o próximo ano letivo?” da forma que for considerada melhor, tendo em conta o perfil do grupo de professores.

4. Abordar a necessidade de um processo de reorganização curricular após o período de isolamento social, a partir de argumentos que contribuam para que os professores ampliem a compreensão a respeito:

→ Destacar alguns aspectos importantes a serem considerados para os necessários ajustes na proposta curricular da escola:

  • Toda proposta curricular pressupõe a definição de Por quê | O quê | Como | Quando Ensinar. Em outras palavras, isso significa Objetivos | Conteúdos | Propostas Metodológicas e Tempos do Ensino. Uma proposta curricular, de modo geral, aborda também essas quatro dimensões em relação à avaliação, mas no momento a prioridade é discutir ajustes no ensino.
  • Desde os Anos 1990, predomina uma abordagem em que os objetivos são indicadores de aprendizagem (e não de conteúdo, como eram antes), chamados por diferentes nomes: capacidades, competências, habilidades, objetivos de aprendizagem, direitos de aprendizagem, expectativas de aprendizagem, dentre outros. Nesse caso, o que menos importa é o nome, pois o que conta mesmo é a explicitação daquilo que se pretende que os alunos aprendam, que condicionará tudo o mais a ser proposto – por isso são os Porquês, são a razão de ser de todo o ensino.
  • Dessa perspectiva, “o que será ensinado”, isto é, o conteúdo, depende dos “porquês” em relação à aprendizagem e, da mesma forma, o “como”, isto é, a proposta metodológica (ou o tratamento didático) e o “quando” (em que tempo).
  • Se nossa hipótese é que, no período de isolamento, os alunos tiveram menos aprendizagens do que poderiam ter ao participar de aulas presenciais regulares nas escolas, o mais importante será avaliar suas aprendizagens para organizar as propostas de ensino. 

Observação: Outros argumentos, se necessário, podem ser encontrados neste subsídio, clicando aqui.

→ Comentar que os ajustes curriculares começam, portanto, com a definição das aprendizagens mais importantes a serem garantidas agora, considerando o que indicará esse processo de avaliação.

5. Propor que os professores se agrupem por ano de escolaridade ou por componente curricular, conforme o segmento em que trabalham, para discutir, definir e registrar, segundo o entendimento do grupo, quais devem ser essas aprendizagens principais, isto é, tudo o que é absolutamente imprescindível dos alunos aprenderem na escola em 2021.

→ Comentar que, diferente do que em geral ocorre, o encaminhamento é partir das ideias do grupo de professores sobre o que é prioritário, para somente depois complementar com o que preveem os subsídios curriculares.

6. Pedir para que, de maneira breve e sucinta, os grupos compartilhem as conclusões contidas em seus registros e, a partir do que forem apresentando, elaborar uma síntese que contribua para a próxima atividade.

7. Propor a discussão de alguns pontos considerados necessários, a partir do que foi socializado, fazendo os acréscimos que julgar pertinentes.

→ Destacar que a abordagem do tema desse encontro prosseguirá no próximo, quando a proposta será comparar as conclusões do grupo com as proposições das 10 Competências Gerais da BNCC – Base Nacional Comum Curricular.

8. Finalizar essa parte do encontro com uma fala de síntese dos tópicos considerados mais relevantes nas discussões do dia e comunicar informações que dizem respeito aos encaminhamentos do período de planejamento, caso isso não tenha sido feito de início.

Rosaura Soligo

Possui formação em Psicologia e Pedagogia, mestrado e doutorado em Educação, integrou a equipe nacional do PROFA – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores e atualmente coordena grupos de formação independentes e presta assessoria a instituições educativas públicas e privadas.

Site: https://rosaurasoligositeoficial.wordpress.com/

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