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O Sol da Liberdade – Giselda Laporta Nicolelis | PNLD
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O Sol da Liberdade – Giselda Laporta Nicolelis | PNLD Literário Equidade Ensino Médio

O Sol da Liberdade, de Giselda Laporta Nicolelis, com ilustrações de Mozart Couto, é um romance histórico infantojuvenil publicado pela Editora Joaquim. A obra integra o catálogo do PNLD Literário Equidade – Ensino Médio e reconstrói, por meio da saga de uma família negra ao longo de sete gerações, 160 anos da história do Brasil: da África de 1825 à Revolta dos Malês, passando pela abolição, pela imigração interna rumo às fazendas de café e culminando em São Paulo de 1985.

Sinopse

A história começa na África, em 1825, quando o jovem príncipe ioruba Ajahi, filho do rei Namonim, é capturado após a derrota de seu povo em batalha e vendido a traficantes de pessoas escravizadas. Trazido para o Brasil, Ajahi jura nunca se submeter à escravidão e, anos depois, já liberto e conhecido como Jorge, torna-se uma das lideranças da Revolta dos Malês, o levante de escravizados muçulmanos ocorrido em Salvador em 1835.

A partir desse ponto de virada, o romance acompanha os descendentes de Ajahi ao longo de gerações, atravessando episódios centrais da história brasileira: a vida em quilombos, a Lei Áurea e o dia seguinte à abolição, o deslocamento de famílias negras para fazendas de café no interior paulista no início do século XX e, mais adiante, a participação de descendentes na Segunda Guerra Mundial, na Força Expedicionária Brasileira. O enredo desemboca em São Paulo, em 1985, quando a oitava geração da família testemunha um momento simbólico da redemocratização do país, fechando um ciclo de 160 anos entre a liberdade perdida na África e a liberdade reconquistada no Brasil.

Sobre a obra

Ficha técnica

Título O Sol da Liberdade
Autora Giselda Laporta Nicolelis
Ilustrações Mozart Couto (capa e miolo)
Editora Joaquim (Editora Joaquim Ltda.)
Edição 1ª edição, 2025
ISBN 978-65-8960-626-0
Gênero Literatura infantojuvenil brasileira / romance histórico
Dedicatória À memória do sociólogo Clóvis Moura

Estrutura do livro

A obra está dividida em duas partes, que acompanham a linha do tempo da família protagonista:

Primeira parte — 1825 a 1905: África — 1825; Ação; Delação; Ação/Repressão; Ainda resta uma esperança; A família se desloca; A fazenda; Quilombos; Uma grande amizade; O treze de maio; O novo eldorado; Novos rumos; Uma nação branca?; Mudanças; 1905... Fazenda Santa Rita: Ribeirão Preto.

Segunda parte — 1905 a 1985: Oitenta anos depois...; A história para trás...; A saga de um rei; Voluntários...; Lembranças da guerra; O fim da guerra; A oitava geração.

Ao final, o livro ainda traz um texto autobiográfico ("A autora") e uma entrevista com Giselda Laporta Nicolelis sobre o processo de criação da obra.

Enredo em detalhes

Primeira parte — da África à virada do século (1825-1905)

O romance abre na África, mostrando a captura de Ajahi e sua travessia no navio negreiro até o Brasil. Já em Salvador, o enredo acompanha sua trajetória como liberto e sua participação na articulação da Revolta dos Malês de 1835, ao lado de outras personagens libertas e escravizadas que se reúnem clandestinamente para planejar o levante. A narrativa segue então pelas décadas seguintes, mostrando a vida em quilombos, o cotidiano em fazendas, os laços de amizade entre personagens de origens diferentes e o impacto da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio, sobre a vida da população negra recém-liberta — incluindo as dificuldades de inclusão social no período pós-abolição. A primeira parte se encerra em 1905, com a família já radicada na Fazenda Santa Rita, em Ribeirão Preto.

Segunda parte — de Ribeirão Preto a São Paulo (1905-1985)

Oitenta anos depois, a narrativa retoma a saga familiar, revisitando sua história ("A história para trás...") e a lembrança do antigo "rei" ioruba que deu origem à linhagem ("A saga de um rei"). O livro acompanha então descendentes da família como voluntários na Segunda Guerra Mundial, narrando lembranças da guerra e seu desfecho. A obra termina com a oitava geração da família, em São Paulo, em 1985, em uma cena que une o desfecho pessoal da família ao momento histórico da redemocratização brasileira, retomando o símbolo do sol da liberdade presente no Hino Nacional.

Personagens principais

  • Ajahi (Jorge): príncipe ioruba, filho do rei Namonim; capturado na África, torna-se, no Brasil, uma das lideranças da Revolta dos Malês.
  • Namonim: rei ioruba, pai de Ajahi, morto em batalha antes do embarque do filho para o Brasil.
  • Domingos e Rosa: casal de libertos em Salvador, cuja casa serve de ponto de articulação para a revolta.
  • José, Pedro, Sanim, Helena e Gonçalo: libertos e escravizados de ganho que participam da organização do levante, cada um com um ofício e um papel na trama.
  • Elisângela: descendente da família na geração de 1985, presente na cena final da obra.

Contexto histórico retratado

A Revolta dos Malês

A obra dramatiza a Revolta dos Malês, levante de escravizados e libertos muçulmanos de etnia ioruba ocorrido em Salvador em 1835, considerado pela autora como um episódio único no Brasil e no Novo Mundo por ter sido uma revolução urbana, diferentemente dos quilombos, de caráter rural. A autora relata que a obra nasceu a partir da leitura de um artigo do historiador Décio de Freitas sobre o sesquicentenário da revolta, e que contou com a consultoria do sociólogo Clóvis Moura, a quem o livro é dedicado.

A Força Expedicionária Brasileira

Na segunda parte, a narrativa aborda a participação de descendentes da família na Segunda Guerra Mundial. Segundo a autora, a pesquisa para essa parte contou com o apoio da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil (Força Expedicionária Brasileira), incluindo o uso de diários de guerra de dois sargentos que serviram no conflito.

Sobre a autora

Giselda Laporta Nicolelis nasceu em 27 de outubro de 1938, em São Paulo, em uma família de professores. Segundo relato da própria autora, o interesse por recontar a História por meio da ficção nasceu da convivência com uma coleção de livros de História do Brasil reunida por sua mãe. Ela afirma ter escrito O Sol da Liberdade para reafirmar a importância da população negra na formação do povo brasileiro, citando dados sobre o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas e sobre a atual composição da população brasileira segundo o IBGE.

Processo de criação e pesquisa

Em entrevista incluída no livro, a autora conta que seu processo criativo costuma começar pela escolha de um tema que a comova, seguida de pesquisa em livros específicos e, quando necessário, entrevistas com especialistas. No caso de O Sol da Liberdade, ela relata ter se inspirado no romance Raízes, do escritor Alex Haley, para construir a estrutura de saga familiar em várias gerações, e destaca que os arquivos brasileiros sobre a escravidão foram destruídos por sugestão do jurista Rui Barbosa, o que a levou a recorrer a documentos esparsos e a licenças ficcionais para preencher lacunas históricas.

Por que ler O Sol da Liberdade no Ensino Médio

Ao unir pesquisa histórica e narrativa ficcional, o livro convida estudantes a refletir sobre a formação étnica e cultural do Brasil, a história da escravidão e da resistência negra, episódios pouco conhecidos como a Revolta dos Malês, e os desdobramentos da discriminação racial no país mesmo após a abolição — temas discutidos pela própria autora na entrevista presente na obra.

Perguntas frequentes (FAQ)

O livro foi escrito por Giselda Laporta Nicolelis, com ilustrações de Mozart Couto, e publicado pela Editora Joaquim em 2025.