Menu

O diálogo necessário entre Geografia e História

25 de fevereiro de 2021,
E-docente

O olhar disciplinar para o trabalho escolar pode ser um entrave para o estabelecimento de um diálogo consistente entre a Geografia e História. Como conseguir esse feito se até alguns documentos oficiais não apresentam muita “convicção” sobre o trabalho com áreas do conhecimento?

Até muito pouco tempo, nas práticas escolares, a Geografia e a História eram tidas como “concorrentes”. Havia uma disputa velada pela importância de uma ou outra, pela carga horária etc. Infelizmente, ainda temos resquícios dessa disputa descabida.

Não é incomum documentos oficiais apresentarem vestígios dessa ausência de diálogo e, também, não é incomum professores de uma mesma área do conhecimento não estarem em constante busca de um trabalho integrado.

Até mesmo na BNCC podemos perceber que os dois componentes pouco dialogam, um prejuízo para todos. Mas, como a base só “baseia” e somos nós professores autores dos nossos trabalhos, precisamos e devemos superar isso em nome de uma formação integral e consistente de nossos alunos e alunas. E como fazê-lo?

Compreensão do conhecimento

O primeiro passo é superarmos a visão disciplinar e começarmos a buscar a compreensão sobre a concepção de área do conhecimento.

A área da Ciências Humanas é constituída de diversos componentes curriculares e podemos dizer, de forma breve, que está voltada para o estudo do ser humano como um ser social, no tempo e no espaço, e a partir dessa ideia já temos uma relação sólida entre a História e a Geografia. 

O segundo passo, e quem sabe um dos fundamentais, é ter clareza sobre o objeto de estudo de cada um dos componentes curriculares.

Assim, um trabalho que pretende estabelecer um diálogo entre a História e a Geografia terá a garantia da essência de cada um dos componentes. Para a busca de um trabalho com esse tom sugiro a leitura da BNCC, buscando as relações entre a História e a Geografia e as possibilidades de aproximação entre esses dois componentes curriculares. Vamos iniciar esse exercício. 

Leia também: Habilidades e ferramentas para realizar um projeto integrador

BNCC: A geografia para a história

A BNCC, quanto ao trabalho da Geografia, mostra que devemos buscar o raciocínio espaço-temporal, entendendo que o ser humano cria e se apropria do espaço em determinada circunstância histórica. Ressalta, ainda, que a identificação desse processo se torna fundamental para a compreensão, interpretação e avaliação tanto do passado como do presente.

Ora, aqui a História está presente, basta dar luz a ela. O estudo da construção de um espaço e sua ocupação humana será muito enriquecido se a História desse processo for estudada também. Um exemplo, a Geografia poderá abordar as características da Mata Atlântica, sua importância para o espaço que ocupa, as ameaças que sofre e as consequências com sua derrubada.

Mas é inegável que se explorarmos também a história dessa destruição nossos alunos e alunas terão mais um olhar para um mesmo objeto de estudo.  

BNCC: a história para a geografia

Já a História é apresentada na BNCC, como o estudo do homem e da sua ação no tempo – diferentemente da Geografia, o documento não usa a expressão ser humano.

Para esse estudo, é preciso investigar com o intuito de identificar, analisar e compreender diferentes objetos, lugares, circunstâncias, temporalidades, movimentos de pessoas, coisas e saberes.

Todo esse trabalho sem nunca perder de vista que o conhecimento histórico produzido é um conhecimento e não o conhecimento.

E onde está o diálogo com a Geografia? Ora, esse ser humano produtor de história está em um espaço criado por ele em determinada circunstância histórica.

Como compreender a chegada dos europeus nas américas sem conhecimento cartográfico? E compreender a organização brasileira em grandes propriedades e as consequências desse fato sem a Geografia e a História? Analisar a forma das fronteiras dos países africanos sem o conhecimento histórico e geográfico?

As competências da BNCC para a História e a Geografia

Sobre as competências apresentadas na BNCC pelos dois componentes, é possível encontrarmos aspectos importantes em comum, o que pode facilitar e nortear um trabalho a partir da área e não mais a partir da disciplina. Vejamos um exemplo:

Geografia- Competência 2 Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história.
História – Competência 2 Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.


Quais trabalhos podemos propor a partir dessas duas competências? Como dialogam? De que maneira os estudos de nossos alunos e alunas será aprofundado a partir de uma abordagem como essa, considerando a relação entre essas duas competências? Como essas competências se relacionam com as competências gerais da área? 

O desafio não é pequeno, mas necessário. Bom trabalho!


Sugestão de leitura:

Base Nacional Comum Curricular – Educação é a Base – Acesso em: 17 de out de 2020.

Mariângela Bueno

Graduada em História e Pedagogia, desenvolve trabalhos de formação de professores em redes públicas e privadas na área das Ciências Humanas e Sociais. Há três anos, é selecionadora do Prêmio Educador Nota 10 no Ensino Médio em História, Sociologia e Filosofia.

Crie sua conta e desbloqueie materiais exclusivos

Complete o cadastro para receber seu e-book
Já possui uma conta?Acessar conta
ACREALAGOASAMAPÁAMAZONASBAHIACEARÁDISTRITO FEDERALESPÍRITO SANTOGOIÁSMARANHÃOMATO GROSSOMATO GROSSO DO SULMINAS GERAISPARÁPARAÍBAPARANÁPERNAMBUCOPIAUÍRIO DE JANEIRORIO GRANDE DO NORTERIO GRANDE DO SULRONDÔNIARORAIMASANTA CATARINASÃO PAULOSERGIPETOCANTINSACREALAGOASAMAPÁAMAZONASBAHIACEARÁDISTRITO FEDERALESPÍRITO SANTOGOIÁSMARANHÃOMATO GROSSOMATO GROSSO DO SULMINAS GERAISPARÁPARAÍBAPARANÁPERNAMBUCOPIAUÍRIO DE JANEIRORIO GRANDE DO NORTERIO GRANDE DO SULRONDÔNIARORAIMASANTA CATARINASÃO PAULOSERGIPETOCANTINS

Veja mais

Criação de bibliotecas comunitárias: um caminho para a cidadania e a mudança social
13 de fevereiro de 2026

Criação de bibliotecas comunitárias: um caminho para a cidadania e a mudança social

As bibliotecas são uma das dobradiças simbólicas que unem a cidade e os cidadãos, seu presente e os significados de...
A importância do convívio e da amizade na escola
12 de fevereiro de 2026

A importância do convívio e da amizade na escola

Por que a convivência e a amizade importam tanto na escola, e por que falamos tão pouco sobre isso? Talvez...
Quando quase não há tecnologia: como usar a inteligência artificial de forma simples, ética e acessível na escola pública
11 de fevereiro de 2026

Quando quase não há tecnologia: como usar a inteligência artificial de forma simples, ética e acessível na escola pública

Sem computadores, sem internet estável, com poucos recursos… o que fazer quando o futuro bate à nossa porta, mas a...
Articular práticas escolares e sociais: o desafio didático-pedagógico de formar cidadãos
10 de fevereiro de 2026

Articular práticas escolares e sociais: o desafio didático-pedagógico de formar cidadãos

Em casa, na rua, no parque, no shopping ou na feira, as crianças estão em contato permanente com o mundo...
Mulheres na Ciência: 10 cientistas que os estudantes precisam conhecer
9 de fevereiro de 2026

Mulheres na Ciência: 10 cientistas que os estudantes precisam conhecer

Um jaleco branco, óculos de proteção, cabelos arrepiados, mãos ocupadas com frascos de líquidos brilhantes e potencialmente explosivos, cálculos matemáticos...