O uso dos jogos cooperativos no ensino

12 de novembro, 2019 - Por e-docente

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A ideia de jogar um jogo pressupõe uma competição que resultará em um vencedor. Jogos em grupo, entretanto, funcionam com base no coletivo: são os esforços da equipe e do trabalho em grupo que levam à vitória. 

No ambiente escolar, as brincadeiras e atividades lúdicas podem ser ressignificadas dessa forma, priorizando a interação entre o grupo e não apenas o resultado final. São os chamados jogos cooperativos, que têm finalidades pedagógicas específicas e fácil aplicação na escola entre alunos de todas as idades. 

O que é um jogo cooperativo 

Os jogos cooperativos são as dinâmicas de grupo que promovem, como o nome diz, a cooperação, o espírito de equipe e a ajuda mútua entre os integrantes dos times. O intuito é ajudar a criar cultura de parceria, em que as pessoas não participam para ganhar, mas sim por todo o processo que leva à meta comum. 

Esses jogos no cotidiano pedagógico podem desenvolver uma série de habilidades cognitivas e principalmente socioemocionais nos alunos. 

O intuito é fazer com que os colegas se vejam como aliados, não adversários, e que o papel de todos é essencial para a vitória. Nesse sentido, muitos dos jogos cooperativos sequer têm como resultado final uma pessoa ou equipe vencedora. É comum que apenas o processo do jogo seja o foco. 

Assim, essas atividades servem para promover a empatia, paciência, criatividade e confiança, não só nos colegas como também nos professores. Brincadeiras e atividades lúdicas desse tipo também ajudam a integrar alunos mais tímidos, e o fato de não haver vencedor (ou esse título não ter tanta importância) serve como estímulo para que todos participem e continuem participando nos próximos. 

Exemplos de jogos cooperativos para a prática pedagógica 

A seguir, confira seis jogos que podem ser facilmente inseridos no processo de ensino-aprendizagem. 

1) Passar o bambolê 

As crianças dão as mãos e se unem em roda, sendo que uma delas está com um bambolê. O desafio do jogo é passar o bambolê para os colegas sem soltar as mãos, usando outros movimentos do corpo. Essa brincadeira pode estimular a coordenação motora, a concentração e a habilidade de pensar em novas maneiras simples de resolução de problemas. 

2) Telefone sem fio 

Nessa atividade, as crianças sentam-se em roda ou formam uma fileira. A primeira criança deverá dizer uma frase no ouvido da que está ao seu lado. Cada criança vai repetir a mesma frase no ouvido da próxima até chegar à última, que falará em voz alta o que ouviu. A graça da brincadeira é perceber como a frase ficou diferente da que era originalmente, o que trabalha a concentração, a memória e a criatividade. 

3) Nó humano 

No nó humano, os alunos devem dar as mãos para os colegas, entrelaçando os dedos. Entretanto, há algumas regras: o aluno não pode dar a mão para o que está ao seu lado, e também não pode segurar as duas mãos do mesmo colega. A brincadeira chega ao fim quando todos os alunos formam um círculo, sem soltar as mãos. Apesar de um pouco complicado de ser feito, esse jogo obriga os estudantes a cooperarem entre si e a coordenarem de forma espontânea o espaço físico. 

4) Contação de história coletiva 

Bem apropriada para todas as idades (não apenas para crianças menores), a contação de história coletiva funciona da seguinte maneira: os estudantes sentam-se em roda ou de uma forma em que todos consigam se ver. O professor começa a contar uma história com início simples, como “era uma vez, em um reino distante…”. A tarefa das crianças será continuar a história, cada um por vez. A turma pode decidir um limite de palavras ou de tempo para cada um contar o seu trecho da história. Essa atividade faz com que a construção da narrativa seja feita coletivamente, desenvolvendo a criatividade, a imaginação e a habilidade de improvisar. 

5) Cabo de guerra 

No cabo de guerra, dois grupos com o mesmo número de crianças ficam alinhados ao longo de uma corda, cada grupo em uma extremidade. No meio da corda, há uma linha central que divide o espaço para cada um. Os grupos devem então puxar a corda, cada um para o seu próprio lado, e o objetivo é fazer o outro grupo ultrapassar a linha central. Nessa brincadeira, para um time ser vencedor, o esforço físico de todo o grupo é necessário. Entre as habilidades desenvolvidas, estão a força e a rapidez de movimento e a cooperação entre os participantes. 

6) Vaqueiro laçador 

Em uma quadra ou espaço aberto, as crianças devem se espalhar. O professor pode escolher um dos alunos para ser o Vaqueiro, que deverá andar com um bambolê na cintura (simulando um cavalo) e outro no braço (simulando uma corda), indo atrás dos colegas para tentar “laçá-los”. As crianças que forem laçadas deverão pegar mais dois bambolês e fazer o mesmo que o primeiro Vaqueiro, ajudando-o a capturar o restante dos colegas. Essa atividade trabalha a concentração, a coordenação motora e o trabalho em equipe, principalmente dos Vaqueiros. 

Os jogos cooperativos nem sempre serão totalmente adequados a depender da intenção do professor com aquela atividade. Cada um trabalha aspectos diferentes, podendo ser mais ou menos ativos, e mais ou menos apropriados às turmas mais velhas ou mais novas. Cabe ao educador definir com precisão qual será a necessidade pedagógica que ele deve atender. 

A importância dos jogos cooperativos 

Os jogos cooperativos, assim como outras atividades relacionadas à educação socioemocional, estão pautados no aprendizado através de um desenvolvimento motor-lógico. Os princípios pedagógicos dos jogos cooperativos são de inclusão, coletividade, respeito mútuo e desenvolvimento integral.  

Acima de tudo, os jogos cooperativos representam uma retomada de contato entre pessoa, natureza e espaço, explorando todos os sentidos e estimulando a afetividade. É uma das iniciativas da educação biocêntrica, forma de educar que está centrada na valorização da diversidade humana, da inteligência emocional, da criatividade e do movimento físico. 

Conclusão 

Não são todas as instituições que dão a importância merecida para os jogos cooperativos. Muitos enxergam como perda de tempo, já que o ganho cognitivo não é necessariamente o fator mais importante. Entretanto, os benefícios das brincadeiras e atividades são amplos justamente por oferecerem o suporte necessário para o desenvolvimento de todas as outras habilidades, tanto socioemocionais quanto cognitivas. Apostar nos jogos cooperativos é apostar em uma educação mais humana, mais inclusiva e integral. 

Assim, a realização de jogos e brincadeiras, quando bem fundamentadas, pode representar uma ótima forma de levar a Base Nacional Curricular para dentro da escola. Quer ver outras formas de implementar a BNCC na instituição? Baixe o e-book gratuito e confira algumas práticas!

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