Como se planejar para o próximo ano letivo?

14 de janeiro, 2021 - Por e-docente

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Em 2020, mesmo agindo na surpresa e na incerteza, soubemos encontrar caminhos para enfrentar a fera invisível que chegou sorrateira, sem que pudéssemos nos preparar. Professoras/es e as enfermeiras/os, duas das maiores categorias profissionais do país, ambas dedicadas ao cuidado – uma com a educação e outra com a saúde – protagonizaram a cena bravamente e fizeram história. E será preciso prosseguir assim.

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O fato é que estamos sempre a dizer que o tempo didático real é muito curto para tudo o que deve ser ensinado na escola. É verdade. Por isso, mais do que nunca, depois de meses de isolamento social, será preciso utilizá-lo da melhor maneira possível, para que os alunos tenham as experiências de aprendizagem que forem mais relevantes nesse momento.

E, como sabemos, a ação pedagógica só é verdadeiramente pedagógica se for ‘ajustada’ aos nossos alunos reais: às suas possibilidades e necessidades de aprendizagem, ao seu repertório de conhecimentos prévios, às suas ideias sobre o que desejamos ensinar, às suas estratégias pessoais para resolver os problemas colocados pelas atividades propostas.

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Como se planejar para o próximo ano letivo?

Pontos a se considerar quando fizer um planejamento escolar

É preciso, portanto, redimensionar o tempo didático para planejar ações ajustadas ao contexto, tendo alguns pressupostos em perspectiva:

  • Não existe aprendizagem perdida. Se os nossos alunos não tiveram acesso ao ensino projetado para 2020, é responsabilidade da escola não só encontrar a melhor forma de reparar esse prejuízo, mas também garantir que compartilhem os aprendizados conquistados enquanto estiveram em casa. Esse contexto inusitado do confinamento certamente ensinou muito a todos.
  • Não é razoável que a avaliação do conhecimento dos alunos, necessária para o planejamento, tenha como parâmetro as expectativas de aprendizagem projetadas para 2020, em condições regulares, com o ensino presencial. E não podemos perder de vista que, em qualquer circunstância, a avaliação da aprendizagem só poderá ser justa se tiver como parâmetro a combinação de três critérios: o aluno em relação ao que se esperava que aprendesse (as expectativas de alcance projetadas), o aluno em relação a ele mesmo (o processo pessoal de construção de conhecimento que lhe foi possível) e o aluno em relação aos demais colegas que passaram pela mesma situação que ele (comparação que permite entender melhor as razões do seu desempenho e se precisará de apoio pedagógico).
  • Os ajustes curriculares serão necessários, com certeza, e já que teremos de fazê-los, é fundamental que se orientem pelo que indica a Constituição Federal de 1988, há mais de 30 anos: é função da escola oferecer educação capaz de garantir o pleno desenvolvimento dos alunos como pessoas, isto é, a sua formação integral e o exercício da cidadania.
  • Não se garante esse tipo de educação ensinando apenas os conteúdos conceituais clássicos das disciplinas do currículo. Tal como recomenda o documento da Unesco que apontou os Quatro Pilares da Educação para o Século XXI (o chamado Relatório Delors), é imprescindível que os alunos aprendam não só a conhecer, mas também a fazer, a conviver e a ser pessoas cada vez melhores.
  • Se os recursos tecnológicos foram utilizados emergencialmente para a comunicação a distância com quem a eles teve acesso, agora será preciso colocá-los a serviço do principal: ampliar as possibilidades de aprendizagem de todos, em especial de quem não teve oportunidade de desfrutar dessas ferramentas no período de distanciamento social.
  • O diálogo com as famílias sobre a educação escolar adequada a crianças, adolescentes e jovens nestes tempos em que vivemos é não só imprescindível, mas estratégico: se a escola não assumir a responsabilidade desse diálogo, elas não terão como mudar por si mesmas as suas concepções e, consequentemente, as suas expectativas. Agora que as circunstâncias nos aproximaram mais das famílias, podemos aproveitar essa conquista para refletirmos juntos sobre qual é, afinal, a boa escola para os seus filhos, nossos alunos.
  • Todo aluno mora dentro de uma pessoa, todo professor mora também. E só essa consciência amorosa será capaz de melhorar a escola.

Essas convicções serão aliadas valiosas para podemos planejar a educação escolar que, agora mais do que nunca, os meninos e as meninas do nosso país precisam e merecem.  

Rosaura Soligo

Possui formação em Psicologia e Pedagogia, mestrado e doutorado em Educação, integrou a equipe nacional do PROFA – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores e atualmente coordena grupos de formação independentes e presta assessoria a instituições educativas públicas e privadas.

Site: https://rosaurasoligositeoficial.wordpress.com/

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