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Tomada de decisão baseada em dados: pelo fim do “achismo” na gestão pública educacional 

25 de junho de 2026,
Tomada de decisão baseada em dados

Tomar decisões que de fato impactam positivamente o processo de aprendizagem dos estudantes é um dos grandes desafios da gestão educacional moderna. Isso acontece porque durante muito tempo muitas escolhas foram feitas com base no “achismo”, ou seja, em experiências pessoais, percepções ou tradições institucionais, não sendo uma tomada de decisão baseada em dados.  

No entanto, é importante fazer uso de informações concretas para orientar políticas, programas e práticas pedagógicas. Isso é fundamental na gestão pública educacional. Para uma tomada de decisão baseada em dados, basta analisar alguns indicadores, incluindo os de aprendizagem, frequência, avaliação e contexto escolar. Dessa forma, é possível planejar ações mais eficientes, transparentes e estratégicas. 

O que significa tomar decisões baseadas em dados na educação? 

Para tomar uma decisão baseada em dados, o primeiro passo é coletar as informações pertinentes. Depois, é necessário analisar e interpretar o que foi coletado para, assim, propor políticas e ações envolvendo a gestão pública educacional. Em resumo, isso quer dizer que os gestores deixam de agir por intuição e passam a se basear em dados para saber que rumo seguir. 

Se você quer colocar isso em prática, comece respondendo às seguintes perguntas: 

  • Onde estão atualmente os maiores desafios de aprendizagem? 
  • Quais escolas precisam de maior apoio no momento? 
  • Quais políticas estão funcionando e quais precisam ser ajustadas? 

Depois disso, é o momento de verificar se suas impressões estão corretas. É justamente nesse momento que os dados entram em ação. No âmbito educacional, os seguintes levantamentos podem ajudar: 

  • Resultados de avaliações externas e internas; 
  • Taxas de aprovação, reprovação e evasão; 
  • Frequência dos estudantes; 
  • Indicadores socioeconômicos; 
  • Participação em atividades escolares. 

Ao levantar esses dados, fica mais fácil compreender a realidade das escolas e dos estudantes. Com isso, a tomada de decisões vai se tornar mais efetiva. 

Por que o “achismo” é um problema na gestão educacional? 

Se as decisões são tomadas com base no “achismo” e nas percepções pessoais, muitos riscos são assumidos. Saiba quais são os principais: 

1. Falta de precisão: Os gestores podem ter uma ideia vaga de determinada situação e, com isso, superestimar ou subestimar problemas educacionais. Isso acontece, pois não há dados concretos que corroborem o que eles acham; 

Leia mais: Como é calculada a nota do Ideb? Guia prático para professores de Ensino Fundamental 

2. Uso ineficiente de recursos: Um dos maiores desafios da gestão pública educacional é a questão financeira. Por isso, é fundamental entender a realidade das escolas e a necessidade de investimentos em infraestrutura, programas e projetos;  

3. Dificuldade para avaliar políticas públicas: Sem indicadores, fica muito mais complicado compreender se uma ação que foi tomada realmente melhorou o processo de aprendizagem dos estudantes; 

4. Decisões desiguais: A falta de dados também pode impactar o desenvolvimento de políticas públicas, pois as decisões podem acabar desconsiderando diferenças entre territórios, escolas e contextos sociais. 

Dessa forma, a análise de dados ajuda a substituir opiniões isoladas por evidências mais claras, que podem e devem ser analisadas coletivamente. 

Exemplos de decisões educacionais baseadas em dados 

Deu para perceber que a análise de dados orienta de forma mais precisa a gestão pública educacional. Para elucidar ainda mais, veja alguns exemplos: 

Planejamento pedagógico 

Imagine que, após um levantamento, a gestão identifique que, em determinadas escolas, há baixos resultados em relação ao desenvolvimento de leitura. Com base nesses dados, a secretaria pode: 

  • Investir em formação docente em alfabetização; 
  • Ampliar os programas de leitura, como biblioteca circulante; 
  • Oferecer materiais pedagógicos específicos que ajudem no desenvolvimento dos estudantes. 

Combate à evasão escolar 

Considere agora que os dados indicaram um considerável aumento da evasão em determinado território. Nesse caso, a gestão pode: 

  • Implementar programas de busca ativa; 
  • Fortalecer parcerias com a assistência social do bairro para entender os motivos; 
  • Criar estratégias de acompanhamento para atrair e motivar os estudantes novamente. 

Distribuição de recursos 

O levantamento de dados também pode ajudar a identificar quais escolas necessitam de maior apoio; assim, é possível: 

  • Distribuir mais materiais didáticos; 
  • Elaborar novos programas pedagógicos; 
  • Fazer investimentos em infraestrutura. 

O papel das avaliações educacionais 

Para uma análise mais precisa, é importante avaliar fontes internas e externas. Na gestão educacional, entre os principais indicadores estão as notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a partir das quais se calcula o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

Leia mais: Ideb por escola: como é calculada a nota

Ambos são relevantes, pois permitem acompanhar a evolução da aprendizagem ao longo dos anos, identificar quais são as desigualdades educacionais da região e monitorar políticas públicas educacionais. Se forem analisados cautelosamente, os dados vão ajudar a orientar políticas educacionais mais eficazes. 

Como construir uma cultura de dados na Secretaria de Educação? 

É importante ter em mente, para que essa nova forma de tomar decisões funcione, é necessário que todos estejam dispostos a deixar os “achismos” de lado. Para facilitar o processo de transição, existem algumas estratégias, como investir em formações que capacitem profissionais a interpretar indicadores educacionais e desenvolver habilidades de análise de dados. 

Além disso, busque plataformas digitais que ajudem a consolidar os indicadores das escolas para monitorar resultados em tempo real. Outra ação importante é compartilhar informações com diretores e professores, incentivando-os a usar os dados para propor intervenções pedagógicas. 

Leia mais: 5 Ações para Melhorar o Desempenho dos Alunos no IDEB

Com o tempo, todos irão sentir que as decisões tomadas com base em dados são mais eficazes, pois elas proporcionam maior eficiência na aplicação de recursos públicos, na criação de políticas educacionais bem direcionadas, na identificação rápida de problemas e ainda tornam a gestão pública mais transparente.  

A tomada de decisão baseada em dados promove um impacto positivo na gestão pública educacional. Trocar o “achismo” por evidências concretas faz com que as secretarias de educação consigam planejar políticas mais eficazes para reduzir desigualdades e melhorar os resultados de aprendizagem. Mais do que coletar números, o desafio atual é transformar dados em indicadores que resultem em planos mais assertivos para colocar em ação. 

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