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O livro didático como recurso pedagógico

02 de março, 2021 - Por e-docente

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Ao longo dos anos, o  livro  didático  (LD)  tem  sido  um  recurso  utilizado  pelos docentes. Ao longo desses anos,  muitas  mudanças  aconteceram no âmbito educacional: novos documentos oficiais, novas diretrizes, novos comportamentos sociais, novas  tecnologias etc. E, com todo esse combo de transformações, naturalmente, o LD também precisou se adequar a novos cenários e paradigmas. 

Mas algo é certo: ele continua fortemente arraigado nas culturas do ensino  e  da aprendizagem, mesmo  sendo  um  instrumento  de controvérsia para muitos educadores. 

A  controvérsia ocorre pelo fato de alguns professores acharem que o LD “enfraquece” a sua autonomia, uma vez que o livro traz uma sugestão de roteiro a ser seguido. No entanto, muitos educadores fazem do livro didático um importante aliado de seu planejamento pedagógico e, de fato, ele pode ser assim concebido. 

Livro didático: um aliado do docente

Existem algumas possibilidades interessantes para que o LD cumpra com este fim. Adiante, elencaremos algumas:

1)  O LD pode e deve ser escolhido pelo corpo docente, levando em conta os critérios que melhor se afinam com a proposta pedagógica adotada pelos professores:  temáticas,  conteúdos,  sistematização  didática,  referencial teórico, disposição gráfica etc. Todos esses pontos precisam ser considerados  ao  escolher  uma  obra  didática. Além  disso, vale a pena conferir o guia das obras  didáticas aprovadas pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), uma vez que ele traz as resenhas das obras que foram avaliadas pela equipe de profissionais responsáveis por essa análise.

2)  O LD não é um manual de dicas. Ele é um norte, um ponto de partida para auxiliar na prática docente. Nenhum livro será “completo”, sempre haverá nele  uma  lacuna:  um  conteúdo  que  não  foi  tão  bem  explorado,  uma atividade  que  poderia  ter  sido  melhor  contextualizada,  uma  teoria  que necessitava de um maior respaldo teórico, uma sequência de conteúdos que não contemplou totalmente o planejamento do professor etc. E o ideal é que seja assim, pois o  LD é um dos inúmeros recursos didáticos possibilitados aos docentes. Ele não  deve ser uma amarra e sim uma alternativa para os processos de ensino e de aprendizagem.

Leia também: A importância do livro didático na prática pedagógica.

3)  Assim como quem escreve um material didático seleciona os textos e as atividades que irão compor o seu material, os professores, ao terem em mãos o LD que irão trabalhar ao longo do ano, devem selecionar o que de fato importa para o seu planejamento. O LD não precisa ser utilizado em sua completude (da primeira à última página) e na sequência que vem nele estabelecida. O professor tem autonomia para selecionar o que de fato é importante e necessário explorar, aprofundar com os alunos, bem como alterar a sequência, pular páginas, capítulos e unidades. O professor deve atuar como coautor do LD que escolhe.

4)  Os docentes precisam conhecer a fundo o LD que irão trabalhar junto aos estudantes. Muitas vezes, a obra traz uma vasta e rica sugestão de leitura (livros, sites, filmes, músicas etc.) que não é levada em consideração. Algumas dessas indicações podem ser um “prato cheio” para pesquisas, debates, produções, projetos etc. e que às vezes passam despercebidas aos olhos dos docentes e, consequentemente, aos olhos dos alunos (nem sempre!). Vale a pena consultar as indicações que o LD traz, pois podem ser de grande valia para as aulas.

5)  Além de ficar atento às indicações de leitura trazidas no decorrer das páginas  do LD, é sempre muito válido ler com afinco o Manual do Professor. Nele, geralmente, há informações importantes pontuadas por quem escreveu a obra,  tais como a fundamentação teórica adotada, o objetivo de cada seção que  compõe o material, a exploração das unidades/capítulos e as sugestões de atividades extras que nem sempre estão visíveis nessas unidades/capítulos. Muitos outros pontos poderiam ser aqui mencionados a respeito de como podemos utilizar de forma mais criteriosa o LD. 

Acesse o material para download: Livro literário e interdisciplinaridade: o poder dessa mistura.

Conclusão

Inserimos apenas algumas orientações quanto ao uso desse recurso que pode ser um forte aliado dos professores. Para tanto, é preciso que os docentes  façam uma escolha assertiva e que explorem as sugestões oriundas do LD de modo a favorecer a sua prática e, o mais importante, assegurar uma  aprendizagem mais significativa para os estudantes.

 

Helga  Cezar  

Possui mestrado  e  doutorado  em  Letras/Linguística  pela  UFPE. Atuou como professora das redes pública e particulares e como formadora dessas redes. Atualmente, coordena o Núcleo de Produção de Conteúdo e Formação das Editoras Ática, Saraiva e Scipione para a rede pública.

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