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A personalização do ensino na alfabetização: o que fazer para que cada estudante aprenda de forma mais eficiente?

31 de março de 2026,
E-docente
Personalização do ensino

Muitos são os desafios impostos à Educação nos últimos anos, principalmente após a pandemia covid-19.  Os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), por meio do relatório da pesquisa Alfabetiza Brasil 2023, revelaram que houve um aumento do número de estudantes nos níveis mais baixos de proficiência após a pandemia. Em 2021, apenas 49,4% das crianças estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental; apesar do pequeno avanço, o resultado de 2023 nos apresenta um resultado preocupante: 56% das crianças brasileiras conseguiram se alfabetizar ao final do 2ºano. Isso significa que, em 2024, quase metade dos estudantes iniciaram o 3° ano não alfabetizados.

O que fazer diante desse desafio tão grandioso?

A personalização do ensino tem se apresentado com uma alternativa eficaz na construção de uma aprendizagem significativa e eficiente na recomposição das aprendizagens das crianças que não se alfabetizaram no 2º ano e que hoje já estão no 3º ano.

Precisamos de um esforço coletivo para que possamos ampliar o percentual de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano, e para isso não podemos nos esquecer da necessidade de novas estratégias de ensino que priorizem a recuperação das aprendizagens dos estudantes que ainda não se alfabetizaram, para que todos possam avançar. A alfabetização é uma habilidade essencial para que os estudantes possam progredir com sucesso no seu percurso escolar, e um ensino personalizado pode fazer a diferença nesse processo. 

Afinal o que é a personalização do ensino?

A personalização do ensino tem se destacado nos últimos anos, pois coloca o estudante como protagonista no processo de aprendizagem, respeitando as diferenças e o ritmo de aprendizagem, identificando o que os estudantes sabem e o que ainda precisam aprender ou as habilidades que precisam ser reforçadas, valorizando os interesses e talentos de cada estudante e atendendo às suas necessidades pedagógicas. 

Pode ser considerada como uma estratégia metodológica mais criativa para atender às necessidades reais de cada estudante e ajudá-lo a avançar.  Diferente do ensino tradicional, que ensina a todos da mesma maneira impondo um mesmo ritmo de aprendizagem, essa estratégia metodológica evidencia o potencial de cada estudante, incentiva a colaboração e proporciona um ambiente de aprendizagem mais acolhedor e humanizado. Os estudantes se apresentam mais engajados e a aprendizagem mais eficaz.

Essa estratégia metodológica utiliza em sua prática as tecnologias educacionais, projetos colaborativos, atividades mão na massa, rotação por estações de aprendizagem, feedback individualizado e planos de aprendizagem flexíveis.

Principais benefícios da personalização do ensino na alfabetização:

  1. Maior engajamento dos estudantes. Quando o professor inclui em seu plano de aulas temas que representam os interesses dos estudantes, a motivação para aprender tende a aumentar e as aulas se tornam mais dinâmicas, pois os estudantes se reconhecem no processo e se sentem valorizado.
  2. Respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem. Cada estudante tem um ritmo, uma necessidade e diferentes formas para aprender. A personalização do ensino possibilita ao professor trabalhar na mesma sala com atividades diferentes e estabelecer tempos de execução diferentes para cada aluno.
  3. Reconhecimento das necessidades de cada estudante. As avaliações diagnósticas identificam as potencialidades e fragilidades de cada estudante, mas é a personalização do ensino que possibilita ao professor um acompanhamento mais direcionado por meio de novas estratégias de ensino ou adequações nas atividades de classe e roteiros de estudo. Os professores podem fornecer um acompanhamento mais próximo, ajustando as metodologias e os materiais de estudo para atender às necessidades individuais, realizando as intervenções pedagógicas pontuais.
  4. Desenvolvimento do protagonismo.  O Ensino personalizado amplia a participação do estudante no processo de aprendizagem, essa metodologia estimula o desenvolvimento de habilidades como empatia, autogestão e pensamento crítico. Eles passam a ser corresponsáveis por seu próprio aprendizado e solidários com diferentes necessidades dos outros.

Desafios da personalização do ensino

Não é fácil manter os estudantes atentos e interessados em sala de aula no cenário atual, e o professor passa por inúmeros desafios, principalmente o alfabetizador.

Leia mais: Tendências da Educação para 2026: O que a pesquisa aponta sobre o futuro das salas de aula

Ainda estamos vivenciando os resquícios da pandemia da covid-19, e muitos professores estão exaustos, tentando atender às inúmeras demandas: recomposição das aprendizagens; muitos estudantes com diferentes níveis de conhecimento na mesma sala de aula; desinteresse e indisciplina; pouco envolvimento das famílias em relação à aprendizagem de seus filhos e filhas; e preocupação constante em garantir que as crianças aprendam mais e melhor.

O que fazer para superar os desafios?

Os desafios podem ser minimizados a partir de algumas ações, como:

  • Incluir na prática pedagógica atividades lúdicas e estratégias de ensino que priorizem as metodologias ativas.
  • Diversificar as estratégias didáticas.
  • Ter uma escuta ativa e um olhar mais atento aos estudantes para identificar o que já sabem e seus principais interesses.
  • Estar aberto para mudar a rota adaptando, se necessário, o planejamento de suas aulas.
  • Privilegiar estratégias de ensino que possibilitem a aprendizagem por pares, pois aprendemos mais quando podemos ensinar ao outro o que já sabemos.
  • Realizar intervenções individualizadas periódicas.
  • Utilizar as plataformas para um ensino adaptativo.
  • Retomar a parceria de confiança e afeto com a família, pois a aprendizagem acontece de forma mais eficaz em ambientes de confiança.
  • Utilizar o storytelling, pois, por meio dessa técnica, o professor cria empatia, interesse e consegue manter a atenção e o engajamento do estudante.
  • Construir um ambiente afetuoso e humanizado, valorizando as individualidades.

Sugestão para a personalização do ensino na alfabetização de estudantes

A estratégia metodológica estações por rotação apresenta-se como uma prática bem-sucedida para a personalização do ensino. Nessa técnica, os estudantes são agrupados em diferentes grupos, cada grupo realizando uma atividade, o que permite ao professor realizar os agrupamentos por nível de proficiência ou agrupamentos produtivos estimulando a colaboração entre os pares. Essa metodologia mobiliza a discussão entre os estudantes e estimula a pesquisa coletiva, o envolvimento e o engajamento.

Leia mais: Quando quase não há tecnologia: como usar a inteligência artificial de forma simples, ética e acessível na escola pública

Para colocar essa técnica em prática, o professor precisa criar diferentes ambientes dentro da sala de aula e formar uma espécie de circuito. Os estudantes são apresentados a um determinado conceito de diferentes maneiras, o professor acompanha atentamente cada grupo identificando as necessidades de intervenções e apoio.

A ideia é que cada grupo rotacione por entre as estações experenciando atividades (algumas on-line e outras não) para que diversifiquem a sua aprendizagem. Em grupos menores, os estudantes ficam mais confiantes para mudar para próxima fase, e aqueles que mais necessitam recebem o apoio e a orientação do professor para recuperar suas defasagens.

Conclusão

A personalização do ensino não é apenas mais um modismo na Educação ou apenas uma tendência passageira, ela garante que cada estudante tenha respeitado seu ritmo de aprendizagem, seus interesses e suas necessidades pedagógicas. Também estimula a aquisição de habilidades essenciais para o século XXI, como empatia, colaboração e criatividade para solucionar as situações problemas.

A personalização do ensino valoriza a diversidade de saberes e humaniza o processo, tornando a aprendizagem mais significativa e prazerosa.

Minibio da autora

Patrícia Rosas é professora adjunta do Departamento de Metodologia da Educação  da Universidade Federal da Paraíba (DME/UFPB), atuando no curso de Pedagogia. Fez pós-doutorado em Linguagem e Ensino pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); é doutora em Linguística (com doutorado-sanduíche na Universidade Federal de Buenos Aires/UBA, Argentina); é mestre em Linguagem e Ensino (UFCG); e graduada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Pedagogia pela Unidade de Centro Universitário de Maringá (Unicesumar). Como professora da Educação Básica (2003-2023), criou o projeto de leitura e escrita Desengaveta Meu Texto e a Revista Tertúlia. Esses projetos lhe renderam prêmios e indicações, como o Prêmio LED – Luz na Educação (2022), da Rede Globo e da Fundação Roberto Marinho; o Prêmio Melhores Programas de Incentivo à Leitura para Crianças e Jovens de Todo o Brasil (2019), da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ); além de três indicações como finalista do Prêmio Jabuti, eixo Inovação, categoria Fomento à Leitura (2018, 2019, 2021).

Referências

CAMPBELL, L.; CAMPBELL, B.; DICKINSON, D. Ensino e Aprendizagem por meio das Inteligências Múltiplas. 2.ed. trad. Magda França Lopes – Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

LIBÂNEO, J. C. Didática e trabalho docente: a mediação didática do professor nas aulas. In: LIBÂNEO, J. C.; SUANNO, M. V. R.; LIMONTA, S. V. (Org.). Concepções e práticas de ensino num mundo em mudança: diferentes olhares para a didática.1ª edição. Goiânia (GO): CEPED/EDITORA DA PUC GOIÁS, 2011, v. 1, p. 85-100.

MORAN, J. O papel das metodologias na transformação da escola.  2013. Disponível em: https://moran.eca.usp.br/wp-content/uploads/2013/12/Papel_metodologias_Moran.pdf. Acesso em 19 nov. 2024.

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