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3ª pauta formativa para reunião de professores

02 de fevereiro, 2021 - Por e-docente

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Sabemos que o momento de estudo dos alunos não é uma tarefa fácil. Por isso, trazemos algumas descrições de atividades para que coordenadores e professores realizem tais propostas para ensinar os alunos a estudar. Confira a seguir!

Proposta de pauta para a terceira reunião de planejamento com os professores

Tema: 

Procedimentos de estudo

Objetivo:

Refletir sobre a necessidade de ensinar as crianças e os adolescentes a estudar para que desenvolvam postura de estudante e se tornem cada vez mais autônomos e comprometidos com a própria aprendizagem.

Encaminhamentos sugeridos:

1. Ler, em voz alta, um texto literário para os professores

A sugestão de texto é “Perguntas e respostas para um caderno escolar”, de Clarice Lispector: 

https://www.revistaprosaversoearte.com/perguntas-e-respostas-para-um-caderno-escolar-clarice-lispector/ 

Um desdobramento interessante dessa atividade nas próximas semanas pode ser a criação de um caderno de perguntas, tal como se fazia antigamente nas escolas, para circular entre toda a equipe com perguntas instigantes que permitam a todos se conhecerem melhor.

2. Compartilhar o objetivo do encontro e esclarecer que ensinar a estudar, nesse caso, não significa orientar os alunos para que retomem em casa a matéria abordada na sala de aula, desenvolvam o hábito de fazer isso diariamente, dediquem-se somente a isso em vez de se dispersar com o celular, a tevê ou outras atividades. Explicar que, da forma aqui proposta, ensinar a estudar significa ensinar progressivamente os alunos a, por exemplo, grifar informações mais relevantes, identificar palavras-chave a serem colocadas na margem do texto (como síntese do que é tratado), anotar dúvidas sobre o conteúdo, fazer esquemas, resumir, organizar fichamentos, elaborar mapas de conceitos etc.

3. Comentar que a discussão terá como ponto de partida a experiência pessoal de cada um e propor que compartilhem se/quando/com quem aprenderam os procedimentos descritos acima quando eram estudantes.

Destacar a necessidade de não se estenderem muito ao falar sobre a própria experiência, para favorecer a maior participação possível, ainda mais se o grupo for grande.

É importante que o coordenador pedagógico e demais colegas da equipe gestora, se estiverem presentes, também compartilhem as experiências pessoais de quando aprenderam (ou não) a estudar.

procedimentos de estudo

  Como as pessoas geralmente não lembram de imediato como aprenderam, um bom encaminhamento para facilitar e agilizar a discussão é propor, no encontro anterior, que os professores recuperem essa memória de estudante, como ‘tarefa de casa’. Se essa for a opção, será preciso garantir com antecedência os esclarecimentos sobre o que exatamente se está entendendo por estudar, exemplificando com os procedimentos listados acima, no item 1, para que todos possam organizar os pensamentos considerando o que, de fato, será discutido.

4. Elaborar uma lista a partir do que os professores forem falando, para poder identificar facilmente o que é recorrente, o que coincide, o que é comum na experiência de todos.

  Por incrível que pareça, o que se tem verificado nesse tipo de discussão é que: quase todos os adultos aprenderam a estudar ‘fora’ do currículo escolar regular; quando os procedimentos de estudo foram ensinados por alguém, raramente isso aconteceu no Ensino Fundamental; quando aconteceu no Ensino Médio, a proposta em geral foi de um professor (quase sempre de Língua Portuguesa, História ou Ciências) que resolveu ensinar espontaneamente, por iniciativa própria; muitos só aprenderam quando estavam já na faculdade e, boa parte, sozinhos, sem qualquer tipo de ajuda; alguns nunca aprenderam, e só se dão conta nesse tipo de discussão.

5. Analisar com o grupo a gravidade desse fato, ainda mais se o que está descrito acima acontecer de maneira expressiva também na escola. Comentar que é uma grande contradição, lamentavelmente já naturalizada, que a prática mais escolar que existe – estudar – seja uma recomendação geral ou uma exigência dos professores, mas não uma prioridade no ensino. Comentar o quanto é sério isso de aprender a estudar somente no Ensino Médio ou no Ensino Superior, e muitas vezes sozinho, já que o estudo é imprescindível em toda a Educação Básica e, inclusive, condição para entrar na faculdade.

6. Coordenar a discussão e o preenchimento de uma tabela como a que segue.

  A recomendação é listar, na primeira coluna, os procedimentos de estudo a serem ensinados na escola e, nas demais colunas, indicar em qual ano o trabalho será iniciado ou desenvolvido. Essa lista pode ser elaborada pelo coordenador pedagógico a partir do que propõe o texto indicado no item 8, a seguir.

A sugestão é utilizar verbos no infinitivo em toda a lista, por se tratar de procedimentos/habilidades a ensinar, isto é, conteúdos procedimentais.

Se necessário, é preciso completar a tabela de forma a garantir todos os anos de escolaridade, de modo que se possa ter um registro geral da escola.

procedimento de estudo

7. Comunicar ao grupo que essa discussão terá continuidade ao longo do ano em razão da importância de consolidar um trabalho articulado e progressivo que, de fato, ensine os alunos a estudar.

8. Propor que o texto “Estudar é aprender pela leitura e pela escrita” seja lido após o encontro, como complementação, pois detalha os principais procedimentos de estudo a serem trabalhados. É este o link:

https://rosaurasoligositeoficial.files.wordpress.com/2021/01/carla-clauber-e-rosaura-soligo-para-aprender-a-estudar.pdf

Se houver tempo, a leitura pode ser feita no próprio encontro, em pequenos grupos, seguida de socialização, com os mesmos encaminhamentos adotados nos dois encontros anteriores.

É fundamental a leitura prévia deste texto, pelo coordenador pedagógico, no momento de preparar o encontro, não só para organizar a tabela, mas também para ampliar o repertório de argumentos em favor de um trabalho pedagógico consistente para ensinar os alunos a estudar.

Um desdobramento importante após esse encontro é elaborar um registro dos encaminhamentos metodológicos para trabalhar com os procedimentos indicados na tabela, que possa circular entre todos os professores para subsidiá-los.

9. Finalizar com uma breve síntese do que foi abordado no dia e informar/discutir os encaminhamentos que forem necessários.

Rosaura Soligo

Possui formação em Psicologia e Pedagogia, mestrado e doutorado em Educação, integrou a equipe nacional do PROFA – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores e atualmente coordena grupos de formação independentes e presta assessoria a instituições educativas públicas e privadas.

Site: https://rosaurasoligositeoficial.wordpress.com/

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