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A importância do plano de aula para o planejamento escolar 

24 de março, 2022 - Por e-docente

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O plano de aula é uma das atividades mais importantes para o planejamento escolar, visto que as vivências da escola são organizadas com o foco nas ações docentes que se materializam nas práticas de sala de aula. Compreendemos que o planejamento escolar possui o ponto de partida na organização do plano de aula do professor na perspectiva da gestão do ensino (OLIVEIRA, 2019). 

Quando tratamos da gestão do ensino afirmamos que o docente desenvolve o ensino ajustado para cada criança e para o coletivo da turma, portanto cada professor que desenvolve a gestão do ensino realiza a construção do plano de aula com características distintas, tais como: 

Seis pontos essenciais para elaborar um plano de aula

  1. elaboração do plano de aula com objetividade e direcionamento para a real efetivação do ensino; 
  2. descrição das ações em sequência relacionadas aos objetivos da aula e das semanas; 
  3. planejamento de uma segunda atividade para estabelecer a produção das crianças que finalizam de forma mais rápida às suas atividades e, com isso, respeitar a heterogeneidade da turma; 
  4. ponderação, em um dia de aula, acerca da necessidade de propor, pelo menos, três mudanças de práticas envolvendo agrupamentos na turma; 
  5. avaliação presente, de forma explícita para as crianças, em formato de feedbacks nas aulas e, também, construção de intermediação-planejada nas atividades; 
  6. elaboração de atividades que favorecem a autonomia da criança e a criatividade que são fundamentais na criação, na formação e no processo de autonomia do estudante.

Detalhamento dos aspectos que precisam estar presentes no plano de aula para a gestão do ensino:

1. Elaboração do plano de aula com objetividade e direcionamento para a real efetivação do ensino

Objetividade e direcionamento estão relacionados às formas das possibilidades de efetivação das atividades que são postas no planejamento. As atividades precisam ser exequíveis para cada dia de aula e no ritmo da turma. 

Não podemos deixar de verificar o tempo das atividades sem pensar no ritmo da turma. Para a gestão do ensino ser desenvolvida e acontecer nas aulas, o professor terá um plano com atividades possíveis de serem realizadas para o tempo e no sentido da progressão do ensino das crianças. 

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E, nesse sentido, temos um plano com as seguintes etapas, são elas: situação didática com conteúdos; objetivos gerais e específicos; as metodologias escolhidas, recursos e avaliação, todos ligados à concepção que a escola e os professores são elementos organizadores da educação das crianças; portanto sempre colocar esses elementos, de forma direta e objetiva, favorecerá todo o planejamento escolar, desde o estudante no seu cotidiano até as ações mais gerais da organização escolar.

2. Descrição das ações em sequência relacionadas aos objetivos da aula e das semanas

É necessário ter em mente, com a elaboração do plano de aula, qual é o objetivo da aula e quais são as atividades que são possíveis de realizar nesse nível de aprendizado da turma. 

Além disso, sempre registre qual é a atividade de progressão da turma a partir da escolha relacionada aos objetivos de ensino da semana. A atividade pode ser o elo para o aprendizado seguinte e, assim, estaremos mais próximos da intermediação-planejada e mais ajustados a progressão do ensino. 

É fundamental colocarmos os objetivos em vista para essas construções e elaborar numa sequência de atividades que serão estruturadas para a efetivação do ensino, de realização autônoma da atividade do estudante e entre estudantes. 

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Essa descrição das ações pode ser realizada em tópicos. Começa-se com objetivos gerais, a partir dos quais desdobram-se ações pedagógicas. Por exemplo, considerando-se o objetivo geral de alfabetizar crianças no primeiro semestre do ano, coloca-se o tópico “refletir sobre relações letra e som”. 

A partir dele, elencam-se tópicos que tragam ações pedagógicas que o favoreçam, como: apresentar palavras para confrontar e comparar com o som final apresentado pelo professor; sistematizar as relações letra e som das sílabas das palavras; cantar a palavra brincando de identificar a quantidade de sílabas. 

Esse exemplo aponta as ações pedagógicas que poderiam contribuir para o objetivo que foi apresentado.

3. Planejamento de uma segunda atividade para estabelecer a produção das crianças que finalizam de forma mais rápida às suas atividades e, com isso, respeitar a heterogeneidade da turma

Toda ação docente precisa ter as atividades principais e, no mínimo, duas atividades complementares para contribuir com o aprendizado da turma e do estudante, principalmente considerando os casos de crianças que são mais rápidas em suas produções. 

Assim, as crianças possuem a oportunidade de viver, no seu próprio tempo pedagógico, a qualidade do tempo e da atividade que conduzirá a autonomia pela oportunidade da criança em realizar essas vivências de forma planejada.

4. Ponderação, em um dia de aula, acerca da necessidade de propor, pelo menos, três mudanças de práticas envolvendo agrupamentos na turma

Quando falamos em três mudanças das práticas é com o objetivo de evidenciarmos metodologias dinâmicas na organização dos estudantes na sala; por exemplo: se a professora for promover uma atividade inicial de contação de história numa roda de leitura, ela poderá propor, na sequência, uma prática de leitura em dupla e em grupos para registro de uma produção coletiva de texto e para apresentação oral.

 A aula torna-se dinâmica e envolvente, e os estudantes estarão a buscar a sua realização com maior autonomia. E, assim, o aprendizado torna-se o objetivo dos próprios estudantes. 

5. Avaliação presente, de forma explícita para as crianças, em formato de feedbacks nas aulas e, também, construção de intermediação-planejada nas atividades

A avaliação é o que conduz a organização do plano de ensino pelo simples fato dos três olhares docentes direcionados, que são: avaliar a progressão do grupo; avaliar a progressão da criança e avaliar a aplicabilidade das situações didáticas propostas de forma a construir o equilíbrio prático entre as propostas e a participação/aprendizado dos estudantes. 

6. Elaboração de atividades que favorecem a autonomia da criança e a criatividade que são fundamentais na criação, na formação e no processo de autonomia do estudante

O foco do professor precisa ser na proposição das atividades que constroem o caminho do estudante para possuir a autonomia no estudo e a criatividade de respostas. 

Não se pode propor uma atividade que o professor terá certeza de que a criança não o fará no tempo estabelecido, sem ter uma elaboração de plano de aula para a intervenção ajustada. 

O que é necessário ter no plano de aula são atividades que proporcionem a criança maior autonomia no grupo; entretanto, se o professor deseja intervir e conduzir mais a aula, para ter maiores intervenções, direcionar a aula para o coletivo pode contribuir significativamente na gestão do ensino. 

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O planejamento de ensino configura-se como um roteiro organizado de unidades didáticas para um dia, e esse dia na relação do planejamento da semana e do ano letivo. Se integrarmos a esses planos da turma a reflexão de outras turmas da escola, já estaremos desenvolvendo o planejamento escolar, pelo fato de toda organização escolar precisar ter relação direta com o plano de aula. 

A avaliação deve ser presente, na sua forma explícita, para as crianças em formato de feedbacks nas aulas e, também, para construir a intermediação-planejada nas atividades das turmas. É necessário reafirmarmos que nenhum plano de aula é “enquadrado” em etapas únicas e definidas sem a realidade da turma, ou seja, não existem etapas fechadas.

Estamos tratando do plano de aula flexível dentro da proposta da concepção da gestão do ensino e da gestão da avaliação na perspectiva da intermediação-planejada, por acreditarmos que o ensino ocorre de forma sistemática e significativa se conseguirmos realizar essa ação pautada na formação autônoma e criativa da criança para favorecer o planejamento escolar. 

REFERÊNCIAS 

OLIVEIRA, R. A. J. Saberes e práticas pedagógicas dos professores alfabetizadores nos contextos escolares no Brasil e na França: gestão da avaliação através da intermediação-planejada no ciclo de alfabetização. 412 f.: Il Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Educação, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.

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RENATA ARAÚJO JATOBÁ DE OLIVEIRA 

Investigadora de Pós-Doutoramento em Educação pela Universidade de Lisboa – Portugal.  Doutora em Ciências da Educação pela Université Lumière Lyon 2 na França. Doutora e mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil. Especialista em Éducation Pédagogique et Culture(s) de l’Altérité pela Université Claude Bernard Lyon 1 – França. Possui atuação Técnica Pedagógica na Secretaria de Educação do Recife e do Estado de Pernambuco; faz parte como membro/formadora do CEEL – Centro de Estudos em Educação e Linguagem – da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; Professora do Ensino Superior; Realiza consultoria educacional com os Programas Alfagestar – @alfagestar e CRIATIVE-Lar – @criativelar; Desenvolve palestras e possui mentoria para orientação dos estudo e seleções de mestrado e doutorado. Possui o canal do Papo Educa – @papo_educa, para trabalhar com formação de professores envolvendo Prática Pedagógica, Didática e Metodologias do Ensino com Aulas Remotas e Ensino Híbrido, entre outras temáticas. Pesquisa sobre Educação e Linguagem; autora de materiais didáticos e pedagógicos para Educação Infantil e Ciclo de Alfabetização.

Ensino-pesquisa-extensão: Alfabetização Sistemática; Gestão do Ensino; Gestão da Avaliação; Intermediação-Planejada; Didática e Metodologias do Ensino; Consciência Fonológica na Educação Infantil; Ciclo de Alfabetização; Planejamento do Ensino; Prática Pedagógica e Heterogeneidade na Gestão do Ensino da Leitura e da Escrita.

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