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Participação da família na prevenção e no controle da COVID-19 no ambiente escolar

03 de fevereiro, 2022 - Por e-docente

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A síndrome gripal pode ser definida como uma mudança no estado de saúde de uma pessoa em relação ao seu padrão basal e é caracterizada pelo surgimento de sintomas como tosse, coriza, espirros, obstrução nasal, febre, desconforto respiratório, cefaleia, dores articulares, dores pelo corpo, astenia, dor de garganta, diarreia, não necessariamente existindo todos esses sintomas citados. 

Toda a criação dos programas de combate às síndromes gripais, que têm como carros-chefe a COVID-19 e a influenza, é baseada na construção de protocolos que elencam uma série de ações pautadas pela tríade ‘distanciamento social, higiene de mãos e superfícies e uso de máscaras’. 

Para vários setores da sociedade, são criados os chamados protocolos setoriais, que versam sobre uma série de medidas que, em última análise, objetivam o combate às referidas síndromes respiratórias, sobretudo a COVID-19, nas diversas esferas da sociedade. 

Os protocolos de combate a gripe

Especificamente para o setor de educação, que é representado pelas escolas, cursos, faculdades e universidades, por exemplo, existe o Protocolo Setorial da Educação, o qual normalmente é criado para ser uma pauta geral que norteia os diversos protocolos próprios de cada escola. Cada estado possui o seu Protocolo Setorial da Educação. Tal protocolo norteador é criado em cada estado a partir das decisões do gabinete de enfrentamento à pandemia. 

Já em nível individual, cada instituição precisa criar seu próprio protocolo de combate às síndromes gripais, originalmente chamado de ‘protocolo de combate à COVID-19’. Cada escola pode dar ao seu protocolo o nome que considerar mais pertinente. Assim, algumas instituições chamam de Protocolo de Biossegurança Escolar, Protocolo de Mitigação da COVID-19, Protocolo de Enfrentamento à Pandemia, dentre outros títulos.

A importância de se obedecer todos os protocolos

O bom funcionamento do protocolo de biossegurança escolar e, portanto, a segurança das aulas presenciais dependem não só da vigilância e da tentativa de aplicação das medidas para mitigação das síndromes gripais em nível escolar, mas também da fundamental cooperação das famílias como coadjuvantes nesse processo. 

Um setor da vigilância, no caso o escolar, está diretamente relacionado ao outro, isto é, só haverá adequado controle da transmissão viral com a extensão das medidas de proteção e cuidados para o ambiente extraescolar. A explicação pode ser justificada quando da análise dos vários pontos do protocolo, como a seguir.

A participação dos pais e responsáveis

A escola necessita receber informações, por parte dos familiares, sobre alunos ou contactantes que apresentam síndrome gripal, pois isso é uma maneira de permitir à escola uma vigilância epidemiológica interna, fazendo suspensão de turmas, promovendo orientação para outras famílias testarem outros alunos, programando turmas que se revezarão entre o ensino on-line e o ensino presencial. Nesse sentido, haver um canal de comunicação entre instituição educacional e família é algo de extrema necessidade. Tal canal deve permitir comunicação rápida, objetiva e eficaz. 

O papel dos pais também tem toda importância no que se relaciona ao uso correto das máscaras. Esse uso deve ser supervisionado tanto no ambiente domiciliar e social quanto no escolar. Assim, a família deve se responsabilizar pela escolha da máscara adequada, higienização das máscaras, oferta de número de máscaras suficiente para o turno escolar, disponibilização de dispositivos para guardar máscaras usadas, disponibilização de álcool para cada estudante, pelo ensino e reforço sobre a constante higienização das mãos. 

Um dos pontos mais necessários e decisivos na atuação dos pais junto às escolas é o de comunicar ao estabelecimento, o mais brevemente possível, qualquer sintoma de síndrome gripal, além de não enviar os estudantes com tais sintomas. 

É sabido que a rotina dos pais requer o suporte da escola, para que exerçam suas funções do dia a dia, principalmente para que possam trabalhar, deixando os seus filhos num ambiente seguro e que lhes proporcionará adequado desenvolvimento. Por outro lado, o bem coletivo suplanta as necessidades individuais, e, sendo assim, ainda que haja um enorme contratempo trazido pela decisão de deixar crianças e adolescentes em casa, quando sintomáticos ou suspeitos, é necessário não permitir que eles vão à escola.

Os responsáveis estão contribuindo com as escolas também com outras iniciativas, como manterem o cartão de vacinas sempre atualizado – inclusive com as novas vacinas anti-COVID-19 –, ao se disponibilizarem para o contato por parte da escola, ao ensinarem a importância das medidas de distanciamento social, ao respeitarem o protocolo escolar e ao não se aglomerarem nas entradas da escola. 

Não menos importantes são as medidas de supervisão de encontros de adolescentes em horários como o de refeição em conjunto no ambiente escolar, nas festas, nos esportes extraescolares, nas reuniões familiares. O bom controle da transmissão no ambiente escolar depende da continuação das medidas no ambiente extraescolar.

O contato com os profissionais de saúde, seja através do SUS ou da rede privada de assistência, e a consequente realização de testes são medidas de maior valia. Os países que conseguem um maior controle da pandemia são aqueles em que a oferta de testes é abundante, permitindo, dessa forma, a detecção precoce dos afetados e o isolamento deles. 

Além do aspecto do teste, a liberação médica, por meio de atestado, após o período de quarentena, é algo sempre desejável. Seguir as recomendações médicas sobre isolamento, medicações e observância de sintomas é algo imprescindível. 

O trajeto até a escola é um ponto a ser observado. É muito comum que vários alunos se valham do transporte escolar para ter acesso à escola, da carona com amigos/ vizinhos ou mesmo do transporte público. A observância do cumprimento das medidas de mitigação da COVID-19 precisa acontecer durante todo esse trajeto.

É de bom tom que os pais e responsáveis procurem se manter atualizados em relação às mudanças de protocolos estaduais, municipais e da própria escola. Notícias de fontes confiáveis, com base científica e não política também fazem total diferença. 

André Pimentel Machado

Pediatra e médico do adolescente (hebiatra) pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Membro da direção da Sociedade de Pediatria de Pernambuco. Professor da disciplina de Assistência Integral do Adolescente da UNINASSAU.

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