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Como tornar a escola um espaço mais seguro: enfrentando bullying e cyberbullying nos Anos Finais do Ensino Fundamental

6 de abril de 2026,
E-docente
bullying e cyberbullying

Afetando a autoestima, a convivência e até a aprendizagem, as consequências do bullying e do cyberbullying vão além de tópicos isolados, podendo levar à depressão e à ansiedade. Neste texto, você vai encontrar dados recentes, com contextualização atual e propostas práticas de prevenção e enfrentamento, mostrando como estudantes e professores podem construir ambientes mais seguros e empáticos.

Em meio à adolescência, estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental enfrentam o desafio de serem aceitos e de pertencerem, diante de tantas dúvidas, autocrítica e sentimentos antagônicos. A violência do bullying e do cyberbullying torna tudo ainda mais intenso.

O cenário do bullying no Brasil: dados e legislação

Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE, 2019) mostram que 23% dos adolescentes brasileiros, entre 13 e 17 anos, declararam já ter sofrido bullying. Esse dado é três vezes maior do que o registrado em 2015, revelando dois fatos interessantes: a gravidade do problema e o avanço no debate do tema. Cada vez mais os adolescentes se sentem seguros para expor o que vivenciam. Dar visibilidade ao problema é um passo essencial para enfrentá-lo.

No Brasil, a Lei nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, reconhecendo o bullying, e também o cyberbullying, como problemas nacionais que exigem conscientização, prevenção, diagnóstico e enfrentamento. O texto deixa claro que é função também da escola assegurar medidas de combate à violência.

Como reforçam Araújo et al. (2024), trata-se de um problema de saúde pública que demanda respostas urgentes. E aqui surge a questão: qual é o nosso papel enquanto professores, nesse enfrentamento? Como criar espaços de diálogo e empatia que assegurem o bem-estar dos estudantes?

Leia mais em: Políticas de Combate ao Bullying têm funcionado?

Estratégias práticas para a prevenção do bullying na escola

Um ambiente seguro começa com uma equipe preparada

O primeiro passo para enfrentar o bullying e o cyberbullying é garantir que a escola seja um espaço de verdadeira escuta, acolhimento e respeito. Isso só acontece quando todos os professores compartilham o mesmo compromisso. Por isso, abra o diálogo com seus colegas, promova reflexões e questione discursos que, ainda que de forma sutil, reforcem a cultura da violência. O apoio da equipe gestora é indispensável nesse processo.

Foco no enfrentamento ativo do problema

A confiança é construída gradualmente entre os estudantes e, quando o ambiente é seguro, o diálogo flui com maior naturalidade. Por isso, promova rodas de conversa, incentive múltiplos pontos de vista e valorize a diversidade de olhares como algo complementar e enriquecedor. O desenvolvimento de habilidades socioemocionais (soft skills), como empatia, autoaceitação, autoconfiança e habilidades sociais, são essenciais para o enfrentamento da violência por meio do bullying e do cyberbullying.

Leia mais em: Compreendendo as competências socioemocionais – por Maria Tereza Maldonado

Ambiente seguro e reflexões necessárias sobre diversidade

Traga perguntas que provoquem reflexões sobre bullying e cyberbullying e insira no debate temas transversais e que podem estar correlacionados, como racismo, homofobia e machismo. Esses assuntos também impactam a vida escolar e precisam ser discutidos com responsabilidade.

Leia mais em: Racismo, machismo e homofobia: a importância de debater esses temas na escola!

Identificação e suporte: como agir diante de casos reais

Fique atento aos sinais de alerta nos alunos

De acordo com a pesquisa de Mallmann, Lisboa e Calza (2018) adolescentes vítimas de bullying ou cyberbullying podem demonstrar agressividade em resposta à violência sofrida, além de se isolarem e até faltarem à escola. Se a agressão ocorrer via cyberbullying, mudanças no uso das redes sociais, como postar menos ou desaparecer digitalmente, podem ser sinais de alerta. É importante observar qualquer mudança de comportamento e garantir sempre um espaço de escuta seguro e empático.

Suporte psicoeducativo e multidisciplinar

O apoio de equipes multidisciplinares (psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais etc.) é fundamental. Se a sua escola não tem esse suporte, parcerias com universidades podem ser alternativas viáveis. É importante oferecer suporte não apenas à vítima, mas também ao agressor, que precisa ser conscientizado para não repetir a conduta. Mais do que punir, o foco deve estar na sensibilização e na educação.

O papel da Comunicação Não Violenta (CNV) na escola

A Comunicação Não Violenta (CNV), quando incorporada ao ambiente escolar, contribui de forma significativa para a prevenção e o enfrentamento do bullying e do cyberbullying, fortalecendo vínculos mais humanos, colaborativos e respeitosos.

Sistematizada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a CNV é uma prática voltada à promoção de empatia e compreensão nas relações interpessoais. Estruturada em quatro componentes fundamentais: observação, sentimentos, necessidades e pedidos. A CNV busca favorecer o diálogo respeitoso e a cooperação.

Considerações finais

Intervir cedo é essencial para mostrar o quanto o bullying é danoso e perigoso. O ciclo de violência só se rompe quando a resposta passa por diálogo, acolhimento e educação. As vítimas precisam saber que podem contar com redes de apoio: familiares, professores e colegas preparados para escutar. Ao mesmo tempo, os estudantes devem ser chamados ao protagonismo, refletindo sobre consequências, fortalecendo a solidariedade e reconhecendo que todos têm direito a um ambiente seguro, empático e livre de violência.

São necessárias mais do que medidas pontuais ou projetos em datas específicas de conscientização; é preciso que a cultura de combate à violência do bullying e do cyberbullying esteja enraizada no cotidiano escolar e extrapole os muros da escola, por meio da integração de esforços e da sensibilização de professores, gestores e famílias, garantindo que o diálogo seja sempre aberto e sustentado pelo respeito e pela empatia.

Minibio

Klyvia Leuthier é mestre em Ensino pela UFPE, pedagoga e licenciada em Ciências Biológicas pela UFRPE. Professora colaboradora da UFRPE, integra a gestão do curso de Licenciatura em Pedagogia e, atualmente, é Gestora de Pesquisa e Projetos no Colégio Avance.

Referências

ARAÚJO, A. F. de; OLIVEIRA, V. R. de; TORRES, R. A. M.; TAVARES, N. B. F.; FREITAS, C. H. A. de; QUIXADÁ, L. M. Estratégias de enfrentamento ao bullying e cyberbullying desenvolvidas por adolescentes: revisão integrativa da literatura. Revista Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, v. 26, e77067, p. 1-11, 2024. Disponível em: https://revistas.ufg.br/fen/article/view/77067/41788. Acesso em: 6 abr. 2026.

BRASIL. Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 9 nov. 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13185.htm. Acesso em: 6 abr. 2026.

MALLMANN, C. L.; LISBOA, C. S. M.; CALZA, T. Z. Cyberbullying e estratégias de coping em adolescentes do sul do Brasil. Acta Colombiana de Psicología, v. 21, n. 1, p. 13-22, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.14718/ACP.2018.21.1.2. Acesso em: 6 abr. 2026.

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