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O que é a Idade Mídia e quais são as suas reflexões?

18 de junho, 2021 - Por e-docente

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O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados, mas é antes de tudo aprender a aprender, é aprender a se desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola.
Jean Piaget

A história geral é dividida em períodos. Sua divisão clássica consiste na cronologia dos acontecimentos, sendo assim apresentados: Pré-história, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. A idade contemporânea iniciou-se em 1789, segundo a divisão cronológica da história. Muitas pessoas acreditam que um novo mundo está surgindo com o advento da tecnologia e estamos adentrando a Idade Mídia, período de grandes mudanças.   

A cada dia, nossa interação social com o mundo, de uma forma geral, se transforma, não há limites para as mudanças. Vivemos um período de transição, uma nova era bate à porta, e não conseguimos mais negar as mudanças e nem evitar a revolução da comunicação digital e a influência das novas tecnologias digitais. Segundo Wolton (2012, p. 83): 

Três palavras são essenciais para compreender o sucesso das novas tecnologias: autonomia, domínio e velocidade. Cada um pode agir, sem intermediário, quando bem quiser, sem filtro nem hierarquia e, ainda mais, em tempo real. Eu não espero, eu ajo e o resultado é imediato. Isso gera um sentimento de liberdade, até mesmo de poder, de onde se justifica muito bem a expressão “surfar na internet”

Nesse sentido, educar para a informação é um jeito de formar cidadãos e cidadãs livres e conscientes, capazes de fazer escolhas críticas. É mudar a relação dos jovens com o conhecimento, para que saibam aprender a aprender. É educar para a vida em um mundo cada vez mais conectado! 

As leis educacionais para as mudanças midiáticas

E como nossa legislação trata da importância da adequação da educação para um mundo em constante mudança? 

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira) 9394/96, no Ensino Fundamental, prevê como objetivo o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e de habilidades e a formação de atitudes e valores (BRASIL, 1996). Para o Ensino Médio, entre outros objetivos, no Art. 35, em seu inciso III, prevê-se o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. No Art. 43, lemos que a educação superior tem por finalidade: estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo (BRASIL, 1996).

Também outros documentos atestam para a importância de uma educação integral, como é o caso da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), uma educação que vá além do cognitivo, além do foco no conteúdo por si só, mas no desenvolvimento de habilidades e competências para a cidadania e o mundo do trabalho.

A tecnologia para as competências gerais da BNCC

As competências gerais integram o capítulo introdutório da BNCC e foram definidos a partir dos direitos éticos, estéticos e políticos assegurados pelas DCNs (Diretrizes Nacionais Curriculares) e dos conhecimentos, habilidades, atitudes e valores essenciais para a vida no século XXI.

A BNCC entende e reconhece o papel fundamental da tecnologia e exige que os estudantes desenvolvam competências ligadas à comunicação e à cultura digital. A competência 5, da BNCC, nos diz:

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 

Sendo assim, a competência fala sobre a cultura digital, do saber fazer e do saber ser, da capacidade de compreender a cultura digital não só para acessar informação, mas produzir conhecimento por meio do uso da tecnologia. 

[…] o conjunto de conhecimentos e princípios científicos que se aplicam ao planejamento, à construção e à utilização de um equipamento em um determinado tipo de atividade (KENSKI, 208, p.24).

Leia também: Amorosidade e tecnologia como parceiras na educação.

Nesse sentido, aparece a importância em se trabalhar com tecnologia na educação. A tecnologia é uma ferramenta do professor, assim como o livro didático, a sala de aula, o quadro. O uso da tecnologia pode e deve ser parte do processo, sempre que conveniente e com objetivos claros. Mas, por que usar tecnologia na sala de aula? Porque a tecnologia, de diversos modos, faz parte de nossas vidas. Professores que resistem a métodos inovadores, acabam reproduzindo um modelo de ensino que está ultrapassado, que não leva em conta as  diversas habilidades e o próprio contexto de vida do estudante. A tecnologia não tem que substituir o professor, pelo contrário, as ferramentas tecnológicas são instrumentos que facilitam a prática do professor e atraem os alunos, que já estão acostumados a lidarem com esses instrumentos em suas vidas. 

A Idade Mídia

A idade mídia marca a chegada de uma nova geração, a geração alpha¹, a geração que nasce em um mundo repleto de tecnologias de todos os tipos e, por isso, são mais estimulados a mudanças desde muito cedo, porém, apesar dos alunos terem maior autonomia empesquisar, encontrar tutoriais e criar soluções para seus problemas, não sabem, por exemplo, filtrar as informações em excesso que recebem durante o dia. 

O tempo em que vivemos parece o mesmo da escola? Muitas vezes, parece que não. A identidade e o papel do professor, por exemplo, têm-se alterado ao longo dos anos, assim como dos nossos estudantes. O professor na Idade Moderna era aquele com poder de intervir na mudança social de seus estudantes, já na idade mídia vemos o trabalho do professor pautado na inserção das tecnologias digitais e nas relações sociais. 

Perspectiva sobre a Idade Mídia

O mundo está conectado! O excesso de informações é um desafio ao nosso senso crítico. Hoje, crianças e jovens têm acesso às mídias digitais desde cedo e precisam ser orientados para isso. As mídias são uma boa ferramenta para criar e aprender, elas permitem grandes experiências ativas de investigação e por isso os professores precisam ter contato com a educação midiática².

A tecnologia não vai substituir os professores, pelo contrário, a abundância de conhecimento e informação que a idade mídia nos proporciona mostra como os educadores seguem sendo fundamentais. Os professores que vão apoiar os estudantes no desenvolvimento de habilidades como senso crítico, responsabilidade e empatia, para que consigam lidar com essa realidade em constante transformação. Desse modo, é preciso entender esse novo mundo, que faz parte de nossas vidas, para então questionar, explorar, criticar e transformar.

Leia também: A importância do uso das redes sociais no ensino de Língua Portuguesa.

Os jovens sabem pesquisar na internet?

Um estudo recente, apresentado em maio de 2021, pela OCDE³, com base no relatório intitulado “Leitores do Século 21: Desenvolvendo Habilidades de Alfabetização em um Mundo Digital”, mostra as habilidades de interpretação de texto dos alunos de 15 anos avaliados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). 

De acordo com o estudo, existe uma necessidade de ensinar os jovens a pesquisar na internet a fim de saber transformar informação em conhecimento, desenvolver habilidades para reconhecer a desinformação propagada na internet, sobretudo, via redes sociais. É importante que, ao acessar uma informação, o estudante saiba diferenciar, por exemplo, verdade de mentira e fato de opinião.

A Alfabetização Digital

Ainda segundo o estudo, apenas cerca de 40% dos currículos escolares dos países que fazem parte da OCDE abordam a alfabetização digital4. Diante disso, nós, professores, precisamos entender esse novo mundo que faz parte de nossas vidas, para então questionar, explorar, criticar e transformar. O estudante precisa da mediação do professor para aprender a fazer uma pesquisa de qualidade, para desenvolver e buscar habilidades sociais e intelectuais, para ser questionado sobre fatos cotidianos, e ser auxiliado nos percursos de seu desenvolvimento educacional. 

O professor é um facilitador5 e um questionador, que promove senso crítico sobre tecnologias, sociedade e política, explorando a empatia, o autoconhecimento e os valores morais. A figura do professor não deve ser aquela central, na frente da sala, fazendo-se ouvir, mas a de um mentor e moderador, aquele que provoca ideias, reflexões, auxiliando na chegada do melhor caminho.

Leia também: Como utilizar as novas tecnologias educacionais para promover uma aprendizagem significativa?

Fora da escola, tudo parece ser colorido, intuitivo, dinâmico e divertido. Dentro dela, muitas vezes, há imposições, hierarquias, relações de poder unilaterais. O estudante cada vez mais conectado e tendo acesso a conteúdos diversos, um quadro, um livro didático e exercícios parecem não fazer muito sentido. E fica a pergunta, como resolver isso? Precisamos cada vez mais de:

  • Professor com formação continuada;
  •  Dar voz ativa aos alunos, promovendo sua autonomia;
  • Atuar como mediadores (não dando respostas prontas, mas provocando reflexões);
  • Lidar com ferramentas tecnológicas.

Conclusão

A tecnologia digital não vai resolver todos os problemas, entretanto é possível personalizar melhor a educação, fazendo com que cada um consiga encontrar sua melhor maneira de aprender. Por fim, as tecnologias digitais aproximam a educação do universo dos estudantes, ajudando-os a se preparar para a vida presente e futura cada vez mais mediada pelos recursos tecnológicos.

 

Apêndice

  1. O termo Alpha foi utilizado por Mark McCrindle para tratar de crianças nascidas a partir de 2010.
  2. Conjunto de habilidades para acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos, dos impressos aos digitais.
  3. Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
  4. O termo alfabetização digital tem sido usado para designar um tipo de aprendizado da escrita que envolve signos, gestos e comportamentos necessários para ler e escrever no computador e em outros dispositivos digitais.
    (http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/alfabetizacao-digital)
  5. Faço uso do conceito utilizado pelo psicólogo e teórico Carl Rogers que afirma que todos os seres humanos têm uma propensão natural para aprender; o papel do professor é facilitar essa aprendizagem.

 

Referências bibliográficas:

BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular / Secretaria de Educação Básica. Brasília: MEC/SEB, 2017. 600p. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em 31 mai. 2021.

 

_____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96, de 20 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 31 mai. 2021.

 

______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para o ensino fundamental /Secretaria de Educação Básica. – Brasília: MEC, SEB, 2010b.


KENSKI, V. M. Educação e tecnologia: o novo ritmo da informação. Campinas: Papirus, 2008.

 

WOLTON, Dominique. Internet e Depois? Uma teoria crítica das novas mídias. Tradução: Isabel Crossetti. Porto Alegre: Sulina – 3ª Edição, – (Coleção Cibercultura), 2012.

 

Claudinéa de Araújo Batista 

 

Pedagoga. Possui Especialização em Tecnologias da Informação Aplicadas à Educação e Mestrado em Novas Tecnologias Digitais na Educação.  Atualmente integra o Núcleo de Produção de Conteúdos e Formações das Editoras Ática, Saraiva e Scipione para a Rede Pública.

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