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O papel da Educação Física na formação integral do jovem

06 de abril, 2021 - Por e-docente

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Você já parou para pensar no papel da Educação Física na formação integral do jovem, sobretudo no Ensino Médio? Se, por um lado, muito se fala sobre a necessidade de desenvolvimento da educação integral, foco do Novo Ensino Médio, por outro, alguns componentes curriculares, como Educação Física e Artes, eventualmente acabam ficando esquecidos dentro desse processo de valorização das áreas tidas como socialmente “mais importantes”, ou que apresentam um “peso” maior nos exames vestibulares, por exemplo.

No entanto, quando temos como foco a ideia de educação integral, a qual busca a formação do desenvolvimento do ser humano de modo global em todos seus aspectos e dimensões (cognitiva, afetiva, social, etc.), indo muito além da ideia de “educação de tempo integral” (que é a ampliação da carga horária de trabalho escolar), vemos que a desvalorização da Educação Física é, no mínimo, descabida e incoerente.

Nesse sentido, a Educação Física, como componente curricular obrigatório, apresenta papel fundamental para a formação integral dos jovens e pode contribuir para que os processos educativos sejam condizentes com as atuais diretrizes. Ainda mais importante, esse componente pode auxiliar na construção dos projetos de vida dos alunos e alunas e possibilita ampliar o próprio conceito de juventudes, tão necessário para que possamos compreender aqueles e aquelas com quem interagimos na escola.

Educação integral na prática pedagógica

A ideia de Educação Integral não é nova e apresenta diferentes conotações há mais de cem anos. Várias correntes teóricas tais como os ideais fomentados pelo Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (Escola Nova), bem como diversos educadores proeminentes, a exemplo de John Dewey, Célestin Freinet, Maria Montessori, Paulo Freire e tantos outros, coincidem com a valorização do corpo e do movimento no centro do processo de aprendizagem. Essa perspectiva de transformação de um processo educativo que pouco dialogava com o corpo (sentado, quieto, controlado) para uma educação mais ativa e dialógica culmina, entre outras coisas, no reconhecimento da Educação Física como componente curricular que, ao tematizar as diferentes práticas corporais (danças, lutas, ginásticas, esportes, brincadeiras e jogos, atividades de aventura, etc.) contribui sobremaneira para a transformação do processo de ensino e aprendizagem.

Leia também: O corpo e a Educação Física na escola.

A Educação Física apresenta uma ampla interface com diferentes dimensões de conhecimentos, como por exemplo, as ciências da saúde e biológicas, mas também humanas e sociais, e ainda a grande área das linguagens (inclusive, a área à qual ela está vinculada pelos documentos legais atuais). Essa perspectiva possibilita o desenvolvimento de uma série de projetos interdisciplinares que possam apresentar relação com as histórias e os contextos dos jovens, como projetos que tematizem danças como o rap, hip hop e funk, por exemplo. Desmembram-se dessa relação a possibilidade de muitos projetos ligados a itinerários formativos que merecem ser explorados e fomentados.

Além disso, esse componente curricular possibilita o desenvolvimento de uma série de competências e também de habilidades que são fundamentais para a formação integral. Um jovem que compreenda as limitações e potencialidades de seu corpo, que aprenda e interagir melhor consigo mesmo, com seus colegas e com o meio ambiente e que aprenda a desenvolver competências socioemocionais tais como a necessidade de lidar com frustração, a resiliência para encarar as adversidades cotidianas, o entendimento e a aprendizagem de lidar com a vitória e a derrota, entre tantas outras questões é, certamente, alguém mais preparado para os desafios de sua própria história e, assim, poderá protagonizar seus projetos de vida de modo muito mais assertivo.

Nível de felicidade elevado

Em diversos países do mundo, muitos dos quais apresentam resultados positivos em grandes testes globais e também em pesquisas que apontam a qualidade do ensino e mesmo o nível de felicidade dos jovens, a prática contextualizada e significativa da Educação Física na escola e das atividades físicas e esportivas no tempo fora da escola, tem sido cada vez mais estimulada no Ensino Médio. As contribuições desse componente curricular são tão evidentes que em diversas localidades tem havido inclusive o aumento da carga horária semanal e diária de Educação Física na escola. Quando muito se fala em “metodologias ativas” para a Educação, a Educação Física já trabalha nessa perspectiva há, pelo menos, algumas décadas em todo o mundo.

No Brasil, infelizmente, nos últimos anos, temos visto um movimento que caminha no sentido contrário dessa perspectiva. Propostas de redução do tempo e da carga horária da Educação Física, sobretudo no Ensino Médio, têm sido cada vez mais encontradas. O resultado desse movimento contraria o próprio conceito de Educação Integral e deve ser transformado.

Conclusão

Em suma, o papel da Educação Física na formação integral dos jovens é crucial. É justamente trazendo o corpo para o centro do processo de ensino e de aprendizagem que poderemos trazer vida, diversidade, alegria e movimento para a escola. Uma educação integral e ativa é, antes de tudo, uma educação do corpo e das subjetividades e que reconheça que em cada jovem mora um ser de sonhos e fantasias, de medos e angústias e de projetos de vida que compreendam a diversidade como forma elementar para a convivência humana.

 

Luiz Gustavo Bonatto Rufino

Graduado em Educação Física (bacharelado e licenciatura) e em Pedagogia. Mestre em Desenvolvimento Humano e Tecnologias e Doutor em Ciências da Motricidade pela Unesp Rio Claro. Possui experiência profissional na docência em todos os níveis de ensino, bem como em processos de formação inicial e continuada, produção de livros e outros materiais didáticos e assessorias pedagógicas/educativas. Atua nas redes públicas municipais de Paulínia – SP e Campinas – SP e no Centro Universitário de Jaguariúna (Unieduk). Em 2019, foi Vencedor do Prêmio Educador Nota 10.

 

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