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Família e Escola: parceria agora e sempre

12 de agosto, 2020 - Por e-docente

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É comum escutar em reuniões e encontros pedagógicos, que “as famílias não colaboram com a escola”, e também é comum as famílias reclamarem que “a escola faz assim, não faz assado…”. De todos os lados, escutam-se reclamações e, às vezes, acusações e culpabilidade. Essas atitudes em nada ajudam o desempenho e o rendimento dos estudantes. 

Diante da pandemia de Covid-19, esses papéis misturaram-se ainda mais e o contexto exigiu que escola e família estivessem ainda mais próximas no desenvolvimento de tarefas escolares.

O que fazer, então? Como estabelecer uma parceria entre as duas instituições primordiais no processo educacional de nossas crianças, adolescentes e jovens?

Família: a primeira instituição educativa da criança

A família é a primeira instituição educativa da qual as crianças fazem parte. Depois dela, temos agremiações, clubes, igrejas e outras que, de alguma forma, contribuem para a educação e a formação dos infantes.

Porém, a instituição responsável pelo desenvolvimento do processo educativo formal, é a escola. Apesar de desempenharem papéis sociais diferentes, essas instituições se complementam. E todas são fundamentais para o desenvolvimento integral do indivíduo.

Na família, desempenhamos papéis de filhos, netos, sobrinhos, irmãos, primos… Na escola, de aluno(a), de colega de classe. São papéis muito diferentes para os quais são exigidas diferentes habilidades socioemocionais. 

Quanto mais nos alinharmos no desenvolvimento dessas habilidades, melhor resultado teremos na formação de nossas crianças e jovens, que serão pessoas mais equilibradas, mais resilientes, mais determinadas, mais autônomas, protagonistas de sua vida.

Uma relação de parceria

O que fazer, então, para alinharmos nossas ações em prol do desenvolvimento integral dos nossos estudantes?

Em primeiro lugar, precisamos entender que uma instituição jamais substituirá a outra. Assim, não competimos por um espaço, mas ocupamos a parte que nos cabe. Portanto, devemos ser parceiros e não rivais.

Segundo, não devemos estar juntos apenas nos momentos difíceis, em que problemas aparecem em uma instituição ou outra, comprometendo o bem-estar dos estudantes. Essa parceria precisa ser constante, permanente, em todos os momentos.

Terceiro, precisamos eliminar de vez toda atitude de culpabilidade que possa existir para justificar fracassos, dificuldades surgidas durante os processos de ensino e de aprendizagem. Precisamos nos lembrar que, juntos, conseguiremos vencer todo obstáculo que surgir.

O papel da escola na vida do cidadão

Partindo disso, vamos retomar qual é o papel da escola na vida dos cidadãos. É na escola que estabelecemos as nossas primeiras relações fora do ambiente da família. Relações estas que nos moldarão para toda a vida.

A escola é responsável pela educação formal dos indivíduos. Nela, os conhecimentos científicos e os que circulam na vida e na sociedade são transpostos para uma linguagem adequada, tornam-se conhecimentos escolares e são partilhados e construídos com nossos estudantes. Por meio deles, vamos adquirindo e relacionando conhecimentos, e construindo a base, o alicerce que organiza os conhecimentos que já tínhamos e os que ainda construiremos ao longo de nossa vida. 

Para fazer essa transposição didática, do conhecimento científico e dos que circulam na sociedade para uma linguagem que os alunos possam ter acesso a eles, é preciso que profissionais da educação o façam. Professores, coordenadores, pedagogos, autores de livros e materiais didáticos, todos com vasta formação e muito estudo, conseguem transformá-los em elementos que ajudarão a formação das nossas crianças e jovens.

Não é tarefa fácil que pode ser desempenhada por qualquer pessoa. Não basta “gostar de criança”, é preciso ter formação, preparo, estudo contínuo, para descobrir como as crianças aprendem e quais são as melhores estratégias para o desenvolvimento de cada uma delas, entre outros fatores que influenciarão diretamente nos processos de ensino e de aprendizagem. 

Não basta saber como se ensina, é preciso saber como cada um aprende e como ensinar para cada um. É isso mesmo! Cada um aprende de um jeito, tem diferentes histórias de vida, diferentes habilidades, cada um requer um jeito diferente de ensinar, porque cada um tem um jeito diferente de aprender. E só conseguem desempenhar bem essa tarefa os profissionais do ensino.

O papel da família no processo pedagógico

Ao mesmo tempo, não podemos exigir que a família assuma esse papel, porque mesmo tendo, em alguns casos, formação acadêmica para isso, nas famílias as relações são diferentes: aquele professor, diante de seu filho ou de sua filha, não são professores, são pais, mães, avós, tios, irmãos, etc.

Isso muda toda a relação e os processos não acontecem da mesma forma. Sem falar que, a interação entre os estudantes, fator essencial para o seu desenvolvimento socioemocional, não acontecerá apenas no contexto familiar, mas também (e necessariamente) nas intervenções e mediações pedagógicas feitas pelo professor em sala de aula.

Qual é então o papel da família nesse processo? Apoiar a escola, desenvolver uma rotina de estudo, de leitura, de espaço e horário adequados para a realização das tarefas escolares que forem sugeridas para serem realizadas em casa. Garantir que os estudantes tenham esse espaço adequado, com os materiais disponíveis e reservem seu horário para esse fim. 

Outro ponto fundamental é valorizar a escola, os profissionais que atuam com seus filhos e filhas, a riqueza e o prazer que o conhecimento traz, a importância da Educação na transformação da vida de cada um e da sociedade. Elogiar, estimular, motivar as crianças e os jovens em cada descoberta. Procurar ouvir as suas construções, aprendizagens, sentimentos vividos na escola. Enfim, interessar-se pelo que está acontecendo na vida escolar dos estudantes é papel da família. Afinal, isso só atesta para eles o quanto são importantes para seus familiares.

Cada um reconhecer seu papel e desempenhá-lo da melhor maneira possível é o primeiro passo dessa caminhada de parceria. Mas são as escolas e os profissionais da educação os responsáveis por conscientizar as famílias e instruí-las sobre como o projeto pedagógico da escola está sendo desenvolvido e como cada um poderá cada vez mais apoiar esse projeto. 

Algumas ações e atitudes podem ajudar a estreitar esses laços e orientar as famílias. 

Dicas práticas para uma parceria de sucesso

  1. Conhecer a comunidade escolar, as famílias dos estudantes, entender a realidade social, cultural e econômica de cada uma delas, como se compõem, o que fazem, em que trabalham, como se divertem, que tempo têm juntos e como é esse tempo, que disponibilidade cada uma tem para o acompanhamento da rotina escolar e, sempre que necessário e possível, buscar possibilidades de melhoria da qualidade desse acompanhamento;
  2. Entender os melhores canais de comunicação com as famílias, os melhores horários para reuniões, as ferramentas que podem ser usadas para uma comunicação cada vez mais eficaz, inclusive utilizando tecnologias digitais;
  3. Convidar as famílias para estarem sempre presentes na escola, participando não só nos momentos de dificuldades e/ou problemas, mas no momento de decisões importantes, compartilhando a busca por melhores caminhos para a escola, afinal, ninguém fica feliz em um local onde só é chamado para ouvir reclamações de pessoas que lhe são queridas, não é mesmo?
  4. Investigar talentos entre as famílias dos estudantes e promover momentos de compartilhamento desses talentos. Quem sabe montar momentos para cada um expor e ensinar as atividades que domina? Criar oficinas, workshops, tendo as famílias como responsáveis por esses momentos. Isso valorizará o conhecimento dos estudantes e envolverá as famílias nos processos de ensino e de aprendizagem;
  5. Promover reuniões coletivas e individuais com o objetivo de compartilhar com as famílias o projeto pedagógico da escola: Quais são nossas intenções pedagógicas? Que tipo de indivíduo buscamos formar? Tais questionamentos, quando conversados, ajudam a família a entender o processo educacional que norteia a instituição escolar e que muitas vezes não fica claro para quem não é profissional da área educacional;
  6. Desenvolver projetos interdisciplinares que tenham produtos finais relevantes para a comunidade escolar e marcar horários para que todos participem da apresentação desses produtos e suas aplicações;
  7. Envolver os profissionais de ensino, alunos e toda a comunidade escolar em problemas que sejam da comunidade local, em busca de solução para os mesmos;
  8. Conversar com as famílias sobre a forma como cada estudante aprende, quais são suas necessidades, que apoio cada um precisará para desenvolver-se com tranquilidade;
  9. Compartilhar os resultados de processos avaliativos, socializando as possibilidades de intervenções pedagógicas que ajudarão a vencer as dificuldades identificadas e como cada um poderá ajudar nesse replanejamento e retomada;
  10. Valorizar a cultura da comunidade local, incentivar as expressões culturais em eventos e no dia-a-dia da escola, para reforçar a identidade de todos;
  11. Promover momentos de formação para as famílias, com profissionais de diferentes áreas, sobre temas que as ajudem na manutenção e melhoria de suas vidas, preservando a saúde, incentivando a participação social, lutando por uma cultura de paz, de não-violência;
  12. Sempre que possível, disponibilizar o espaço da escola para atividades da comunidade, como esportes, cursos de idiomas, música, momentos para cuidar da saúde física e mental, tornando a escola um local acessível e agradável para todos.

É sempre importante criar espaços e fóruns para discutirem e buscarem as alternativas, de acordo com cada realidade, respeitando os espaços e atribuições de cada um, para cada vez mais estreitar laços e garantir relações saudáveis e respeitosas.

Estas relações irão promover uma convivência harmônica, contribuir para o crescimento de todos e construir instituições cada vez mais fortes, capazes de formar cidadãos responsáveis, críticos, fortes, determinados, capazes de buscar a realização de seus projetos de vida, de interferirem positivamente e transformarem a si mesmos, as pessoas e a sociedade em que vivem.

 

Rosana Moura Aguiar
Pedagoga, especialista em Supervisão Pedagógica e em Educação Inclusiva.
Coordenadora da equipe de assessoria pedagógica das Editoras Ática, Saraiva e Scipione na rede pública.

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