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Dia do Índio: Por que a data é importante e como trabalhá-la em sala de aula?

14 de abril, 2022 - Por e-docente

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Estamos no momento de referendar os povos indígenas e realizar o devido destaque à pluralidade dos diferentes grupos envolvidos. Esse realce é necessário por se tratar das múltiplas origens culturais e étnicas que são originárias do Brasil. 

É exatamente nesse sentido que vamos refletir a prática docente na perspectiva dos povos originários da terra, que habitam o país muito antes da chegada dos portugueses, ou seja, os povos nativos e seminômades que viviam da caça, pesca, coleta e agricultura itinerante.

Diante de tantos aspectos contextuais, apresentamos os preservativos e os da vivência nativa constituída da essência no cuidado com a natureza. Entretanto, os povos indígenas foram amplamente exterminados ao longo dos mais de 500 anos, por diferentes fatores, doenças vindas de outros lugares, pela negativa sobre as suas terras demarcadas e por todos os direitos nem sempre garantidos. 

Podemos afirmar, com base no presente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2020, que estimamos a presença de 896,9 mil de indígenas no país.

Os benefícios da cultura indígena no currículo escolar

A partir da organização dessas informações aqui apresentadas, torna-se muito importante refletirmos a prática das escolas sobre a vida, costumes, direitos e, acima de tudo, sobre o respeito pela história dos povos indígenas na conjuntura brasileira.

É preciso deixar evidente que, em todos os períodos do ano, a reflexão sobre esse conteúdo deve ser desenvolvida nas escolas. Porém, o mês de abril, apresenta um importante momento de reflexão na dinâmica escolar das crianças e pela cultura já anteriormente estabelecida.

E, nessa situação, cabe referendar e propagar a história contínua dos povos indígenas no Brasil, com o reconhecimento da diversidade étnica dos povos originários, em todas as regiões brasileiras. 

Diante desse fato, cabe o reconhecimento das crianças sobre quais povos estão na origem da região brasileira a qual moram. Essa construção é muito favorável para perceber que o próprio país não fala apenas a língua portuguesa, como muito se propaga, mas apresenta centenas de línguas que são constituídas de cada povo.

Essa ideia do Brasil e das suas múltiplas linguagens deve ser refletida, em todas as idades, como elemento constitutivo da nossa cultura.

Diante disso, apenas modificando a lógica dos projetos pedagógicos e o aprofundamento dos conteúdos, que devem ser tratados de maneira integrada, nas diferentes áreas e para as diferentes turmas, é necessário inicialmente propor um desafio para os estudantes, objetivando uma comparação entre a origem do povo indígena e a moradia de cada estudante.

Sugestão de atividade para sala de aula

Discutir diferentes etnias

Um desafio interessante para a prática docente seria propor para o/a estudante a seguinte reflexão: se você tivesse nascido antes de 1500, qual seria a sua etnia? 

Para a realização dessa pesquisa, precisamos entender a organização dessas etnias, e destacamos que todo o litoral brasileiro possui do norte ao sul as seguintes etnias: Tupinambá, Tremembé, Potiguara, Tabajara, Caeté, Tipinambá, Tupiniquim, Aimoré, Goitacaz, Temiminó, Tupiniquim, Carijó (Guarani), Charrua.

Para a região central do Brasil, temos, (esse também no Sul do Brasil), Aruak e Tupi-guarani. Para o Norte, temos Karib, Tukano, Aruak e Pano

Nesse giro brasileiro das etnias, cabe para a prática de cada professor aprofundar quais são características de sua região e propor pesquisas e estudos dos seus costumes, vivências, cultos com momentos de produção artísticas acerca desses costumes originários na sua localidade.

Produção de Texto

Outra atividade seria a produção de texto sobre os pontos comuns ou distantes dos nossos costumes e daqueles que são importantes para cada povo. Temos também as representações diversas das características desses povos como forma de expor a compreensão dessa vivência.

Além disso, é importante destacar que as turmas podem elaborar gincanas do conhecimento como forma de socializar os elementos significativos estudados e mencionados também com a participação dos pais e das comunidades. Esse tipo de atividade é muito instigante e participativa para as crianças.

Para o segundo momento de proposição prática para a sala de aula, evidenciamos o trabalho com os mapas e os povos característicos nas suas localidades. O grupo de estudantes pode se deslocar para algum museu e pesquisar sobre os povos específicos do seu espaço local e ir até as localidades indígenas para ver as moradias e realizar trocas de experiências.

Entrevistas e Apresentações

Outra situação interessante de realizar é o trabalho de procurar personalidades indígenas que se destacam na defesa das etnias brasileiras e construir relatórios para realizar entrevistas de apresentação dos costumes e vivências, como uma experiência marcante para as crianças e adolescentes.

Para um momento final, cabe um trabalho de estudo dos vocabulários. É muito importante perceber que usamos, no cotidiano, palavras que são dos povos originários; e essa descoberta faz o estudante desenvolver o sentimento de pertencimento e, com isso, transformar a distância dos costumes, pela diferença cultural, em aproximação e respeito pela origem indígena que existe no Brasil.

Nesse contexto, da história dos indígenas, queremos destacar elementos que são importantes para a prática docente nas escolas, de forma a propagar uma homenagem que garanta a construção dos conhecimentos dos estudantes, na garantia dos direitos dos povos indígenas no Brasil, bem como no conhecimento de vivermos a coletividade de ter todos juntos, numa só nação, mas cada qual com suas características e vivências próprias. 

É necessário conhecer e respeitar todos os envolvidos para continuarmos juntos na elaboração de um país integrado e coletivo. 

Portanto, vamos destacar conceitos e práticas que faz o conjunto cultural ser vivido e respeitado por todos. Assim, construir uma elaboração de trocas culturais de conhecimento para essa temática poderá ampliar as possibilidades de reflexões nas escolas e vivenciar o outro como ser constitutivo de cultura própria e coletiva, são eles:

Conceito da diversidade – Prática Integrada:

A diversidade é transversal e precisa ser vivenciada nas escolas para diferentes conteúdos e, principalmente, para as temáticas indígenas. O assunto em questão apresenta a reflexão maior pelo respeito aos valores coletivos e individuais. 

Para a diversidade na educação, a questão muito importante a ser considerada é sobre o ambiente escolar inclusivo e a realização de uma prática educativa integrada, que apresenta aos estudantes os diversos aspectos culturais existentes na sociedade.

Conceito do Respeito – Prática Mútua:

O respeito deve ser praticado em uma ação mútua nas relações escolares. Esse conceito está projetado para toda diversidade, tratada anteriormente, e deve ser planejado para as práticas de sala de aula. 

Para a temática indígena, o professor deve, principalmente, construir uma ambiente de interação e respeito ao desconhecido. O assunto se torna familiar ao ser colocado em prática.

Conceito da Cooperação – Prática Cooperativa:

O conceito de cooperação representa objetivo comum na educação, ou seja, uma determinada prática com métodos comuns para todos os envolvidos. O tema indígena leva a colaboração para a necessidade máxima do coletivo.

Todos cooperam com o desenvolvimento de todos em uma ação individual para o coletivo. Ações cooperativas na escola exercitam a vivência do conceito.

Conceito do Meio Ambiente – Prática Preservativa:

O conceito do meio ambiente está intrinsecamente relacionado à prática preservativa. Essa organização, que deve ser vivenciada na ação pedagógica das escolas, pode relacionar-se à preservação indígena na natureza.

O assunto trata da vivência de todos os estudantes, com práticas planejadas, desde a separação do lixo na escola até as formas de reciclagem se efetivando nos lares e no coletivo social.

Renata Araújo Jatobá de Oliveira é Investigadora de Pós-doutoramento em Educação pela Universidade de Lisboa/Portugal; Doutora em Ciências da Educação pela Université Lumière Lyon 2 – França; Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Brasil; Especialista em Éducation Pédagogique et Culture(s) de l’Altérité pela Université Claude Bernard Lyon 1 – França; professora de Ensino Superior; membro/formadora do Centro de Estudos em Educação e Linguagem da Universidade Federal de Pernambuco (Ceel/UFPE); consultora educacional com os programas Alfagestar (@alfagestar) e Criative-Lar (@criativelar); palestrante; mentora para orientação dos estudos e seleções de mestrado e doutorado; e pesquisadora de educação e linguagem; autora de materiais didáticos e pedagógicos para a Educação Infantil e o Ciclo de Alfabetização. Atua como Técnica Pedagógica na Secretaria de Educação do Recife e do Estado de Pernambuco. Possui o canal do Papo Educa (@papo_educa) para trabalhar com formação de professores envolvendo prática pedagógica, didática, metodologias do ensino com aulas remotas e ensino híbrido, entre outras temáticas. E-mail: renata_jatoba@hotmail.com

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