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Data Comemorativa: Dias das Mães

06 de maio, 2022 - Por e-docente

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Como planejar sobre o dia das mães e desenvolver a memória afetiva e os valores das crianças

As crianças vivenciam momentos significativos que são realizados nas escolas para construir a compreensão de mundo e para desenvolver as memórias afetivas que ficarão presentes ao longo da vida e que são rememoradas em diferentes situações, quando a lembrança volta à tona na vida adulta.

São inúmeras práticas escolares que tratam o dia, tão especial, que homenageia as mães. 

Para o segundo domingo de maio, temos anualmente a data estabelecida no calendário social e esse aspecto evidencia a importância de demonstrar os sentimentos no ambiente escolar, por quem se dedica aos cuidados envolvidos na criação dos filhos.

Para os professores, que elaboram as práticas pedagógicas a serem desenvolvidas em suas turmas, já se tornou comum planejar ações que visam emocionar mães por meio de um presente, seja qual for sua configuração (uma apresentação musical, uma arte confeccionada pelos estudantes etc.).

É preciso evidenciar, no entanto, que o Dia das Mães simboliza uma série de aspectos que precisam ser abordados nas escolas em suas diversas possibilidades, a começar pela própria representação do que é “ser mãe”; para cada família, é uma concepção única na vida das crianças. 

É muito importante demonstrar o amor pela vida e pelas pessoas que são as representantes da mãe na construção de família para todos os envolvidos da turma. Esse respeito por parte das práticas planejadas e por parte de todos os envolvidos na sala de aula fará a diferença no sentimento de pertencimento que cada criança terá, nas dinâmicas desenvolvidas na escola, para esse período.

Não é preciso necessariamente modificar terminologias para desenvolver a inclusão, mas é necessário ter a clareza nas práticas e no tipo de organização delas, para compor a ideia de que a representação de mãe pode estar atrelada a qualquer pessoa que atua nos cuidados da criança e que realiza o papel de amar e educar para toda a vida. 

Além disso, sabemos que o apelo imagético também é forte neste período, o que configura uma ótima oportunidade de refletir, através de imagens de famílias de várias configurações, sobre a pluralidade de sentidos quanto a “ser mãe”, uma vez que é possível demonstrar que as composições são particulares de cada criança e que aquela dada representação, que pode ser distante de uma criança e próxima da outra, tem significados diferentes e precisa ser aprendido na escola.

Dessa maneira, há sempre a possibilidade de identificação – e consequente pertencimento – por parte de crianças que reconheçam outras composições possíveis; e, no caso das que desconheçam ou estranhem, tem-se uma oportunidade de apresentá-las, em uma promoção de competências importantes, como o desenvolvimento da empatia, do repertório sociocultural etc. 

Portanto, essa organização pedagógica poderá ser uma homenagem significativa para a exposição do amor que se sente por aqueles que cuidam e que são reciprocamente amados pelas crianças. 

Diante disso, é muito importante desenvolver práticas pedagógicas que evidenciem os valores de ser mãe.

Um bom início seria propor um trabalho de reflexão sobre a própria palavra “Mãe” – o que significa? qual sua origem? – e, nesse intento, proporcionar a construção de sentidos sobre a valoração da figura de mãe, para ser entendida por qualquer idade envolvida nessa prática.

Reflexões sobre o motivo da existência desse dia também são fundamentais. 

Pensar em como a sua família comemora este dia faz o estudante resgatar o sentimento de amor existente no lar ou ainda problematizar, a partir do diálogo com as histórias de seus colegas, sobre a dinâmica de seu seio familiar. 

Para esse fim, cabe realizar uma roda de leitura sobre ser mãe em variadas culturas, em tempos históricos distintos etc.

Dependendo da idade da criança, pode ser realizada uma pesquisa mais simples ou mais aprofundada, em sites e pesquisas estatísticas específicas na temática, sobre diferentes mães. 

São muitos tipos de mães que podem ser abordados na mediação dos grupos, como aquelas mais calmas, mais amorosas, mais agitadas; aquelas que trabalham em casa, as que trabalham fora, as que estudam ou viajam, entre tantas outas possibilidade.

Cada perfil de mãe, por exemplo, pode ser “defendido” oralmente pelos estudantes, em que cada um teria que argumentar, usando estratégias diversas que também podem ser trabalhadas em conjunto, dos porquês de amar uma mãe daquele tipo. 

Essa argumentação pode ser, em seguida, transposta para uma produção escrita e artística em homenagem à diversidade ou a um dado perfil de mãe, por exemplo. 

Diante dessa produção, cabe o reconhecimento das crianças sobre os valores de tolerância, amor, compreensão, paciência, compaixão, honestidade, perseverança, perdão, entre outros que possam surgir na reflexão coletiva. 

Essa construção é muito favorável para perceber o sentimento de respeito, solidariedade e renúncia que existe em qualquer família.

Para tanto, esse trabalho deve ser vivido na lógica dos projetos pedagógicos que valorizam a avaliação constante do processo do estudante aprendendo e vivendo esse conjunto de emoções. Cabe ao professor cuidar das construções emocionais e pedagógicas pela atenção que a temática apresenta.

O trabalho de intermediação-planejada, conceito que desenvolvemos em estudos científicos, possui a lógica do trabalho integrado e interligado com ações que necessitam de intervenções imediatas diante das emoções e reações apresentadas pelas crianças.

Os projetos são ferramentas excelentes de acompanhamento e mediação docente pelo desenvolvimento do produto final que, neste caso, será a produção da homenagem para as mães que vamos propor que seja algo elaborado com a criatividade da criança. 

Nada de padrões únicos e de atividades em que a criança apenas realiza a ilustração. A produção autônoma faz a criança lembrar, por toda a sua vida, que um dia criou algo, que foi com todo o amor para sua mãe, e que isso foi valorizado por todos da escola, além de recebido com carinho pela mãe.

Para o momento final, cabe a construção da própria produção. Para desenvolver isso, sugerimos a disponibilização de vários materiais a partir dos quais a criança possa elaborar uma ideia do que será produzido.

Respeite o tempo de maturação dessa ideia para a criança pensar sua produção, já que é o momento crucial para o desenvolvimento da criatividade, sobretudo em cooperação com amigos e com autonomia.

Depois dessa criação, que pode envolver qualquer tipo de representação que se deseje ofertar à mãe, é importante propor uma atividade coletiva, como a produção de um painel com as homenagens criadas ou com a listagem de palavras que melhor representem a mãe de cada um. 

Pode ser, alternativamente, uma frase, uma música, um poema, um texto, uma história de um lugar, uma foto, entre tantos outros. 

A ideia é ter um painel rico em possibilidade de representações e um espaço dedicado à escrita, por cada família junto com a criança, de como foi esse momento e o sentimento em ver o painel e a produção do filho no cantinho das homenagens.

Por essa perspectiva, trabalhando-se o Dia das Mães na busca pela construção de memórias afetivas e do conhecimento de valores, a data pode contribuir com o desenvolvimento de inúmeros objetivos na formação das crianças, dentre os quais destacaremos seis. São eles:

  •  Demonstrar carinho e interesse pela produção construída pela criança por parte do professor, da própria criança e da mãe envolvida para que o filho sinta-se amado e demonstre amor em todas as situações da vida;
  •  Viver situações de ensino-aprendizagem que ajudem a criança a pensar que suas mães são pessoas que existem para além de ser mães; que possuem projetos de vida, desejos e/ou medos, e que a relação familiar contribuir para o equilíbrio das diversas situações da vida;
  •  Desenvolver valores que ficarão para a vida adulta e que contribuirão para a construção de atitudes de respeito e solidariedade às mães, que é a representação mais importante na vida de uma pessoa;
  • Compreender que o valor e o respeito à mãe devem existir em todas as situações da vida, e não apenas em momentos de homenagem;
  • Salientar a importância da participação da família na vida do filho, não apenas no momento das homenagens escolares, mas nas diversas situações que são vividas no cotidiano, nem sempre valorizadas na rotina diária;
  • Proporcionar momentos de troca mútua do amor em trabalhos escolares para que esse sentimento prevaleça para além da escola e se nutra cotidianamente na vida familiar, pautada pelo apoio incondicional e pela união afetuosa que promova a criação de variadas memórias afetivas.

Renata Araújo Jatobá de Oliveira é Investigadora de Pós-doutoramento em Educação pela Universidade de Lisboa/Portugal; Doutora em Ciências da Educação pela Université Lumière Lyon 2 – França; Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Brasil; Especialista em Éducation Pédagogique et Culture(s) de l’Altérité pela Université Claude Bernard Lyon 1 – França; professora de Ensino Superior; membro/formadora do Centro de Estudos em Educação e Linguagem da Universidade Federal de Pernambuco (Ceel/UFPE); consultora educacional com os programas Alfagestar (@alfagestar) e Criative-Lar (@criativelar); palestrante; mentora para orientação dos estudos e seleções de mestrado e doutorado; e pesquisadora de educação e linguagem; autora de materiais didáticos e pedagógicos para a Educação Infantil e o Ciclo de Alfabetização. Atua como Técnica Pedagógica na Secretaria de Educação do Recife e do Estado de Pernambuco. Possui o canal do Papo Educa (@papo_educa) para trabalhar com formação de professores envolvendo prática pedagógica, didática, metodologias do ensino com aulas remotas e ensino híbrido, entre outras temáticas. E-mail: renata_jatoba@hotmail.com

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