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Filmes em sala de aula: como trabalhar e qual a sua importância

25 de maio, 2022 - Por e-docente

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Muito provavelmente, você ainda se lembra do primeiro ou do mais impactante filme a que assistiu no cinema durante a infância. Deve recordar-se também das sensações que ele causou ou do aprendizado que proporcionou. 

Certas marcas são mesmo indeléveis, inclusive por contribuírem com a formação do ser humano adulto que, atualmente, relembra com carinho ou saudade do arrebatamento que uma obra audiovisual lhe trouxe. 

Utilizar, portanto, do cinema e suas derivações como recurso didático pode ser algo bastante eficaz. Notadamente quando, para além do conteúdo programado, busca-se a inserção efetiva de temas transversais em sala de aula, além da ampliação do repertório cultural que culmina na formação mais crítica do indivíduo. 

Temáticas das mais diversas, como sustentabilidade, bullying, ética, cidadania, empatia, coragem, determinação ou meio ambiente, por exemplo, podem ser mais bem debatidos por meio desta experiência estética e sensorial.

Qual a importância do filme em sala de aula

Além de ser uma estratégia eficaz e certeira na construção do conhecimento que se objetiva em dado momento, a utilização do recurso audiovisual em sala de aula ainda traz outros resultados na formação sociocultural do estudante, tais como:

1 – Aumento do vocabulário e familiaridade com um segundo idioma

Na fase de desenvolvimento dos 0 aos 6 anos, o cérebro da criança está especialmente apto e favorável a novos aprendizados. As animações que tanto a atraem configuram-se, portanto, como uma ferramenta de ampliação deste vocabulário que está se formando. 

Ainda nesta faixa etária e depois dela, a utilização destes vídeos também pode ser instrumento de aprendizado de um segundo idioma. Isso porque a informação visual ajuda os pequenos a apreender o sentido das palavras, e sua assimilação ocorre de forma mais natural.

Além disso, diferentemente dos adultos, o cérebro infantil nessa faixa etária (0 aos 6 anos) interpreta os diversos vocábulos referentes a uma determinada coisa ou pessoa como um único elemento.

2 – Favorecimento do desenvolvimento socioemocional

Quando alguém conta uma história com verdade, sentimento e boa articulação, não importa se é criança ou adulto quem ouve: a tendência é embarcar na experiência e espelhar os sentimentos dos protagonistas. 

Livros, filmes ou contação de histórias possuem este poder de aflorar o desenvolvimento de uma das mais importantes competências socioemocionais: a empatia. Para as crianças, experimentar os sentimentos dos personagens as ajuda a fomentar sua sensibilidade às experiências alheias, o que lhes será fundamental nas interações sociais presentes ou futuras.

3 – Ampliação do repertório sociocultural

Ao deparar-se com variados costumes, falares, modos de agir etc., por meio de filmes, as crianças têm a oportunidade de ampliar seus repertórios socioculturais, o que será decisivo para sua formação da mente e de seu pensamento crítico, analítico. 

Dessa maneira, conhecendo contextos culturais distintos com os quais, muitas vezes, não será possível entrar em contato de outra maneira ao longo da vida, é de suma importância para refletir/intervir na realidade e no contexto em que vive.

4 – Estímulo à criatividade

Como fazer surgir algo novo do nada? Nosso cérebro precisa de diversificadas referências para que possa criar algo a partir delas. Filmes e outras manifestações artísticas são imprescindíveis no sentido de configurar esse repertório, contribuindo para a formação de uma visão crítica de mundo. 

E não se trata apenas de que a criança tenha mais facilidade de desenvolver um trabalho escolar do currículo (artístico ou não), mas, sim, de ter mais possibilidades de encontrar soluções diversas para seus problemas, impasses ou situações rotineiras.

Debate em sala de aula como estratégia pedagógica

Estimular os alunos a assistirem a determinado exemplar da sétima arte ou, para ainda ter mais proximidade com as dinâmicas da sua geração, a um seriado, traz, em si, todo o arcabouço de benesses citadas acima. 

É possível, entretanto, aprimorar a consistência dessas reflexões que a sessão proporciona. Debates ao final da exibição, ainda que de forma lúdica, envolvendo todos os eixos pertencentes ao tema abordado contribuem para tal. 

Trata-se, ainda, de uma nova forma de trabalhar premissas básicas da comunicação em grupo: cada um tem sua vez de falar e ouvir. Outra forma de estimular a autonomia, sensação de pertencimento e de trabalho coletivo é pedir que os estudantes escolham, em grupo, os próximos filmes a que queiram assistir. 

O professor pode, ainda, aprofundar essa esfera do conhecimento ao abordar informações como a história do cinema, seu surgimento ou profissionais envolvidos.

Filmes para passar em sala de aula

Wall-E

A animação é uma distopia. O ano é 2700 e o planeta está praticamente desabitado, devido ao excesso de lixo. O protagonista é o robô cujo nome dá título ao filme e que atua na compactação e organização de todo esse entulho. 

O filme é um mote para que se possa conversar a respeito de temas diversos e interligados como descarte saudável do lixo, desenvolvimento sustentável, consumismo exacerbado, reciclagem e tecnologia.

Ponyo: uma amizade que veio do mar

A animação japonesa do ano de 2008, além da estética diferenciada, traz uma temática um tanto inédita: trata-se da história de Sosuke, um garoto de cinco anos que mora em um penhasco com vista para o mar e que acaba conhecendo a protagonista Ponyo, criatura marinha que sonha em ser humana para vivenciar esta amizade de forma mais intensa.

As diversas aventuras vividas pela dupla permitem a abordagem de temas como desequilíbrio ambiental, respeito à flora e à fauna marítima, respeito às diferenças e aos idosos.

Divertida Mente

Sucesso da Disney-Pixar de 2015 conquistou crianças e adultos pelas suas múltiplas possibilidades de interpretação. Na trama, Riley, com 11 anos de idade, recebe a notícia que sua família vai precisa mudar de cidade, o que lhe gera diversas emoções, desde a surpresa e a revolta iniciais, passando por todos os sentimentos envolvidos na transição, até sua vida em novo lar. 

Tudo isso pode ser acompanhado pelo telespectador através da personificação das emoções da garota, que atuam dentro do cérebro dela: Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojo. Uma oportunidade de debater sobre a forma como lidamos com as emoções e o fato de cada uma delas ter sua função e papel na vida de cada um.

Shrek

O original filme norte-americano de 2001 é uma animação computadorizada dos gêneros fantasia, aventura e comédia, livremente inspirado pelo livro Shrek!, escrito por William Steig e lançado em 1990.

Como paródia de outros filmes baseados em fantasias infantis, tanto o original quanto as suas continuidades despertam o senso crítico das crianças e alertam para a importância de que elas não se apeguem às aparências físicas, valorizando mais o caráter, a honestidade e os bons sentimentos das pessoas.

Ratatouille

Produção da Pixar, Ratatouille foi contemplado com o Oscar de melhor animação em 2007. Na trama, Remy é um ratinho com habilidades culinárias extraordinárias que acaba tornando-se um grande chef.

Além de desafiar o senso comum (um rato cozinhando, sobretudo pela associação do animal a restos de comida), o filme permite abordar o fato de que capacidade, genialidade, ascensão e sucesso independem das origens de cada um.

Procurando Nemo

Aclamadíssimo filme da Pixar, de 2003, o pequeno peixe-palhaço, Nemo, vive aventuras prazerosas e perigosas após ser capturado por um mergulhador. Enquanto isso, seu pai o procura pelo vasto oceano a fim de levá-lo de volta para casa.

É uma animação que também pode trazer à baila diferentes temas como amor entre família e amigos, importância de obedecer aos pais, coragem para enfrentar os próprios medos e superação.

Familia Mitchel Revolta Máquinas

Possui grande apelo junto ao público infantil e infanto-juvenil, esse filme de uma leva mais recente, 2021, traz a história de uma adolescente, Kate, que embarca em uma viagem com seus pais, irmão mais novo e cachorro para começar seu primeiro ano na faculdade. Os planos dos pais de fortalecerem a união são interrompidos quando os dispositivos eletrônicos do mundo se revoltam e rapidamente organizam um apocalipse robô. 

A partir daí, somente a família Mitchell pode salvar a humanidade. Uma trama que envolve relações familiares e a necessidade do respeito às diferenças, além dos perigos do aparato desenfreado da tecnologia podem ser motes de debates e conversas. A animação ainda possui um personagem como representante da comunidade LGBTQIA+.

Encanto

Vencedor do Oscar de melhor filme de animação de 2021, essa verdadeira pérola da Walt Disney Animation Studios conta a história dos Madrigal, uma família que vive escondida nas montanhas da Colômbia em uma casa mágica.

Na trama, todos os meninos e meninas da família possuem um dom único, exceto a protagonista Mirabel. Quando ela descobre, entretanto, que a magia que cerca o Encanto está em perigo, decide que pode ser, ela mesma, a última esperança de sua família excepcional.

Uma trama que vem contagiando as crianças em todo mundo e que, por si só, já traz o conceito da representatividade de uma família tipicamente latina (nas feições, vestuário e canções) em um ambiente hollywoodiano. Além disso, também permite a abordagem da valorização individual de cada um, com suas qualidades e defeitos, da tolerância, coragem e do respeito às diferenças.

Patrícia Monteiro de Santana

Jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco em 2000. Com atuações em veículos como TV Globo, Revista Veja e Diario de Pernambuco, além de atuante em assessoria de comunicação empresarial, cultural e política.

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