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Aula remota ao ensino híbrido na Educação Infantil

25 de março, 2021 - Por e-docente

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Podemos afirmar que um dos segmentos mais prejudicados pelo distanciamento social imposto pela pandemia é o da Educação Infantil. A relação indissociável da escola, que envolve o cuidar e o educar, não deve ser deixada de lado na aula remota. Isso implica o respeito às especificidades deste período de vida da criança pequena, que é importante e singular para o desenvolvimento humano.

A Educação Infantil precisa privilegiar a manutenção do vínculo humano, intensificar as relações com as famílias, propor o protagonismo da criança, criar práticas de ligação entre os Campos de Experiência no próprio lar e na escola. Além disso, precisa também desenvolver interações que privilegiem a elaboração do pensamento da criança, a efetiva concretização da ação que trata da criatividade infantil, do aprendizado e da vivência que envolve as emoções.

Todas essas relações poderão servir para garantir o desenvolvimento infantil, que precisa ser estimulado na primeira infância. Portanto, essa pauta recorrente de reflexão e pesquisa sobre o ensino remoto, que representa as principais dúvidas dos professores, da comunidade escolar e da academia, é o exemplo de estratégia para buscar o melhor entendimento pedagógico e contribuir para a efetivação de uma prática docente inovadora.

Essa atuação docente remota que, a princípio, surgiu como uma prática inicial, para dar conta da continuidade do ensino, precisa evoluir para a efetivação da ação híbrida nas escolas. Muitos desafios se apresentam no trabalho a distância, caracterizado pela aula remota, na Educação Infantil. Apesar deles, é preciso continuar a garantir aprendizagens e o desenvolvimento integral para todas as crianças, encontrando novos caminhos e perspectivas para essa ação docente.

Como fazer ensino híbrido na educação infantil?

Um desses caminhos é entender a realidade do Trabalho Remoto e do Ensino Híbrido. Cada qual precisa ser melhorado, desenvolvido e efetivado. O Ensino Remoto precisa evoluir para garantir as características da educação Infantil, ou seja, práticas rápidas e com o objetivo no desenvolvimento dos Campos de Experiência. Em contrapartida, o Ensino Híbrido terá sua implementação quando os momentos presenciais e on-line forem retomados no espaço escolar, com a participação de todas as crianças.

Nessa perspectiva, a composição do hibridismo está diretamente associada com diferentes metodologias, tais como: sala de aula invertida, laboratório rotacional ou rotação por estações, entre outros modelos, que podem garantir a coleta de informações e análise dos dados para realizar um ensino ajustado, ou seja, o professor se adequando a realidade presente de cada criança. A partir desse contexto precisamos planejar, aprimorar e efetivar o Ensino Híbrido na realidade da educação brasileira.

Não basta apenas afirmar que esse tipo de ensino pode não ser eficiente ou pode ser prejudicial para a Educação Infantil, diante das orientações médicas nacionais e internacionais para o uso prolongado de telas para crianças. O Trabalho Remoto não deve se restringir apenas às aulas no computador e principalmente, para educação infantil, deve ter objetivo relacionado ao momento da interação, entre as crianças da turma, e no período máximo de 15 a 20 minutos por dia.

Defendemos que todas as demais interações devem ser tratadas por meio de vivências propositivas no lar e com o estímulo às descobertas e pesquisas que a própria casa pode proporcionar. Nada melhor do que o professor planejar espaços e vivências que poderão integrar família e crianças em situações possíveis e reais no próprio lugar onde moram. Nesse momento, o mais importante é proporcionar a formação docente relacionada às diversas possibilidades de práticas da aula remota até a realização da posterior implementação do Ensino Híbrido na educação.

A questão que está presente nesse momento é: como podemos implementar o Ensino Híbrido na realidade em que vivemos? É tempo “do cuidar” e educar que, na pandemia, significam olhar para a criança e a sua integridade. E, com a mudança de paradigma, para esse momento da prática docente, o olhar para a concepção de criança, infância e escola de Educação Infantil foi se reconstruindo de acordo com as rápidas transformações que a sociedade está enfrentando.

Leia também: Ensino Híbrido na matemática: cuidados pedagógicos e novas abordagens.

Como funciona o sistema híbrido para os professores?

Precisamos ter professores com ênfase nessa transformação e sabendo como é possível desenvolvê-la. Fazendo uma analogia a outra profissão, é preciso ser como os jardineiros que preparam o solo para a transformação e saúde da planta. Acreditamos na ação docente que, no período da pandemia, ajudou a desenvolver práticas diversas, priorizando cada criança na sua singularidade e centralidade em si mesma.

Nessa perspectiva, cada professor pode aproveitar esse foco da criança em si e nas suas potencialidades, para contribuir com todas as suas experiências previamente elaboradas. Essas experiências, que serão materializadas na medida em que o contexto disponibilizar alguns atrativos ou vivências possíveis, nesse atual cenário de vida, poderão ser trabalhadas e exploradas diretamente relacionadas à organização didática e pedagógica do planejamento docente.

Na prática docente, não devemos nos limitar ao espaço físico ou, muito menos, afirmar que a Educação Infantil está em péssimas condições de atuação do professor, justificada pela situação pandêmica. Não serão essas afirmações que poderão contribuir com o momento. Precisamos imaginar que existe o Ensino Híbrido que pode ser desenvolvido para qualquer idade, com as práticas estudadas para essa efetivação e para congregar as diferentes exigências educacionais da sociedade atual. A relação presencial e/ou a distância para a educação é de fato essencial para o aprendizado das nossas crianças.

Estabelecer uma implementação do híbrido na Educação Infantil, bem como na educação básica, exige uma nova organização do ensino. A organização dos documentos legais é o caminho inicial, pois, essa efetivação precisa acontecer, sobretudo, no âmbito do Ministério da Educação, em orientações nacionais. Atualmente, os documentos publicados estabelecem uma organização emergencial, com a necessidade do afastamento social, para o Trabalho Remoto.

Quais as consequências da pandemia no ensino?

No Brasil, temos o que expressa o Parecer do Conselho Nacional de Educação, CNE/CP Nº 5/2020, aprovado em 28 de abril de 2020, em virtude de uma pneumonia de causas desconhecidas detectada em Wuhan, China, com reportação pela primeira vez pelo escritório da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 31 de dezembro de 2019. O surto foi declarado como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em 30 de janeiro de 2020.

Nesse contexto, a OMS declarou, em 11 de março de 2020, que a disseminação comunitária da COVID-19 estava em todos os continentes, o que a caracteriza como pandemia. Para contê-la, a OMS recomendou três ações básicas:
isolamento e tratamento dos casos identificados, testes massivos e distanciamento social. O Ministério da Saúde editou a Portaria nº 188, de 3 de fevereiro de 2020, publicada no Diário Oficial da União (DOU), em 4 de fevereiro de 2020, declarando Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, em razão da infecção humana pelo novo Coronavírus (COVID-19).

A Medida Provisória nº 934, de 01 de abril de 2020, que estabelece normas excepcionais sobre o ano letivo da educação básica e do ensino superior decorrentes das medidas para enfrentamento da situação de emergência de saúde pública de que trata a Lei n.º 13.979/2020. Assim, Estados e Municípios vêm editando decretos e outros instrumentos legais e normativos para o enfrentamento da emergência de saúde pública, estando, entre elas, o misto entre suspensão das atividades escolares de modo presencial e a realização de atividades de aulas presenciais em outras localidades.

Conclusão

Nesse momento, precisamos estruturar a organização do ensino de forma a sair do estágio emergencial de organização para o estágio de estruturação e reflexão sobre como fazer valer, na prática, essa relação de ensino que respeite as crianças pequenas e suas elaborações, que são estruturantes para o desenvolvimento infantil.

Nessa construção, é preciso pensar em estabelecer um ensino progressivo e planejado que possa disponibilizar atividades pedagógicas para momentos presenciais e não presenciais, viabilizando ações específicas de articulação, formação pedagógica e acompanhamento / monitoramento, com a finalidade de contemplar toda equipe pedagógica das redes de ensino que são os gestores(as), coordenadores(as), professores e estudantes da Educação Infantil, garantindo o direito constitucional de acesso e permanência à educação, na perspectiva de estabelecer as possíveis relações pedagógicas decorrentes dessas diferentes práticas, sempre respeitando e valorizando os Campos de Experiências que precisam ser desenvolvidos também nessa prática.

Neste contexto, inserem-se as ações planejadas com suporte pedagógico e tecnológico, por meio da realização de atividades pedagógicas não presenciais mediadas por tecnologias digitais de informação e comunicação, ou não mediadas por tecnologias digitais de informação e comunicação, quando o uso destas tecnologias não for possível. Consideramos, ainda, as novas necessidades decorrentes de um momento efetivo de implementação do Ensino Híbrido, principalmente para Educação Infantil, como:

  • organização do planejamento híbrido levando em consideração as atividades presenciais e remotas;
  • realização de vivências que estimulem a relação escola-família e a autonomia das crianças, além do protagonismo;
  • estabelecimento do espaço de pesquisa e investigação para vivenciar práticas criativas e curiosas no dia-a-dia das crianças pequenas.

As necessidades elencadas anteriormente exigem um investimento permanente em formação continuada, e com proposição de atividades pedagógicas, como forma de garantir um atendimento educacional para ser realizado em tempo curto, respeitando a idade da criança e o seu desenvolvimento.

Renata Araújo Jatobá de Oliveira

Doutora em Ciências da Educação pela Université Lumière Lyon 2 na França. Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco. Especialista em Éducation Pédagogique et Culture(s) de l’Altérité pela Université Claude Bernard Lyon 1 – França.Ensino-pesquisa-extensão: Alfabetização Sistemática; Gestão do Ensino; Gestão da Avaliação; Intermediação-Planejada; Educação Infantil; Leitura e Escrita na Educação Infantil e no Ciclo de Alfabetização; Prática Pedagógica e Heterogeneidade na Gestão do Ensino da Leitura e da Escrita.

Instagram: @criativelar @papo_educa @alfagestar E-mail: renatajatoba2016@gmail.com

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