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A importância cultural das festas juninas para a educação

8 de junho de 2026,
E-docente
A importância cultural das festas juninas na educação

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo
Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque era noite de São João […]
(“Olha pro céu”, Luiz Gonzaga e José Fernandes, 1951.)

Acendendo o candeeiro: primeiras palavras

A relevância cultural e afetiva do São João

As festas juninas serviram de inspiração para a criação da música Olha pro céu, composta por Luiz Gonzaga e José Fernandes, cuja letra serve de epígrafe a esta introdução. A narrativa tem como foco um amor que surge em meio à festa e tem um caráter essencialmente multimodal, pois reúne, além da música – um legítimo arrasta-pé –, uma série de referências visuais reconhecidas por quem já vivenciou a experiência de participar do festejo descrito.

O ritmo cresce, com notas de maior alcance vocal, diante da alusão ao céu, no qual o balão colorido está sumindo, e diminui, com maior suavidade, quando a ação se concentra no terreiro, onde ocorre o encontro entre o casal apaixonado. A letra evoca céu e terra, sagrado e profano, enfatizando a origem e a pluralidade das referências que compõem os festejos juninos.

Não à toa, essa composição é uma das mais clássicas e representativas do ciclo junino. A nostalgia de um amor que surgiu no terreiro de uma festa de São João evoca, em muitos de nós, a nostalgia de festas do passado.

Ao ouvir essa música, em qualquer época do ano, meus olhos ficam marejados. Não apenas pela beleza da canção, mas porque ela traz à tona uma série de memórias afetivas: sinto uma saudade imensa da minha avó materna, que nutria pelas festas juninas um misto de amor e devoção; sinto o cheiro e a ardência nos olhos provocada pela fumaça das fogueiras acesas; sinto o sabor de tantas delícias carinhosamente preparadas para nos alimentar com fartura: canjica, pamonha, bolo de milho, de macaxeira, pé de moleque, entre outros quitutes; vejo, diante de mim, todos os enfeites com que minha avó preparava a casa como um altar, no qual a fé e a alegria eram celebradas com a mesma importância.

Eu sei que existem festas juninas em todo o país, mas apenas quem já esteve em um dos nove Estados nordestinos nessa época do ano sabe, de fato, que não se trata apenas de uma data no calendário, e sim de um estado de espírito. Na chamada de uma emissora de televisão, o jingle diz: “Quando junho chega no sertão, a sanfona esquenta o coração.

Que emoção ver o povo tão feliz, o Nordeste vira um país, o país do São João”. Eu escolho, portanto, discutir, neste texto, a importância das festas juninas do Nordeste para a educação e formação cultural de estudantes de todo o país. Se você, caro leitor, não é nordestino nem vive no Nordeste, perdoe-me a decisão que, a princípio, pode parecer arrogante.

Escolho esse percurso argumentativo, em primeiro lugar, porque sou pernambucana. Somos reconhecidos pelo orgulho demasiado pela nossa história e pela nossa cultura, as quais conhecemos, valorizamos e honramos. Este é, portanto, meu lugar de fala. Depois, e mais importante, porque a grandeza do legado cultural das festas juninas no Nordeste merece ser reconhecido e valorizado não apenas por nós, nordestinos, mas também no restante do país, pois representa uma parte importante da construção da nossa identidade como nação.

Alavantu: origens das festas juninas e adaptações à contemporaneidade

Da Europa ao Nordeste: a história e os símbolos juninos

A fogueira tá queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou
Vamos, gente, rapapé nesse salão […]
(“São João na roça”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1952)

A festa junina tem origem em celebrações pagãs europeias que marcavam o início do solstício de verão no Hemisfério Norte e, com isso, a comemoração pelo período de colheita e fartura. Com a expansão do Catolicismo na Idade Média, a Igreja incorporou a tradição como uma forma de cultuar a tríade de santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Leia mais: Festa junina: atividades divertidas e pedagógicas

Durante o período colonial, os portugueses introduziram os festejos juninos no Brasil. A tradição rural, tendo em vista o trabalho na lavoura, que garantia a provisão de alimentos para a população, foi mantida. Com o processo de miscigenação resultante da colonização, práticas culturais de comunidades indígenas e africanas foram incorporadas à celebração, promovendo uma pluralidade e uma riqueza observadas apenas no nosso país. Alguns dos símbolos já existentes nas festas pagãs originárias, aos quais foram incorporados muitos outros, permaneceram, entre eles:

  • A fogueira: possui significado simbólico, ritualístico e, inicialmente, também utilitário. Simbolizando o poder e o calor do sol, responsável por aquecer e iluminar os campos europeus e a população em torno dela, a fogueira também era usada para espantar maus espíritos e insetos. A tradição pagã de pular a fogueira e circular em torno dela para pedir purificação e proteção é mantida ainda hoje nos festejos contemporâneos. Em alguns Estados do Nordeste, virou expressão popular. Dizer que alguém “pulou uma fogueira” equivale a afirmar que essa pessoa superou ou evitou um problema;
  • A música: com características marcantes da música popular portuguesa, expressa em melodias animadas, temáticas simples, relacionadas ao amor e à vida no campo e executadas através de instrumentos como a sanfona, a viola e o tambor. A essa musicalidade de origem portuguesa foram incorporados elementos musicais indígenas e africanos que originaram ritmos nordestinos tradicionais, como o forró, o xote, o arrasta-pé e o baião;
  • A dança: o grande destaque são as quadrilhas juninas, que têm origem nas danças de salão da nobreza europeia dos séculos XVIII e XIX. As bases da coreografia surgiram na country dance inglesa e foram levadas para a França. Na corte francesa, a dança foi refinada e ordenada para apresentações em pares posicionados em formação quadrada, por isso ganhou o nome de quadrille. No Nordeste, as quadrilhas adquiriram status de grandes produções, às quais se associaram, além da coreografia, encenações com direito a figurino, cenário, roteiro e trilha sonora próprios;
  • As comidas típicas: na maioria dos preparos, a estrela é o milho. Originário do México, o cultivo do milho foi disseminado pela América do Sul muito antes do período da colonização. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o milho já era cultivado e consumido pelos indígenas. Por ser rico em carboidratos e fibras, proporcionando saciedade e energia, o milho é utilizado como ingrediente principal em muitas comidas típicas nordestinas, como o cuscuz, a pamonha, a canjica e o munguzá, conhecidos, em outros Estados brasileiros, como curau ou mingau de milho e canjica, respectivamente.

As festas juninas se tornaram uma das manifestações culturais mais importantes do nosso país. O conjunto do patrimônio imaterial associado a esse ciclo comemorativo, simbolizado pelos elementos anteriormente descritos, passou a ser, também, uma marca indelével da cultura e da tradição nordestinas.

A marca do colonizador, no entanto, também é observada nesse contexto. A indissociabilidade entre o Nordeste e as festas juninas fez com que essas comemorações fossem retratadas, muitas vezes, pelo viés do preconceito contra o povo dessa região, de modo que, como educadores, é nosso dever desmistificar e combatê a raiz dessa discriminação, que é a ignorância.

Preparar para o passeio na roça: a relação entre as festas juninas e a manutenção da trama do preconceito contra o povo nordestino

O combate à xenofobia e aos estereótipos regionais na escola

[…]
Nordeste é uma ficção
Nordeste nunca houve
Não eu não sou do lugar
Dos esquecidos
Não sou da nação
Dos condenados
Não sou do sertão
Dos ofendidos
Você sabe bem
Conheço o meu lugar […]
(“Conheço o meu lugar”, Belchior, 1978.)

O verso “Nordeste é uma ficção”, do cantor e compositor cearense Belchior, extraído da letra da canção que introduz esta seção, sintetiza estudos empreendidos por uma série de pesquisadores, ao longo dos anos, voltados à identificação e análise da criação de narrativas sobre o Nordeste, as quais foram responsáveis por sustentar e alimentar toda a sorte de preconceitos contra a região e o seu povo.

Um desses estudos, de autoria do jornalista potiguar Octávio Santiago, é resultado de sua tese de doutorado na Universidade do Minho, em Portugal, e foi publicado este ano em formato de livro, sob o título “Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste”. Segundo Santiago, a origem do preconceito está “[…] na disputa por poder político e econômico, especialmente no século XX, e na depreciação da mão de obra migrante, com caráter classista, permanecendo presente pela insistência daqueles que a reproduzem”. (2026, p.16)

O autor explica que a criação do Nordeste no imaginário político e social tem relação direta com a publicação, em 1902, de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Na obra, o autor, na condição de correspondente da Guerra de Canudos, apresenta à corte uma visão considerada reducionista e repleta de depreciações em relação ao território e ao seu povo.

Leia mais: Festividades juninas: origens, influências e memórias

Ainda nos anos 1920, o reconhecimento do Nordeste como região atendeu a uma demanda do governo federal, que delimitou o território para o qual foram destinados investimentos substanciais a obras de convivência com a seca. Santiago argumenta que:

Mais de cem anos depois, muito do que se ouve sobre o povo do Nordeste ainda está ligado àquele momento, quando o nordestino chegou à vitrine nacional como um indivíduo indigno, fruto de uma ‘excessiva miscigenação’. Desde então, discursos e artes têm constantemente oxigenado essa ideia. (Santiago, 2026, p.14-15)

Recentemente, a tese defendida pelo pesquisador potiguar foi confirmada através de um fato amplamente noticiado na mídia, em que o cantor e compositor Ed Motta foi acusado de injúria e xenofobia durante uma confusão, provocada por ele, em um restaurante no Rio de Janeiro. Na ocasião, o cantor teria se indignado diante da cobrança de uma taxa e reagiu com agressividade, proferindo, contra os funcionários do estabelecimento, a seguinte frase: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”.

Não é raro que muitos nordestinos sejam chamados, independentemente de seu estado de origem, de “paraíbas”, “baianos”, “cearenses” em outras regiões do país, especialmente no Sudeste. O apelido é uma forma de reduzir o povo nordestino, na tentativa de homogeneizar a região e de conferir a ela um caráter depreciativo. Nós, nordestinos, somos vítimas, há décadas, da marca do colonialismo que atua, de forma sistêmica, apagando a nossa produção de saberes intelectuais e artísticos, na tentativa de apagar nossa identidade e nossa importância.

A desconstrução, na sala de aula, dessa narrativa colonial e perversa a partir do desmonte de mitos e preconceitos associados às festas juninas é uma forma de transformar a celebração do ciclo das festas juninas em um momento não apenas de festa, mas também de conscientização, de esclarecimento e de combate à xenofobia. É também uma oportunidade de dar protagonismo e, dessa forma, fortalecer a autoestima de estudantes nordestinos ou descendentes de nordestinos, principalmente aqueles que vivem fora do Nordeste.

Preparar para o balancê: abordagens pedagógicas contra a produção de estereótipos associados às festas juninas. Vamos dançar juntos?

Ideias de projetos e atividades pedagógicas sobre o São João

Eu não preciso de você
O mundo é grande e o destino me espera
Não é você que vai me dar na primavera
As flores lindas que eu sonhei no meu verão
[…]
Você foi longe
Me machucando, provocou a minha ira
Só que eu nasci entre o velame e a macambira
Quem é você pra derramar meu munguzá?
(“Tareco e Mariola”, Petrúcio Amorim, 1994)

Partindo do pressuposto de que elementos como a aridez do sertão, o cangaço e o forró foram usados, durante décadas, em diversos produtos midiáticos, de forma estereotipada, muitos professores adotaram a postura de negação em relação a esse universo. Parece ser uma estratégia pedagógica mais produtiva retratar as belezas do litoral nordestino, o desenvolvimento tecnológico e acadêmico de diversas universidades, centros de pesquisa e start-ups localizadas na região, o avanço de técnicas modernas de agricultura que fazem cidades sertanejas exportarem frutas para o exterior. O Nordeste é isso também.

Leia mais: A celebração de datas comemorativas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Mas o apagamento do agreste e do sertão – e de seus desafios – é o apagamento também de suas riquezas naturais e artísticas. É la negação de uma parte importante da nossa identidade, da nossa nordestinidade. A fim de romper com esse ciclo de opressão e de suposta subalternidade, que nos afeta de forma coletiva, sugiro apresentar as festas juninas aos seus estudantes, ressaltando as seguintes perspectivas e possibilidades de abordagem pedagógica:

  • A riqueza das festas juninas não é apenas cultural: institutos de pesquisa econômica, responsáveis pelo levantamento e comparação de dados, revelam que, em 2025, os festejos juninos movimentaram 7,4 bilhões de reais, de acordo com o Ministério do Turismo. Este ano, estima-se que apenas quatro cidades, Caruaru e Petrolina (PE), Campina Grande (PB) e Maracanaú (CE), projetem uma movimentação conjunta de pelo menos 1,83 bilhão de reais. A perspectiva é que sejam gerados mais de 44 mil empregos diretos e indiretos. Propor um estudo comparativo sobre a movimentação econômica do Nordeste nesse período, traçar um comparativo com outros eventos nacionais de grande proporção, pesquisar sobre artesãos e artistas nordestinos que contribuem para movimentar essa economia é uma alternativa interessante e pode render projetos de cunho interdisciplinar, inclusive;
  • O forró está sob ameaça? A partir dos anos 1990, surgiu um movimento de bandas de forró estilizado no Nordeste brasileiro. A inclusão de instrumentos como guitarra, baixo, teclado e bateria à formação tradicional do trio pé de serra – sanfona, zabumba e triângulo – tinha como objetivo conferir uma nova roupagem, mais moderna, aos ritmos tradicionais. Como a maioria das mudanças, o chamado “forró estilizado” causou, a princípio, muita polêmica e sofreu rejeição por parte do público e da classe artística, os quais temiam que a tradição do forró se perdesse com o tempo. Que tal promover e mediar um debate com os estudantes sobre o tema? A ideia é que eles pesquisem sobre o assunto e apresentem argumentos em defesa da preservação e valorização do forró raiz e/ou pela reinvenção do forró, com a valorização do surgimento de outros ritmos, como o piseiro;
  • Quantos likes o São João do Nordeste merece? A proposta é que seja feito um levantamento de perfis de criadores de conteúdo, de diversas áreas, cujo conteúdo tenha relação com a propagação do orgulho de ser nordestino, como @seufreitaz, @amandinhamenelau, @caio, entre outros. Solicite aos estudantes que identifiquem os principais recursos retóricos (linguísticos e imagéticos) que sustentam a identidade desses criadores e as novas narrativas por eles propostas, as quais contribuem para a formação de um novo olhar sobre o Nordeste.
  • Quadrilha junina, a ópera sertaneja: a riqueza dessa expressão teatral popular, que reúne música, dança, figurinos e cenários luxuosos e roteiro complexo de dramatização e coreografia, alça as quadrilhas juninas estilizadas a um patamar de sofisticação comparado ao de grandes espetáculos. Convidar os estudantes a assistir (ao vivo ou em vídeo) ou até propor a organização de uma quadrilha na escola é oferecer a eles a oportunidade de entrar em contato com a construção de um enredo, de uma narrativa que promove personagens e histórias do imaginário popular do povo nordestino. Assim como ocorre nas festas juninas, in que a população se produz com esmero para uma grande festa, contrariando o estereótipo reproduzido em relação à indumentária de matutos/caipiras com o dente pintado de preto e as roupas remendadas, as quadrilhas juninas atuais também se esmeram para oferecer um espetáculo de alto nível.

Anarriê: considerações finais

Educação e valorização da identidade nordestina para o futuro

A “invalidação cultural sofrida pelo povo nordestino”, como denuncia Octávio Santiago, foi um artifício criado pelas elites para a sustentação do status quo. Ao fazer com que o povo nordestino acreditasse no falso discurso de que a região representava um peso e um atraso para o país e que, consequentemente, seu povo deveria viver relegado à condição de inferioridade e de subalternidade fez com que os nordestinos enfrentassem (e ainda hoje enfrentam) imensos desafios para ocupar espaços de poder neste país.

Entretanto, apesar das inúmeras mazelas atribuídas por Euclides da Cunha ao sertanejo, em um aspecto ele acertou: nós somos, antes de tudo, fortes. Mas estamos cansados de viver na peleja. Queremos reconhecimento, queremos acesso. Mais do que isso, queremos a parte que nos cabe neste latifúndio. Para isso, precisamos reforçar o orgulho de sermos nordestinos, o qual só pode ser conquistado através do conhecimento e da educação para a formação das novas gerações. Podem soltar os fogos de artifício! E viva São João!

Referências:

FESTAS juninas movimentam 50 setores e projetam R$1,83 bi no Nordeste. Movimento Econômico, 13 abr. 2026. Disponível em: https://movimentoeconomico.com.br/eventos/2026/04/13/festas-juninas-movimentam-50-setores-e-projetam-r-183-bi-no-nordeste/. Acesso em: 7 jun. 2026.

HIRSCH, Lorena Araujo. A origem das festividades juninas. Biblioteca do CECULT/UFRB, 20 jun. 2023. Disponível em: https://ufrb.edu.br/bibliotecacecult/noticias/377-a-origem-das-festividades-juninas. Acesso em: 7 jun. 2026.

QUAL a origem das festas juninas no Brasil? National Geographic Brasil, 21 jun. 2023. Disponível em:Qual a origem das festas juninas no Brasil? | National Geographic. Acesso em: 7 jun. 2026.

SANTIAGO, Octávio. Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo nordestino. Belo Horizonte: Autêntica, 2026.

Minibio da autora

Paloma Borba é doutora em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É professora adjunta do curso de Letras / Português da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do curso de Especialização em Estudos da Linguagem e Formação Docente (LINFOR/UFRPE). Atua na área de Linguística, com ênfase nos estudos sobre Gêneros Textuais, Multimodalidade, Letramentos e na Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa.

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