Menu

O(a) Professor(a) como agente do letramento

21 de julho de 2023,
E-docente

São várias as caracterizações do(a) professor(a) quando se fala da sua atuação na e para além da sala de aula. Neste artigo, você conhecerá o conceito de professor(a) como agente de letramento.

A respeito dos letramentos

No artigo intitulado Afinal, o que é letramento?, você pode perceber com mais detalhes que existem, pelo menos, duas principais perspectivas a respeito do conceito de letramento: uma que aborda a leitura e a escrita como habilidades e outra em que essas atividades são entendidas como práticas socioculturais.

Ambas são legítimas e, quando procuramos mobilizá-las no campo do ensino, estamos também mostrando que projeto de sujeito e sociedade procuramos ajudar a construir, isto é, marcamos nosso posicionamento político como profissionais da Educação.

Assim, acreditamos na abordagem sociocultural dos letramentos, ou seja, entendemo-los como práticas sociais, culturais e situadas em que a escrita medeia a interação verbal entre as pessoas (STREET, 2012).

Isso implica dizer que, nessas atividades, as pessoas manifestam suas identidades, suas crenças, seus valores, suas ideologias, para produzir sentidos na relação com o outro.

Por isso, essas práticas também variam de acordo com o contexto histórico e cultural e com as posições sociais que ocupamos nas relações, o que releva instâncias de poder que são inerentes aos diversos campos sociais, como o escolar, o religioso, o trabalhista, o comercial, etc. Assim, defendemos que os letramentos são heterogêneos e devem ser considerados em sua pluralidade.

Compreender os letramentos sob essa ótica faz-nos refletir sobre a atuação do(a) professor(a), suas metodologias e relações que estabelece com os(as) alunos(as) e a sociedade.

Ou seja, como esses aspectos são levados em consideração para ampliar as possibilidades de os(as) alunos(as) agirem em sociedade a partir da leitura, da escrita e da oralidade.

O que é ser professor como agente de letramento?

A professora e pesquisadora Ângela Kleiman, no texto Processos identitários na formação profissional: o professor como agente de letramento (2006), ressalta que a representação social de professor(a) como agente de letramento surgiu a partir dos Estudos do Letramento, que defendem a abordagem sociocultural anteriormente citada. 

Essa representação relaciona-se àquele(a) professor(a) que orienta a apropriação da leitura e da escrita a partir de uma atividade social, principalmente para demandas fora da escola.

Sob essa ótica, o(a) professor(a) é considerado, antes de tudo, um agente social:

Um agente social é um mobilizador dos sistemas de conhecimento pertinentes, dos recursos, das capacidades dos membros da comunidade: no caso da escola, seria um promotor das capacidades e recursos de seus alunos e suas redes comunicativas para que participem das práticas sociais de letramento, as práticas de uso da escrita situadas, das diversas instituições (KLEIMAN, 2006, p. 83).

Assim, ser agente de letramento reconfigura as funções do professor, suas metodologias e sua relação com os(as) alunos.

O que faz o(a) professor(a) como agente de letramento?

O(A) professor(a) como agente de letramento orienta os(as) alunos(as)  para agirem em prol de sanarem demandas sociais. E o faz a partir de seus saberes teórico-metodológicos, dos saberes de sua própria prática, de suas relações com instituições sociais, do diálogo com os saberes e interesses dos(as) alunos(as).

Ao orientar para a ação social, o(a) professor(a) trabalha como curador de fontes de informações e de recursos, o que implica pesquisar, refletir, planejar, facilitar acessos. Atrelado a isso, o(a) professor(a) atua em parceria com a turma, considerando os diferentes repertórios de experiências dos(as) alunos(as), suas habilidades e seus interesses e definindo com eles(as) que funções são relevantes exercer para as demandas.

Segundo Kleiman (2006, p. 86):

Ao mobilizar as capacidades dos membros do grupo, ao favorecer a participação de todos segundo suas capacidades, o agente de letramento, ele próprio um ator social, cria as condições necessárias para a emergência de diversos atores, com diversos papéis, segundo as necessidades e potencialidades do grupo. A assimetria institucional que aprisiona o professor e alunos em papéis imutáveis pode ser desfeita (KLEIMAN, 2006, p. 86).

Em outras palavras, a troca de saberes e experiências ocorre a partir de metodologias ativas, da relação dialógica entre professor(a) e aluno(a) e ganha espaço onde antes se tinha um(a) professor(a) como detentor do conhecimento, onde seu saber era o único legítimo e digno de ser transmitido aos(às) alunos(as), que atuavam de maneira predominantemente passiva.

Ainda para a autora, essa atuação do(a) professor(a) como agente de letramento favorece a construção de uma sociedade em que predominará a participação democrática.

Por isso, é fundamental “[…] oferecer aos professores cursos que promovam representações orientadas para a participação coletiva, para a mobilização e agência, para a autonomia e autoria” (KLEIMAN, 2006, p. 87).

No artigo Projetos de Letramento e Educação para a Pesquisa, aqui no e-docente, você pode conferir como o professor agente de letramento pode construir sua atuação a partir da metodologia ativa de projetos de letramento. Sugiro também as leituras a seguir e torço para tê-lo(a) animado a se interessar por essa prática.

Para se aprofundar

BARTON, David; HAMILTON, Mary. La Literacidad Entendida como Práctica Social. In: ZAVALA, Virginia; NIÑO-MURCIA, Mercedes; AMES, Patricia (Orgs.). Escritura y sociedad: nuevas perspectivas teóricas y etnográficas. Lima: Red para el Desarollo de las Ciencias Sociales en el Perú, 2004, p. 109-139.

KLEIMAN, Angela B. Processos identitários na formação profissional. O professor como agente de letramento. In: CORRÊA, Manoel Luiz Gonçalves; BOCH, Fraçoise (Org.). Ensino de língua: representação e letramento. (Coleção ideias sobre linguagem). Campinas, SP: Mercado de Letras, 2006, p. 75-91.

TINOCO, Glícia M. Azevedo de M. Projetos de Letramento: ação e formação de professores de língua materna. 254 f. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem. Campinas, SP: [s.n.], 2008.

STREET, Brian. Eventos de letramento e práticas de letramento: teoria e prática nos Novos Estudos do Letramento. In: MAGALHÃES, Izabel (Org.). Discursos e Práticas de Letramento: pesquisa etnográfica e formação de professores. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2012, p. 69-92.

Crie sua conta e desbloqueie materiais exclusivos

Voltar
Complete o cadastro para receber seu e-book
Já possui uma conta?Acessar conta
ACREALAGOASAMAPÁAMAZONASBAHIACEARÁDISTRITO FEDERALESPÍRITO SANTOGOIÁSMARANHÃOMATO GROSSOMATO GROSSO DO SULMINAS GERAISPARÁPARAÍBAPARANÁPERNAMBUCOPIAUÍRIO DE JANEIRORIO GRANDE DO NORTERIO GRANDE DO SULRONDÔNIARORAIMASANTA CATARINASÃO PAULOSERGIPETOCANTINSACREALAGOASAMAPÁAMAZONASBAHIACEARÁDISTRITO FEDERALESPÍRITO SANTOGOIÁSMARANHÃOMATO GROSSOMATO GROSSO DO SULMINAS GERAISPARÁPARAÍBAPARANÁPERNAMBUCOPIAUÍRIO DE JANEIRORIO GRANDE DO NORTERIO GRANDE DO SULRONDÔNIARORAIMASANTA CATARINASÃO PAULOSERGIPETOCANTINS

Veja mais

Formação de professores e tematização da prática: quando a escola se torna comunidade de aprendizagem
28 de janeiro de 2026

Formação de professores e tematização da prática: quando a escola se torna comunidade de aprendizagem

Toda formação de professores que se pretende transformadora nasce do encontro entre a experiência e a reflexão. Quando o professor...
A sistematicidade da leitura na escola: o que influencia na compreensão?
27 de janeiro de 2026

A sistematicidade da leitura na escola: o que influencia na compreensão?

A leitura na escola constitui elemento basilar para o desenvolvimento intelectual, social e cultural do sujeito. Confira, neste artigo, como...
Transição do 5º para o 6º ano: como evitar a queda no desempenho escolar?
23 de janeiro de 2026

Transição do 5º para o 6º ano: como evitar a queda no desempenho escolar?

A transição do 5º para o 6º ano é um daqueles momentos que todo professor reconhece como delicado. Para os...
O lúdico e o brincar no ensino da Matemática: aprendendo com jogos e desafios
22 de janeiro de 2026

O lúdico e o brincar no ensino da Matemática: aprendendo com jogos e desafios

Desafios do ensino de Matemática nos anos finais do Ensino Fundamental Ensinar Matemática nos anos finais do Ensino Fundamental envolve...
Do registro à leitura crítica dos dados: o acompanhamento das aprendizagens como prática de equidade
21 de janeiro de 2026

Do registro à leitura crítica dos dados: o acompanhamento das aprendizagens como prática de equidade

Acompanhar a aprendizagem das crianças é uma das tarefas mais complexas e significativas do trabalho docente. Mais do que verificar...