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O Vampiro e o Zumbi (dos Palmares) | PNLD Literário Equidade Ensino Médio
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O Vampiro e o Zumbi (dos Palmares) | PNLD Literário Equidade Ensino Médio
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O Vampiro e o Zumbi (dos Palmares) – Ivan Jaf | PNLD Literário Equidade Ensino Médio

O Vampiro e o Zumbi (dos Palmares) é um romance histórico com elementos de fantasia escrito por Ivan Jaf, com ilustrações de Alex Senna, publicado pela Editora Todas as Letras em 1ª edição, 2025, e selecionado para o PNLD Literário Equidade Ensino Médio. A obra mistura a figura de um vampiro banto com a trajetória de Zumbi dos Palmares, entrelaçando ficção sobrenatural e história do Brasil colonial, da escravidão e da resistência negra no Quilombo dos Palmares.

Ficha técnica

Título O Vampiro e o Zumbi (dos Palmares)
Autor Ivan Jaf
Ilustrador Alex Senna
Editora Todas as Letras
Edição 1ª edição, 2025
ISBN 978-65-8960-826-4
Gênero Literatura infantojuvenil / romance histórico com fantasia
Número de páginas 144
Programa PNLD Literário Equidade — Ensino Médio

Sinopse

Na Santa Teresa dos dias de hoje, no Rio de Janeiro, um escritor vampiro recebe a visita de Gaspar, outro vampiro e fã confesso de seus livros, que entra em seu apartamento transformado em morcego. Gaspar quer contar sua história para o escritor, que tem o dom de sentir na própria pele tudo o que os vampiros que entrevista viveram. Nascido por volta de 1601, banto do povo jaga, Gaspar foi capturado ainda jovem em Angola, atravessou o Atlântico como pessoa escravizada e chegou ao Brasil em 1627. No Recife, foi atacado e transformado em vampiro (um quifumbula) pelo histórico Domingos Calabar. A partir daí, sua existência sobrenatural o leva ao Quilombo dos Palmares, onde se torna aliado de Ganga Zumba e, depois, de Zumbi dos Palmares, acompanhando de perto a resistência negra contra a escravidão até o desfecho trágico da destruição do quilombo, em 1695 — e o nascimento do mito de que Zumbi jamais morreu.

Enredo

O prólogo e o encontro entre vampiros

A história começa com um escritor vampiro morador de Santa Teresa, que recebe em seu apartamento a visita de Gaspar, um morcego que se transforma em homem. Gaspar se apresenta como fã de seus livros e pede para contar sua própria história de vida (e morte). O narrador tem a capacidade de sentir tudo o que o vampiro entrevistado viveu, como se ele mesmo tivesse vivido aquilo.

A transformação em vampiro (quifumbula)

Calabar ataca Gaspar e o transforma em vampiro — na mitologia banta usada no livro, um quifumbula. A partir de 1635, Gaspar passa a ter 34 anos para sempre, vira morcego e se alimenta de sangue, herdando também, sem saber a princípio, o poder de ocupar outro corpo quando o próprio está prestes a morrer.

A transformação em vampiro (quifumbula)

Calabar ataca Gaspar e o transforma em vampiro — na mitologia banta usada no livro, um quifumbula. A partir de 1635, Gaspar passa a ter 34 anos para sempre, vira morcego e se alimenta de sangue, herdando também, sem saber a princípio, o poder de ocupar outro corpo quando o próprio está prestes a morrer.

O Quilombo dos Palmares e a aliança com Zumbi

Já como vampiro, Gaspar se envolve com o Quilombo dos Palmares, voando como morcego para espionar tropas inimigas e informar primeiro Ganga Zumba e depois Zumbi. Ele acompanha o enfraquecimento de Ganga Zumba, a ascensão de Zumbi como Grande Chefe e as sucessivas expedições militares enviadas contra o quilombo, incluindo o envolvimento do mercenário paulista Domingos Jorge Velho.

A batalha final de 1695 e a fusão com o corpo de Zumbi

No ataque final à Cerca Real de Macaco, em 1695, Zumbi é baleado e, cercado pelos soldados, salta no precipício para não ser capturado. Gaspar o resgata em pleno ar e o leva para sua caverna, entregando seu próprio sangue na tentativa de salvá-lo. Gaspar morre nesse processo, mas seu espírito ocupa o corpo já sem vida de Zumbi — um poder herdado de Calabar. A partir daí, é o espírito de Gaspar, dentro do corpo de Zumbi, que continua a existir.

O mito do zumbi que nunca morre

Com o corpo de Zumbi "vivo" à noite, Gaspar usa essa aparição para manter viva a esperança de resistência entre os negros e o terror entre os brancos, liderando ataques por mais de um ano. Percebendo a impossibilidade de reconstruir o quilombo, ele arma a queda de um "falso Zumbi" (decapitado e exposto em praça pública em Recife) para que a verdadeira notícia — a de que Zumbi continuava vivo e imortal — se espalhasse pelo Brasil através de seus guerreiros fiéis, alimentando o mito de Zumbi dos Palmares até os dias de hoje.

Contexto histórico e pesquisa do autor

No Posfácio, escrito na voz do narrador-vampiro, o livro discute a dificuldade de separar fato e lenda sobre Zumbi dos Palmares, já que ele é citado em poucos documentos originais do século XVII — como o diário do capitão João Blaer (1645), a obra de Gaspar Barleus e a anônima "Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco" (1675–1678) — todos escritos por brancos interessados em exaltar suas próprias vitórias. O texto também comenta como a imagem de Zumbi mudou ao longo dos séculos: de vilão da "barbárie" no imaginário do século XIX a símbolo de resistência e liberdade no século XX.

Na Nota do autor, Ivan Jaf esclarece que o Posfácio é ficcional, mas que as fontes históricas citadas são reais e podem ser consultadas por quem quiser se aprofundar. Ele cita como base de pesquisa obras como Bantos, Malês e Identidade Negra, de Nei Lopes; Descrição Histórica dos Três Reinos do Congo, Matamba e Angola, de Giovanni Antonio Cavazzi; História Geral das Guerras Angolanas, de Antonio de Oliveira de Cadornega; História de Angola, de Ralph Delgado; Angola à Contracosta, de Ivens Capello; O trato dos viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul, de Luiz Felipe de Alencastro; além de estudos sobre a influência das línguas africanas no português do Brasil, de Renato Mendonça e Nelson de Senna. O autor reforça que a violência retratada no romance é reflexo da violência real da escravidão e funciona também como denúncia.

Sobre o autor — Ivan Jaf

Ivan Jaf nasceu no Rio de Janeiro em 1957. É autor de mais de 65 livros de ficção para o público infantojuvenil, com mais de três milhões de exemplares vendidos. Foi premiado pela União Brasileira dos Escritores e pela Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil, além de quatro vezes finalista do Prêmio Jabuti. Também atua como roteirista de histórias em quadrinhos (tendo trabalhado com desenhistas como Luiz Gê, Rodrigo Rosa, Guazzelli e Solano López) e de cinema, com prêmios como o do Sundance Institute (1998) e de festivais no Brasil e no exterior. Como dramaturgo, teve peças encenadas sob direção de nomes como Nelson Xavier e Amir Haddad. Boa parte de sua obra infantojuvenil trata de acontecimentos históricos relacionados ao Brasil, Portugal e ao continente africano, misturando fantasia com pesquisa histórica rigorosa.

Sobre o ilustrador — Alex Senna

Alex Senna nasceu em Orlândia, interior de São Paulo, em 1982. Desenha desde a infância, influenciado pela mãe e pelo irmão. Daltônico, desenvolveu um estilo próprio em preto e branco, com traços contínuos e marcantes. Formado em Comunicação Social, teve seu primeiro contato com o grafite em 2002. Seus trabalhos, sensíveis e reflexivos, contam histórias sobre vida, solidão e conexões humanas, e já ocuparam ruas e galerias em cidades do mundo todo.

Sumário da obra

  • 1. Onde falta habilidade, sobra preguiça.
  • 2. Como salvar a alma de um negro pagão.
  • 3. Como se faz um pau de sebo.
  • 4. Como levar uma vida boa e ser bom.
  • 5. Como fazer um homem perder o rumo.
  • 6. Quando a mentira se torna verdade e até voa.
  • 7. O vampiro entra na guerra.
  • 8. Eram brancos, mas não se entendiam.
  • 9. Quando os negros mostraram quem mandava em Palmares e os brancos apelaram para a fé.
  • 10. Os fracos, os fortes e os vizinhos indesejáveis.
  • 11. A guerra por uma paz que não viria.
  • 12. O soldado de pau, o vampiro mau e o mercenário ainda pior.
  • 13. Como se fazem os heróis.
  • 14. O vampiro e o Zumbi dos Palmares.
  • 15. Zumbis não morrem.

O livro no PNLD Literário Equidade Ensino Médio

"O Vampiro e o Zumbi (dos Palmares)" faz parte do catálogo do PNLD Literário Equidade Ensino Médio, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) voltada à ampliação do acesso à literatura e à diversidade cultural nas escolas públicas. Ao trazer a trajetória de um africano escravizado, a formação do Quilombo dos Palmares e a figura histórica de Zumbi, a obra dialoga diretamente com os objetivos do PNLD Literário Equidade Ensino Médio de aproximar os estudantes de narrativas sobre a diversidade e a memória negra brasileira.

Perguntas frequentes (FAQ)

O livro foi escrito por Ivan Jaf, com ilustrações de Alex Senna, e publicado pela Editora Todas as Letras em 1ª edição, em 2025.