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Como desenvolver o “pensar histórico” nos Anos Iniciais? Uma entrevista com Anna Charlier, autora da obra aprovada no PNLD 2027

15 de julho de 2026,
E-docente

O PNLD 2027 está chegando para transformar as salas de aula dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, e a escolha do livro didático é um marco decisivo para os educadores. Entre os destaques aprovados está a coleção Ápis Mais História, uma obra que une rigor teórico, ludicidade e propostas práticas alinhadas à BNCC.

Para entender como a coleção apoia o trabalho do professor e estimula o protagonismo dos estudantes, conversamos com a coautora Anna Charlier. Ao longo desta entrevista, ela detalha a metodologia por trás da obra e compartilha sua visão pedagógica sobre como desenvolver a consciência crítica e a alfabetização em Ciências Humanas do 3º ao 5º ano. Confira!

A Metáfora da Colmeia: Sinergia e Desenvolvimento Integral

A sinergia visual e conceitual da colmeia funciona como um excelente guia para orientar as rotas de aprendizagem das crianças em sala de aula. O projeto gráfico utiliza essa imagem de forma intencional para traduzir o cotidiano escolar. Sobre isso, uma das autoras do Ápis Mais História explica:

“A colmeia nos traz a ideia de um trabalho construtivo coletivo. A escola deve ser considerada como uma colmeia, onde ocorre o trabalho coordenado de todos os envolvidos no processo educacional.”

Na visão de Anna Charlier, os saberes de cada disciplina são específicos, mas se relacionam diretamente para o desenvolvimento integral dos estudantes. Ela pontua que os favos da colmeia representam visualmente essa organização, demonstrando que os conhecimentos se interligam para formar o currículo integral. A autora conclui o raciocínio fazendo uma analogia com o resultado do ano letivo:

“Se o produto final do trabalho em uma colmeia é o mel, o da escola é o mel no sentido figurado, que é o desenvolvimento integral do estudante, na sua dimensão individual, social, intelectual e cultural…”

Pensar Historicamente: Consciência Crítica do 3º ao 5º ano

Despertar o “pensar histórico” focado em permanências, mudanças e na visibilidade de grupos historicamente marginalizados é um dos grandes compromissos da obra, totalmente alinhado com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Anna Charlier destaca a importância dessa abordagem:

“A História deve estimular o pensamento crítico, a autonomia e a formação para a cidadania.”

Para a autora, a melhor estratégia para os alunos do 3º ao 5º ano desenvolverem essa habilidade é promover, o mais cedo possível, a aquisição de referências temporais baseadas em situações que tenham significado real para eles, como suas vivências pessoais e sua cultura. Anna Charlier defende que isso capacita o estudante a relacionar causas e efeitos, identificar semelhanças e diferenças e se conscientizar sobre os problemas sociais:

“Desenvolver o pensamento histórico permite ao estudante compreender que ele é sujeito da História, assim como os outros seres humanos, agindo no presente para a construção do futuro.”

Investigando Imagens: A Leitura Crítica de Fontes Visuais

Na seção De olho na imagem, os alunos são desafiados a analisar pinturas, fotografias e mapas. O pensamento da autora é muito claro ao alertar que esses recursos não devem ser usados de maneira superficial:

“As imagens em um livro de História não devem servir como meras ilustrações ou fontes de motivação da aula… Elas têm o objetivo de introduzir o estudante nas práticas de observação, reflexão e análise crítica do processo histórico.”

Investigar uma fonte visual significa ir além da mensagem imediata. Anna Charlier orienta que o professor deve mediar o olhar da turma lembrando que os registros refletem visões parciais de seus criadores e que nenhuma imagem é neutra:

“Todas as imagens, antigas ou modernas, refletem o olhar de seu autor. Elas não são neutras e nem devem ser consideradas como representação real de algo ocorrido.”

Para guiar esse trabalho em sala de aula, a autora propõe que o professor estimule a observação detalhada (cores, formas, expressões) e faça perguntas fundamentais sobre o tipo de documento, época de produção, autoria e objetivos da mensagem.

Leia mais: PNLD 2027 Anos Iniciais: Conheça os Livros Didáticos Aprovados (Ática, Saraiva e Scipione)

Vocabulário Histórico e Letramento em Ciências Humanas

O trabalho próximo com a ampliação do vocabulário conceitual através do boxe Minha coleção de palavras de História é uma ferramenta poderosa que apoia tanto a alfabetização geral quanto o letramento em Ciências Humanas. Segundo Anna Charlier:

“O boxe Minha coleção de palavras de História realiza um trabalho relevante para a alfabetização e o desenvolvimento do pensamento crítico…”

A autora explica em seu pensamento que, ao analisar e dominar palavras-chave contextuais, o estudante desenvolve o vocabulário de conceitos, melhora a ortografia, aprimora a produção escrita e ganha fluência oral. Para ela, mais do que decorar significados, a proposta ajuda a contextualizar e associar os termos estudados a outras áreas do conhecimento técnico e prático.

Entendendo o Tempo: Cronologia de Forma Natural e Concreta

Noções como simultaneidade, anterioridade e duração histórica costumam ser muito abstratas para essa faixa etária. Por isso, a coleção foi desenhada para aproximar a cronologia da realidade prática dos estudantes. Anna Charlier reflete sobre esse desafio pedagógico:

“O tempo em História não pode ser entendido apenas pela sequência cronológica dos acontecimentos, onde datas e acontecimentos se sucedem. Esses fatos precisam ser entendidos nas suas causas…”

A estratégia defendida pela autora consiste em usar exemplos simples do cotidiano (o que a criança faz antes de ir para a escola, o que faz durante o período em que está lá e o que seus pais fazem ao mesmo tempo). A partir dessa bagagem concreta, introduz-se a linha do tempo. Anna Charlier esclarece os benefícios pedagógicos dessa visão:

“Compreender a simultaneidade dos fatos históricos ajuda o estudante a perceber que esses acontecimentos não estão isolados no tempo e no espaço, e sim estão relacionados com outros e inseridos em um contexto histórico mais amplo.”

O Lúdico e o Rigor: O Equilíbrio Perfeito na Aprendizagem

O grande desafio pedagógico é equilibrar propostas leves e divertidas com o rigor teórico que a construção do conhecimento histórico exige. A coleção resolve essa equação mostrando que o ato de aprender não precisa ser rígido, conforme aponta a autora:

“O estudo de História, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, deve-se pautar pelas atividades lúdicas, extraídas do cotidiano do estudante…”

O segredo do boxe Assim também aprendo, segundo o pensamento de Anna Charlier, está na intencionalidade pedagógica, funcionando como um momento de “divertimento com propósito”. Ela argumenta que, quando o professor conduz essa atividade de forma dosada, estimula uma reflexão séria, embora não convencional, permitindo que a criança utilize diferentes habilidades para consolidar o aprendizado de forma prazerosa.

Leia mais: Como funciona o PNLD? Entenda o ciclo de escolha e distribuição dos livros didáticos

Pontos de Parada e Chegada: Avaliação para o Protagonismo

As seções de avaliação ao longo das unidades dão um panorama claro do aprendizado e são estruturadas como um meio, e não um fim, respeitando o ritmo de cada estudante. Anna Charlier resume sua visão sobre o tema:

“A avaliação é um meio, e não um fim, no processo educacional. Ela é uma oportunidade de reflexão, leitura, estudo e um dos meios para o aprendizado e para a construção do conhecimento…”

De acordo com as explicações da autora, esse acompanhamento se divide em dois momentos estratégicos:

  • Ponto de Parada: Funciona como uma avaliação diagnóstica para analisar os saberes prévios. Anna Charlier pontua que, por meio dele, é possível planejar as aulas de acordo com as necessidades da turma: “Nesse processo, o estudante tende a se sentir cuidado e confiante de sua própria capacidade.”
  • Ponto de Chegada: São as avaliações finais que trazem as evidências dos resultados obtidos ao término do percurso. A autora esclarece que essa etapa permite que professor e aluno visualizem os progressos e tracem estratégias para recuperar possíveis defasagens.

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