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Dia das Mães na escola: homenagens e atividades criativas para acolher todas as formas de cuidado 

6 de maio de 2026,
E-docente
Dia das mães na escola

O Dia das Mães ocupa um lugar afetivo importante no calendário escolar. Poucos momentos reúnem com tanta intensidade o afeto, a memória e a identidade de uma criança como este. 

No entanto, a escola contemporânea é atravessada por uma diversidade cada vez mais visível de configurações familiares. Nem todas as crianças convivem com suas mães biológicas; algumas são cuidadas por avós, pais, tios, madrinhas; outras vivenciam ausências, rupturas ou lutos. 

Diante desse cenário, algumas questões se levantam: como celebrar essa data sem reduzir a experiência infantil a um único modelo de maternidade? Como respeitar histórias marcadas por ausência ou dor? 

É sobre isso que trata este texto. O objetivo é simples: que nenhuma criança saia da escola nessa semana sentindo que a homenagem não era para quem cuida dela. 

A maternidade que cabe na sala de aula: quem cuida também materna 

Quando o professor abre a chamada, olha para sua turma, ele está diante de histórias muito diferentes. Há crianças criadas pelas mães, mas há também crianças criadas por avós, por pais que assumiram sozinhos o cuidado, por tias, por casais homoafetivos, por famílias acolhedoras. Há crianças que perderam a mãe ou nunca conviveram com ela. Mais importante do que nomear essas configurações é compreender o que as atravessa: o cuidado. 

É o cuidado que aparece nos gestos repetidos e cotidianos: acordar cedo, preparar o alimento, escutar, orientar, sustentar.  É ele que organiza a experiência da infância, ainda que nem sempre receba o nome de mãe. O cuidado é a forma visível do amor, embora não esgote tudo o que o amor materno pode ser. 

Ao reconhecer as múltiplas formas de maternidade, a escola evita exclusões e ensina que os vínculos humanos são diversos, legítimos e dignos de reconhecimento. 

Como planejar o Dia das Mães na escola: o papel do professor 

Para o professor, essa data representa uma oportunidade pedagógica significativa: trabalhar vínculos afetivos, expressão criativa, linguagem oral e escrita, identidade e pertencimento. É um momento em que não é preciso inventar motivação, porque ela já está presente. 

Mas, justamente por isso, o planejamento importa. Uma homenagem bem conduzida fortalece laços. Uma proposta mal planejada pode, sem intenção, excluir quem mais precisa de acolhimento. 

Uma estratégia simples e eficaz é ajustar o ponto de partida. Em vez de dizer: “Vamos preparar uma homenagem para as mães”, o professor pode propor: “Vamos fazer algo especial para a pessoa que mais cuida de você com amor”. 

Essa simples mudança torna a atividade inclusiva, sem expor nenhuma criança, porque nela cabem todas as configurações de maternidade. A linguagem, para Vygotsky, não apenas descreve a realidade, ela também a organiza. Ao ampliar as palavras, o professor amplia as possibilidades de pertencimento dentro da sala de aula. Nesse sentido, a literatura infantil pode ser uma grande aliada. 

Para ler mais: A celebração de datas comemorativas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental 

Em Se as coisas fossem mães, de Sylvia Orthof, somos convidados a imaginar o cuidado para além das formas tradicionais, abrindo espaço para conversar sobre o que é ser mãe e sobre a forma singular como cada uma exerce esse cuidado. A partir dessa proposta, é possível criar variações como: “Se minha mãe fosse uma sereia, ela seria…”; “Se minha mãe fosse uma estrela, ela seria…”; “Se minha mãe fosse um jardim, ela seria…”. 

Essa atividade abre espaço para que a criança reflita sobre diferentes maneiras de ser mãe e perceba que a sua pode ser diferente das demais e, ainda assim, ser a melhor do mundo. 

Vale lembrar que as experiências vividas na escola nesse período contribuem para a construção de memórias afetivas, carregadas de significado, que acompanharão a criança ao longo da vida e poderão ser revisitadas em diferentes momentos. 

Como as crianças vivenciam o Dia das Mães  

Antes de escolher as atividades, vale um momento de reflexão sobre como as crianças de diferentes idades vivem o afeto, a memória e o simbolismo de uma homenagem. Esse entendimento é o que transforma uma atividade genérica em uma experiência verdadeiramente significativa. 

Dos 3 aos 5 anos, o mundo é vivido de forma sensorial, concreta e presente. A criança pequena não abstrai o tempo da mesma forma que um adulto: ela vive intensamente o agora. O vínculo com quem cuida dela é fundamental para sua constituição como pessoa, e qualquer atividade que evoque esse vínculo tem um enorme potencial emocional. 

Por isso, as melhores homenagens nessa idade são aquelas que passam pelo corpo: a mão  carimbada, o desenho feito com toda a concentração do mundo, a música cantada com orgulho. 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece isso ao colocar o campo de experiências  Eu, o outro e o nós como estruturante desta fase: é nele que a criança começa a perceber quem ela é em relação aos outros, e quem são as pessoas que a constituem. 

Dos 6 aos 12 anos, a capacidade de elaboração cresce significativamente. O estudante escreve, argumenta, planeja e surpreende. Tem senso de humor, tem opiniões e faz escolhas, inclusive na forma de expressar o que sente. 

Aqui, a homenagem ganha mais protagonismo. O papel do professor é menos de executar junto e mais de criar condições para que cada estudante encontre sua própria forma de dizer “Eu te amo” ou “Obrigado por cuidar de mim”. 

Em cada fase, o que vale é a intenção e o processo. O produto final: o cartão, o vaso, o poema, importam menos do que o tempo que o estudante dedicou a pensar em quem ele ama. E é importante que os pais ou responsáveis saibam disso, para evitar que um desenho feito com tanto carinho seja jogado no lixo. 

Cuidados pedagógicos essenciais 

Uma das armadilhas do Dia das Mães na escola é, com toda a boa intenção do mundo, transformar a data em uma fonte de ansiedade para as crianças, para as famílias e para o próprio professor. Algumas orientações práticas ajudam a evitar isso. 

  • Comunique às famílias com antecedência. Um bilhete simples explicando o que será feito, e eventualmente pedindo algum material ou foto, evita surpresas e cria cumplicidade. 
  • Cuide das crianças com discrição. Antes de iniciar as atividades, o professor já sabe quem pode precisar de um cuidado especial. A proposta: “Você pode homenagear a pessoa que mais cuida de você”, costuma ser suficiente para que a criança se sinta incluída sem ser exposta. 
  • Respeite o tempo do planejamento. Atividades bem-feitas precisam de mais de um dia. Planeje com pelo menos uma semana de antecedência, distribua as etapas com calma e deixe espaço para que as crianças revisitem e aprimorem o que fizeram. Homenagens feitas com pressa raramente chegam com o afeto que merecem. 

Trabalhar o Dia das Mães na escola é uma oportunidade de educar para o reconhecimento do outro, de valorizar os vínculos que sustentam a infância, que acolhem, protegem, orientam e fazem crescer. 

Leia mais: Data Comemorativa: Dias das Mães

Festejar essa data é possibilitar que a criança olhe para quem a sustenta com amor e encontre palavras, imagens ou gestos para dizer o que normalmente fica guardado no coração. 

Atividades criativas para o Dia das Mães 

  • Educação Infantil (crianças de 3 a 5 anos) 

As atividades a seguir foram pensadas para crianças de 3 a 5 anos, com foco no sensorial, no lúdico e na expressão livre. Todas podem ser adaptadas conforme os recursos disponíveis na escola. 

Cartão com carimbo da mãozinha 

Um clássico que nunca perde o encanto. As crianças carimbam a própria mão com tinta (guache é ótimo para isso) e transformam o carimbo em flores, borboletas, pássaros. A professora escreve uma frase ditada pela criança ao lado. 

Vaso de flor com sementinha 

Garrafas PET cortadas, latinhas ou copinhos de iogurte viram vasinhos decorados com tinta, papel colorido ou retalhos de tecido. Dentro, uma semente de girassol, manjericão ou qualquer outra planta de germinação rápida. A ideia de “cuidar para crescer” dialoga diretamente com o tema do amor materno, e a criança leva para casa algo vivo. 

“O que eu mais gosto em quem cuida de mim” 

A professora convida cada criança a completar a frase oralmente, anota com fidelidade o que ela diz (sem corrigir ou embelezar) e escreve no cartão ou numa folha ilustrada pela própria criança. Essa atividade valoriza diferentes vínculos e permite que cada criança se reconheça em sua própria história. 

Livro coletivo da turma 

Cada criança contribui com um desenho e uma frase ditada à professora, que, então, organiza tudo em um livro fotocopiado: uma cópia para cada família e uma para ficar na sala. A capa pode ser personalizada com uma foto e o nome da criança. 

Apresentação musical 

Ensaiar uma música simples para apresentar às famílias, ou gravar um vídeo para enviar, é uma das homenagens mais emocionantes que existem. A apresentação não precisa ser perfeita, mas precisa ser amorosa. Os “erros de palco” costumam arrancar gargalhadas. 

Caixa surpresa 

Uma caixa pequena (de sapato ou de leite), decorada pelas crianças, com bilhetinhos dentro escritos pela professora com as palavras da criança, um desenho e uma foto impressa. A caixa vira um pequeno tesouro afetivo. 

Mural da rede de cuidado 

Um painel coletivo com desenhos, fotos ou nomes das pessoas importantes na vida das crianças pode reforçar o sentimento de pertencimento. 

  • Ensino Fundamental (estudantes de 6 a 12 anos) 

Para estudantes de 6 a 12 anos, as atividades podem ganhar mais complexidade, mais escrita e mais protagonismo, sem perder a leveza e o afeto que fazem dessa data algo especial. 

Carta ou bilhete afetivo 

Simples e poderoso. A professora pode começar com uma conversa sobre o que é uma carta, mostrar exemplos e depois convidar cada estudante a escrever a sua.  

Acróstico com o nome da pessoa homenageada 

Cada letra do nome da mãe (ou da pessoa homenageada) vira o início de uma palavra ou frase que a descreve. Esta é uma atividade excelente para trabalhar vocabulário, adjetivos e a ideia de que as palavras têm peso afetivo. 

“A melhor receita de quem cuida de mim” 

Uma ideia criativa e bem-humorada: o(a) estudante escreve uma receita culinária fictícia cujos ingredientes são qualidades afetivas: dois abraços apertados, uma xícara de paciência, três colheres de risada, pitadas de braveza a gosto. Além de divertida, a atividade trabalha lista, medidas, sequência e ainda provoca reflexão sobre quem é essa pessoa que cuida dele(a) com tanto esmero. 

Entrevista com a mãe ou com quem cuida 

Em uma atividade coletiva, cria-se um roteiro simples de perguntas para fazer em casa. Realizada a entrevista, o estudante transcreve e ilustra as respostas. O resultado é um retrato carinhoso e único da pessoa homenageada, visto pelos olhos da criança. 

Bordado simples em tecido não tecido 

Bordado básico com agulha de ponta romba e linha colorida em tecido não tecido. As crianças podem bordar o nome da mãe, uma flor, um coração. Além de ser uma homenagem com alto valor afetivo, desenvolve coordenação motora fina, concentração e paciência. 

Que o Dia das Mães seja, para cada criança de sua escola, um dia especial de reconhecimento e gratidão para a pessoa que cuida dela com carinho. 

 Referências 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: abril de 2025. 

ORTHOF, Sylvia. Se as coisas fossem mães. 16. ed. Ilustrações de Ana Raquel. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.  

VILARINHO, Thaís. Mãe fora da caixa. São Paulo: Buzz Editora, 2017. 

WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 2019. 

Minibio da autora

Pedagoga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e pós-graduada em Direção Colegiada pela PUC/PR, Inês Calixto construiu uma carreira sólida que transita da regência em sala de aula para a formação estratégica de educadores e alunos. Com sólida base em Filosofia, Teologia e Aconselhamento, sua atuação foca na educação como um ambiente de conexão e propósito. É também coautora das obras Diário de uma Kombi e Eu IA.

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